sábado, 5 de março de 2016

Em ato pró-PT, Lula se oferece para ser candidato em 2018

“A partir de hoje, a resposta que posso dar é ir para as ruas e dizer: “estou vivo e sou mais honesto do que vocês”.

Classificando a ação desta sexta-feira como uma “provocação banal e imbecil” e dizendo-se vítima de um “sequestro”, Lula afirmou ser mais honesto do que o juiz Sergio Moro.
“Pode pegar o Procurador-Geral da República, pode pegar o doutor Moro, pode pegar o delegado da Polícia Federal e juntar todos eles. Se eles forem R$ 1 mais honestos do que eu, desisto da vida pública.”
Lula chorou várias vezes diante de milhares de militantes do PT que lotaram a quadra do sindicato, no centro de São Paulo, num ato em homenagem a ele e contra as investigações da Operação Lava Jato.
O petista foi recebido sob aplausos e gritaria por volta das 20h30. Até a noite desta sexta, estimativa de público feita pelo Sindicato dos Bancários era de 5.000 pessoas. Lideranças do PT, incluindo o presidente do partido Rui Falcão e o prefeito Fernando Haddad, estavam presentes.
“Transformaram minha importância política à subordinação a empresas envolvidas na Lava Jato.”
Lula afirmou também que se quiserem o derrotar, terão de o “enfrentar nas ruas desse país”.
“Quero comunicar aos dirigentes que estão aqui que, A partir de segunda-feira, estou disposto a viajar esse país do Oiapoque ao Chuí. Se alguém pensa que vai me calar com perseguição e denúncia, vou falar que sobrevivi à fome. Não sou vingativo e não carregou ódio na minha alma, mas quero dizer que tenho consciência do que posso fazer por esse povo e tenho consciência do que eles querem comigo.”
“Se vocês estão precisando de alguém para comandar a tropa, está aqui.”
CHORO
“Hoje é o dia da indignação para mim. Já sofri muito, fui preso quando era presidente do sindicato dos metalúrgicos, já perdi eleições. Em todas as vezes que sofri revés, me comportei como democrata”, disse o ex-presidente, em meio a gritos de “olê, olá, Lula”.
Lula disse ser vítima das elites e de manipulações midiáticas.
“No meu governo, os negros começaram a ser mais respeitados, a juventude da periferia também. As pessoas começaram a ter acesso à universidade. Os aposentados passaram a receber aumento real de salário, o salário mínimo aumentou e sei que isso incomodava as elites. Banqueiro ganhou no meu governo, mas os trabalhadores nunca ganharam como ganharam”, afirmou.
O choro ocorreu nos momentos em que o petista falou sobre a ascensão social de negros e pobres, de quando recebeu minorias no palácio do planalto e quando mencionou a eleição de Dilma.
Ao final de seu discurso de quase uma hora, em que também se defendeu das acusações, declarou em tom de desafio: “cutucaram o cão com vara curta”.
A manifestação serviu para divulgar também atos nos próximos dias 8, 18 e 31 de março.
Espalhadas pela quadra havia dezenas de faixas em protesto contra a nova fase da Operação Lava Jato na qual Lula e os filhos dele foram levados à Polícia Federal para prestar depoimento. “1964 nunca mais”, dizia um dos cartazes.
A plenária tinha como mote a frase “não vai ter golpe”, como os petistas estão chamando a possibilidade de impeachment de Dilma. Nos discursos, todos falavam de Lula como “reserva moral em defesa do povo”.
DISCURSOS
O primeiro a discursar foi o senador petista Lindbergh Farias, que foi um dos líderes do “Fora Collor”, em 1992.
“Acordei no dia de hoje indignado com o que estavam fazendo com o presidente Lula. Concluí nesta tarde que eles deram um tiro no pé. Mexeram com nosso presidente Lula” disse Farias.
“Eles acenderam a nossa militância. Para a Lava Jato, o PSDB é inatingível. Aecio Neves foi citado em três delações e não foi chamado para depôr”, disse Farias, que também fez vários ataques à Rede Globo.
“O que aconteceu hoje foi desnecessário. Colocar centenas de pessoas para escoltar um homem? Escoltaremos da próxima vez. Estamos disponíveis para proteger o presidente. Não foi um ataque ao presidente, mas ao cidadão Luiz Inácio Lula da Silva” disse o prefeito Haddad.
O movimento teve apoio de centrais sindicais, movimentos sociais de moradia, educação e lideranças de partidos da base de apoio da presidente Dilma Roussef.
Além do presidente municipal do PT, Paulo Fiorilo, compuseram a mesa partidos da base aliada como PC do B, Vagner Freitas, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Nivaldo Orlandi (PDT) e várias centrais de movimentos populares.
Fiorilo disse que haverá pelo menos dez plenárias para convocar a militância para “combater a tentativa de golpe”.
“Querem ser governo, tentem em 2018. O tapetão deixa o Brasil nervoso. Botem a mão na consciência, golpistas. Não seremos derrotados com as mãos nos bolsos. Vamos fazer um processo democrático de combate ao golpismo”, disse Vagner Freitas.
Karina Vitral, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) acusou a mídia.
“Aqui está o povo que sabe muito bem o que está em jogo nessa delação premiada e na operação lava jato. Isso não é uma operação policial, é uma farsa midiática. Resistiremos nas ruas”, disse Mitral.
PERGUNTAS SEM RESPOSTA
Lula não esclareceu suspeitas durante discurso
1 O ex-presidente simulou contratos de palestras para receber dinheiro da empreiteira OAS?
Lula não comentou essa parte da investigação. Disse apenas ser bem remunerado por suas palestras por causa de seu bom desempenho como presidente da República. A Lava Jato aponta que Lula recebeu R$ 9,9 milhões por palestras a empreiteiras
2 Quem pagou pelas reformas no sítio de Atibaia (SP)?
A defesa de Lula aponta apenas que sítio foi comprado por amigos para que tivesse o uso fosse compartilhado com a sua família
3 Lula recebeu R$ 1 milhão da OAS por meio de reformas e móveis de luxo implantados no tríplex em Guarujá (SP)?
O petista disse só não ser dono do apartamento
4 Instituições ligadas a Lula receberam R$ 30,7 milhões de empreiteiras entre 2011 e 2014?
Lula não mencionou valores. Confirmou que o Instituto Lula o agenciava e que eles cobravam valores altos
5 A empreiteira OAS pagou R$ 1,3 milhão a uma empresa para armazenar pertences acumulados por Lula na Presidência?

Lula disse apenas que foi o presidente que mais acumulou presentes na história, mas não detalhou onde eram armazenados.
Fonte: Informa1

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