quinta-feira, 10 de março de 2016

Oposição na Alepa se une a professores e alunos em defesa do SOME

Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, foi tema de debate na manhã desta quinta-feira, na Alepa, em Audiência Pública proposta pela bancada da oposição formada por PT, PMDB e PCdoB. Professores, alunos e ex-alunos realizaram um debate acirrado em defesa da manutenção do Sistema, que existe desde 1980 no Pará e que hoje funciona como Política Pública Educacional do Estado, através da lei estadual 7806/14 (Lei do SOME).

Atualmente, temos em nossa conjuntura estadual do SOME grandes deficiências devido ao não comprimento dessa lei por parte da SEDUC, comprometendo assim as estruturas pedagógicas, as condições de trabalho docente, incluindo a falta de segurança nas escolas.

Além disso, o governo não constrói escolas no Estado ou deixa de recuperar as existentes, o que faz com que as escolas municipais fiquem superlotadas e sem espaço para que os alunos do Ensino Médio Modular tenham um espaço digno para bem aproveitar as aulas que ali são ofertadas. É o sucateamento da educação.

Não satisfeito com esse cenário de caos na educação paraense, e especificamente no SOME, o governo do Estado sinaliza inserir novos projetos, como MUNDIAR E SEI (Sistema de Ensino Interativo), que são do setor privado e tem como objetivos substituir paulatinamente esta modalidade de ensino público. Ou seja, significa a privatização da educação.

Pelo projeto, ao invés dos alunos terem aulas presenciais com professores da rede pública de todas as disciplinas que compõem a grade curricular da base comum, o governo Jatene quer impor ao nosso alunado assistir “aulas” com a presença de um professor Unidocente (Multidisciplinar) para orientar através de vídeo-aulas, repassadas de uma televisão ao longo do período de 4h diárias.

Com apenas um docente e uma televisão, o que acontecerá com o futuro do Ensino Médio no campo? O que acontecerá com o aprendizado dos mais de 38 mil alunos existentes no SOME no Pará? Isso é um retrocesso e não vamos permitir. 

Na verdade, esse é o modelo de educação que está sendo imposto pelos governos do PSDB em todo o Brasil, de privatizar a educação. Foi assim em São Paulo, que em nome da tecnologia, o governo do PSDB ameaçou fechar escolas. Foi assim também em Goiânia. Mas, a mobilização de alunos e professores impediu essa imposição.

Aqui no Pará, não é de hoje que o governo do PSDB ensaia privatizar a educação. No ano passado, Simão Jatene propôs gastar  R$ 300 milhões em cursos de inglês para alunos de escolas públicas. Outro montante para aulas de reforço. Ação impedida pela mobilização e ação da oposição no Parlamento.

O governo do PSDB também fala em tecnologia na educação do Pará. Mas, dá forma como está sendo apresentada, trata-se de enlatados. Não podemos confundir tecnologia com enlatados, que fazem mal a cabeça e ao corpo.

Como encaminhamentos da Audiência Pública, a oposição na Assembleia Legislativa vai propor a criação da Frente Parlamentar em Defesa do SOME e exigir da Secretaria de Educação do Estado um documento oficial com explicações sobre o que realmente pretende fazer com o SOME. Os professores e alunos estão inquietos e preocupados com a onda de boatos que surgem a cada dia em relação ao Sistema Modular de Ensino Médio. E é preciso deixar bem claro, que qualquer mudança no SOME tem que ter a aprovação do Parlamento Estadual. Ninguém está acima da Lei.

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