O Pará precisa de paz, o Pará quer paz!

Por Carlos Bordalo

Desde o inicio de 2015 venho alertando que a segurança pública sofre um ataque no Pará. Em fevereiro, a subversão da ordem começou nas casas penais do Estado. A ação articulada de motins de detentos dos Presídios da Região Metropolitana, do Complexo Penal de Americano e de Tucuruí e Marabá, além de pelo menos cinco carceragens de Seccionais da Região Metropolitana se insurgiram. Os detentos enfrentaram os agentes prisionais, exigiram a intervenção armada não letal a fim de reestabelecer uma falsa ordem. A cúpula da Segurança Pública mostrava com a ação um falso controle da situação.

Na época, somaram-se às rebeliões nos presídios, atos de terrorismo com a queima de nove ônibus em nove bairros da Região Metropolitana, e com uma série de assassinatos em Belém e região metropolitana, em retaliação a morte de Jeová, membro da equipe Rex, mesmo grupo criminoso suspeito da morte do Cabo Figueiredo em novembro de 2014 e que causou a ação de vingança com a morte de 10 pessoas nos dias 4 e 5 daquele mês.

Um ano depois da Chacina de Belém cobramos respostas sobre a conclusão dos inquéritos,  saber quem já foi preso e em que fase estão as investigações, desde o da morte do cabo Pet, como dos outros assassinatos que se seguiram.

O Delegado Geral de Polícia Civil, Riomar Firmino, atendendo convocação da Comissão de Direitos Humanos, apresentou esclarecimentos importantes, como a conclusão de quatro dos 11 inquéritos policiais sobre a chacina, e que já foram encaminhados ao Ministério Público.

O assassinato do Cabo Pet, que motivou a chacina, foi considerado desvendado pela polícia, com a prisão de quatro dos seis participantes do crime. Dois deles estão mortos. Mais quatro acusados de participação da chacina também estão presos. 

Mas, a violência continua com proporções alarmantes, a cada fim de semana os jornais destacam dezenas de assassinatos. Há registros de mais de 2.500 só este ano no Pará. E desta vez o quadro da violência aponta o inverso, com a retaliação de criminosos contra a polícia. Só este ano, 22 PMs foram mortos pela bandidagem, apenas dois estavam em serviço. E da Polícia contra a sociedade. É a inversão de valores.

O quadro se torna ainda mais agravante quando vemos hospitais, igrejas e escolas sendo invadidos com audácia pelo crime organizado. É um estado de guerra.

E onde está o comando da segurança pública, que não se pronuncia devidamente? Sim, dizer que já identificou os líderes, que já debelou rebeliões e que está nas ruas combatendo a bandidagem não basta. É preciso que se responda por que a violência só cresce no Pará, e por que presos comandam ações criminosas contra a sociedade a partir das casas penais do Estado.

Já me manifestei em plenário e através do Relatório da CPI das Milícias, que é preciso uma ação firme de reconquista de territórios com um aparato de segurança grandioso, só superado por políticas públicas ainda maiores, com caráter inclusivo, que resgatem direitos e promova a cidadania.

É preciso, também, esclarecer à população que estes crimes cometidos por policiais e por criminosos têm o único propósito de mandar um recado ao povo, para que se intimide, que se curve ante suas vontades criminosas e seus interesses financeiros.

Queremos saber por que o Governo insiste em dizer que tem o controle da Segurança Pública do Estado, por que não atua de forma republicana e admite que sua capacidade de enfrentamento está no limite das condições de inteligência, no limite financeiro e estrutural. Por que não se socorre do Governo Federal e pede auxilio como o reforço da Força Nacional de Segurança e de recursos de inteligência para enfrentar o problema.


Não há uma solução mágica para o barril de pólvora das nossas prisões, mas há, pelo menos, um roteiro a ser seguido. Os presos do Pará estão amontoados em casas penais, sem ocupação. É preciso que eles paguem por suas penas. É inadmissível um detento custar ao Estado mais que um aluno da rede pública. Eles têm que trabalhar nos presídios, aprender um oficio. O que falta ao governo do Estado é ação, vontade.

Comentários