terça-feira, 9 de junho de 2015

A crise na segurança Pública no Pará: O que esperar de um governo sem ação?

Por Carlos Bordalo

São os momentos de grande dificuldade que nos definem. Quando a crise se instala, é que vemos quem são os líderes de verdade e quem são os oportunistas que estão acoplados ao poder, apenas para a satisfação de interesses de grupos que se forma em torno do poder.

Neste momento, o Pará passa por sua maior crise de segurança pública. Desde janeiro, o Parlamento do Pará provou e comprovou a existência de milícias no Estado. Em outra oportunidade, a Assembleia Legislativa já havia provado a existência de redes internacionais de tráfico de pessoas e de exploração sexual de crianças e adolescentes. Era de se esperar que o executivo tomasse as rédeas do processo e voltasse suas atenções para coibir estas práticas criminosas.

Ficamos todos a espera de uma ação contundente, mas ela não veio. Sete meses depois, as mães dos 10 rapazes mortos na Chacina da Terra Firme esperam por uma explicação para a morte de seus filhos,  mas até agora  nada. Nós sabemos que o policial morto naquele episódio foi assassinado em razão das suas atividades milicianas, nós sabemos que 15 policiais em serviço ajudaram na execução dos 10 rapazes mortos, mas nós não sabemos quem matou os rapazes. Será que isso tem a ver com os fatos estampados nos jornais de maior circulação do Estado nos últimos dias?

Cito a reportagem de domingo do jornal Diário do Pará, em que membros do Sistema de Segurança Pública do Estado e especialistas em Segurança Pública, afirmam categoricamente que o Primeiro Comando da Capital, o famigerado PCC, opera em Belém e no Estado a partir das casas penais e cita o PEM III, em Marituba, como o quartel general das operações da facção criminosa no Pará.

Nas palavras do Delegado da DRCO “A gente fica o tempo todo monitorando. Todas as cadeias se comunicam. Toda cadeia sempre tem instalado o PCC. Aqui no Pará seria no PEM III, que é de segurança máxima’’. Ele ainda revela que o PCC está instalado no Pará há oito anos.

Ontem, em matéria publicada no Jornal “O Liberal” o Juiz Flávio Sanchez confirma todo o relatório final da CPI das Milícias, ao afirmar que investigações no âmbito de diversos processos que correm em segredo sob sua guarda, referem-se a atividades milicianas nos territórios da Jurunas, Cremação, Guamá, Terra Firme e Marco.

Na sexta feira, dia 5 de junho, a DRCO desarticulou um grupo criminoso liderado por policiais militares com treinamento tático especializado em roubo a bancos e arrombamento de caixas eletrônicos.

Diante deste calamitoso quadro, o que deveríamos esperar do Governo? Que tomasse uma atitude audaciosa e convocasse a sociedade paraense e as instituições para um Pacto pela Segurança Pública; determinasse a ocupação dos territórios tomados pelo crime, inundasse estas áreas de políticas públicas inclusivas, implantando praças, ampliando a iluminação pública, mantendo as escolas abertas para atividades lúdicas e esportivas aos finais de semana, potencializando os CRAS das prefeituras nas áreas problemáticas.

Mas, ao invés disto, o Governador vai ao Jornal procurar culpados, recomenda as pessoas que saiam sem seus pertences, sem celular, sem dinheiro. Tudo é motivo para críticas. Se um jornal noticia uma morte violenta, a culpa da insegurança é do jornal, que deveria ter se furtado a reportar o crime.

Para o governador, humildade e reconhecimento de suas dificuldades é fraqueza. Não percebe que poderia dignificar-se se pedisse ajuda federal. Ao contrário, prefere desqualificar o apoio federal, o mesmo apoio que traz resultados significativos na Paraíba, do Tucano Cassio Cunha Lima, e no vizinho Maranhão, do Comunista Flávio Dino. Funciona porque o remédio para segurança pública não é ideologia, é ação concreta.

Por isso, a professora Haydée Caruso, pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da Universidade de Brasília, chama de “Epidêmica” a violência no Pará. Ela afirma categoricamente que o Estado se recusou a integrar-se ao planejamento do Ministério da Justiça. Sua afirmação é agora confirmada pelas palavras do próprio governador.

O artigo foi tema de meu pronunciamento na Tribuna da Alepa

Nenhum comentário: