Incra/PA apresenta ações do Luz Para Todos durante audiência pública em Gurupá


A Expansão do Programa Luz Para Todos para as áreas urbana e rural do município de Gurupá, na região do Marajó, foi a principal reivindicação de audiência pública promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais e associações de famílias de projetos agroextrativistas (PAE) e de reservas extrativistas do município marajoara que, apesar de próximo do “linhão” que leva a energia gerada em Tucuruí (PA) até Manaus (AM), não é beneficiado com o Programa do Governo Federal. Atualmente somente a sede do município é atendida pela Rede Celpa - a concessionária de energia no estado do Pará -, com eletricidade gerada por motores a óleo diesel.
 
Durante a audiência, realizada no dia 16 de maio na sede da Associação dos Pescadores de Gurupá, que contou com a presença do superintendente regional do Incra no Pará e membro do Comitê Gestor do Luz para Todos, Nazareno de Souza Santos, as lideranças apresentaram dados que apontam para custos de geração de energia própria muito além da capacidade orçamentária da maioria das famílias do município, que possui um dos piores índices de desenvolvimento humano (IDH) do Pará e mesmo do Brasil.
 
Altos custos
Pelos cálculos apresentados, uma família desembolsa R$ 3.928,00 ao ano para gerar energia elétrica durante um período médio de 4 horas/dia. Por mês isso representa R$ 327,00, somados o consumo do óleo diesel e a manutenção do motor/gerador.
 
Esse é um custo muito para um município com uma renda familiar média per capita que não ultrapassou R$ 250,00 em 2010, ano em que o Censo do IBGE constatou que 3.367 famílias habitavam na zona rural, o que representa 90% da população total do município - justamente aquela que não é atendida sequer pela Rede Celpa.
 
Para muitas das famílias, sem poder aquisitivo, resta o desconforto da inalação da fumaça e os perigos do uso das velas e lamparinas; desconforto e perigo também presentes no uso residual da gasolina misturada ao óleo diesel para melhorar a combustão, que acaba por provocar explosões e queimaduras de 3º grau, principalmente a crianças desavisadas que acendem um fósforo às proximidades do motor. E para piorar a situação, as vítimas precisam ser transferidas para a capital Belém, o que leva, em média, 22 horas de viagem.
 
Conjunto de ações

Em sua intervenção, o superintendente do Incra/PA considerou que a audiência pública organizada pelos movimentos sociais de Gurupá é de grande importância por retomar o debate a partir de um novo diagnóstico e com maior participação da sociedade. Nazareno aproveitou a ocasião para apresentar aos participantes da audiência o conjunto de ações que o Incra/PA vem desenvolvendo na região para contribuir com a melhoria da qualidade de vida e condições produtivas das famílias.
 
Dentre as ações, Nazareno destacou a criação de projetos agroextrativistas; assinatura de um termo de cooperação com a Prefeitura Municipal de Gurupá para implantação de uma Sala da Cidadania; contratação de assistência técnica e extensão rural, no valor de R$ 3 milhões, para atender 1.276 famílias; implantação de sistemas de abastecimento de água e a retomada da construção de moradias para as famílias beneficiárias das políticas agrárias do Governo Federal.
 
Ao final do evento os participantes decidiram pela realização de uma nova audiência na Rede Celpa, no dia 25 de maio, seguida de outra reunião em Brasília, desta vez com o Ministério de Minas e Energia, em data a ser confirmada.
 
Também participaram da audiência o prefeito de Gurupá, Raimundo Nogueira; os deputados federais Beto Faro e Zé Geraldo e o deputado estadual Airton Faleiro, além do presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri), Carlos Augusto.
 
Assessoria de Comunicação Social do Incra/PA

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