Caos na saúde, falência da gestão pública na capital

Por Carlos Bordalo

Apesar de não parecer, o prefeito Zenaldo Coutinho conhece profundamente a realidade da saúde do povo de Belém. O grande problema é que não toma as providências necessárias, como as reformas e a ampliação do número de Unidades Básicas de Saúde disponíveis à população.

Em 2015 está prevista a reforma de apenas três Unidades Básicas de Saúde – UBS e a falsa promessa de ampliar o programa de Saúde da Família e as equipes de saúde Bucal, promessa esta que a incompetência de sua gestão já tratou de inviabilizar.

Recentemente o Ministério da Saúde suspendeu os recursos para as equipes de Saúde da Família e Saúde Bucal, em Belém, pela simples falta de atualização dos dados do Sistema de Informação da Atenção Básica. Desde dezembro de 2014 estas informações não são disponibilizadas.

Aliás, a ausência de informações é a tônica da gestão de Zenaldo. Belém é a quinta capital do país que mais sonega informações de seus cidadãos. Recentemente a Prefeitura recebeu nota 2,08, em escala de 0 a 10, em matéria de transparência. As informações públicas não estão disponíveis e não há um SIC – Sistema de Informações ao Cidadão, que permita a qualquer um do povo a solicitar e receber informações rápidas e diretas sobre os diversos problemas de saúde da capital, como, por exemplo, a questão da compra do Hospital Porto Dias.

Em Maio de 2013 o prefeito Zenaldo propôs a fórmula mágica para a saúde de Belém: comprar um Hospital pronto, o Porto Dias. Um ano depois, em abril de 2014, o prefeito garantiu a aquisição do Hospital e hoje, 2 anos depois, diz que aguarda os recursos para a compra do Hospital e, para piorar, o seu secretário de Saúde vem a público dizer que a Prefeitura só não tem o Hospital porque a presidenta Dilma não liberou os recursos.

A verdade é que o prefeito de Belém suplicou a presidenta que financiasse o hospital. A presidenta abriu as portas do BNDES e até o presente momento o governo do Estado não formalizou o pedido de empréstimo, não apresentou os documentos necessários e até hoje não há processo de financiamento para a compra do Hospital Porto Dias. Ou seja, a justificativa de que a aquisição de um hospital pronto economizaria tempo caiu por terra. A verdade é que a prefeitura não tem projeto, não tem financiamento, não presta informações e agora esta sem dinheiro por que o governo federal tem como regra não enviar recursos para quem não presta contas.

O que é correto, não se pode passar um cheque em branco para um Prefeito que, mesmo com todo o apoio do governo do Estado, e as portas abertas do governo federal, não presta contas do dinheiro da saúde e não consegue formalizar um pedido de empréstimo, nem tendo como fiador o governador do Estado.

A novela da saúde de Belém vai continuar, só que agora com um novo personagem. Como percebeu que a história do Porto Dias não colou, que tentou colocar a culpa na presidenta Dilma, e não colou, o prefeito Zenaldo agora aparece com uma nova proposta: comprar o hospital Samaritano.

Usei a Tribuna da Alepa, nesta quarta, para falar da crise na saúde pública de Belém.

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