O Pacto pela Educação e a baixa performance educacional do Pará

Por Carlos Bordalo

O governo do Estado do Pará tem uma fixação com dados e índices que beira a compulsão. Embora toda a gestão esteja baseada em números, o governo não se furta a abandoná-los quando necessário para justificar novos ciclos ancorados em propaganda institucional milionária, como já é do conhecimento de todos.

A bola da vez é o IDEB, que segundo o governador avançará em 30% até 2017, fruto do grande projeto chamado “Pacto pela Educação”.

Fixa uma meta quantitativa de médio prazo, mas não explica qual o seu ponto de partida. Segundo as informações disponíveis no Site da Agencia Pará e na página do “Pacto pela Educação”, o aumento de 30% do IDEB será aferido em 2017, mas não há explicações quanto ao abandono das metas fixadas com o Ministério da Educação.

Isto se deve especialmente porque houve variação negativa do índice em todas as faixas de amostragem na gestão Jatene entre 2011 e 2013. Portanto, a meta de 30% é variável de acordo com o ano da gestão em que funda sua referência para 2017.


5º ano
9º ano
3º Ensino Médio
2011
4,00
3,1
2,8
2013
3,6
3,0
2,7
META 2013
3,8
4,0
3,2
META 2017
4,4
4,6
4.0
META 2017 PACTO sobre 2011
5,2
4,0
3,64
META 2017 PACTO sobre 2013
4,7
3,9
3,5

A questão é que o governo deveria se ater a bater as metas já projetadas pelo MEC e combater na raiz os problemas que lhe afetam, como por exemplo, o fato de a taxa de abandono nas escolas estaduais, hoje, é de 20% dos jovens. Ou o fato de que apenas 32% dos alunos, até 19 anos, conseguem concluir o ensino médio no Pará, condição mínima para ingressar no mercado de trabalho. A baixa performance educacional é um entrave para o desenvolvimento econômico deste Estado.


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