Deputados pedem providências do governo

Deputados pedem providências do governo (Foto: Celso Rodrigues/Diário do Pará)
Dez pessoas foram mortas na noite de 4 de novembro, em diferentes bairros, após execução de policial (Foto: Diário do Pará)

Os deputados da base de oposição ao Governo na Assembleia Legislativa, durante a sessão de ontem, voltaram a falar sobre a ausência de providências por parte da cúpula da Segurança Pública, sobre o que de fato ocorreu na sangrenta noite de 4 de novembro, entrando pela madrugada do dia 5, quando o assassinato de um policial militar da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam), Antônio Figueiredo, o “Pet”, gerou uma onda de pelo menos - em números oficiais - dez outras mortes em vários bairros de Belém, como Terra Firme e Guamá. Para eles, a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a atuação de milícias na capital é mais do que urgente, mas corre à sombra da vontade da base aliada, que tem a maioria na casa e demonstra pouco ou mesmo nenhum interesse em tirar a CPI do papel. 

“O requerimento já foi apresentado pelo deputado Edmilson Rodrigues, do PSOL, e está perto de ter o mínimo de assinaturas necessárias para que o pedido seja formalizado junto à presidência da AL, mas a base aliada, que é maioria aqui na AL, como é em qualquer casa congressual no país, se não ‘segurar’ a pauta, deve pautar os rumos dos trabalhos na comissão”, justificou o deputado Parsifal Pontes, do PMDB. “Mas o importante é que se esclareça o que aconteceu, porque ainda não está esclarecido”.

Até ontem, 13 deputados já haviam aderido ao pedido proposto pelo psolista - em atendimento à reivindicação de cerca de 100 entidades do movimento social que cobram a apuração da chacina: Edmilson Rodrigues, Carlos Bordalo (PT), Airton Faleiro (PT), Valdir Ganzer (PT), Edilson Moura (PT), Milton Zimmer (PT), Zé Maria (PT), Parsifal Pontes (PMDB), Simone Morgado (PMDB), Martinho Carmona (PMDB), Antônio Rocha (PMDB), Josefina Carmo (PMDB) e Chicão (PMDB). 
Edmilson Rodrigues espera conseguir mais duas assinaturas na semana que vem: as das deputadas Nilma Lima, do PMDB, e Bernadete Ten Caten, que estavam licenciadas do parlamento. 
“Estamos há 15 dias sem uma resposta concreta da investigação policial. A CPI valoriza o trabalho de investigação e ajuda a ouvir outras pessoas. Temos que apurar se estão usando o poder de arma para tirar vidas humanas. Não se pode admitir milícias patrocinadas por comerciantes que pagam por proteção ou daqueles que disputam áreas do narcotráfico. Mesmo bandido, não se pode matar. Há a Justiça para lidar com isso. Não podemos continuar nessa insegurança. Se há policiais matando ou não, precisamos identificá-los”, disse o deputado.
“Eu pessoalmente apresentei a sugestão de o Governo do Estado pedir ajuda do Governo Federal, que não foi acatada, mas continuo achando que é válido. Da nossa parte estamos trabalhando para tentar devolver um pouco de paz à população, e a Segurança Pública tem realizado algumas operações que vão servir para acalmar o momento, contudo a crise da Segurança Pública precisa de um projeto maior, de execução a longo prazo”, afirmou Carlos Bordalo, um dos parlamentares que assinou o pedido de CPI.

Fonte: Diário do Pará http://migre.me/n0FiC

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