Reajuste: Mais uma vez Jatene penaliza o povo do Marajó!

O reajuste de 18% nas tarifas do serviço de travessia de balsa para o Marajó provocou uma reação entre moradores, empresários e gestores públicos da região. O Movimento Acorda Marajó (Moama) retomou no sábado (21/06) uma intensa mobilização para reverter o aumento e que  resultou no bloqueio do porto de embarque e desembarque das balsas, que fica na foz do rio Camará, no município de Salvaterra e da rodovia que liga Salvaterra a Cachoeira do Arari.

Os organizadores do movimento alegam que não existe justificativa para o reajuste nas tarifas e apontam que quem vai pagar o preço da decisão autorizada pela Arcom é a população marajoara. A medida “encarece o pão, o feijão, o arroz e todos os demais produtos da cesta básica, caminhando em sentido contrário à inclusão social, fazendo que o Marajó caminhe a passos largos para se transformar num verdadeiro bolsão de miséria humana”, diz a nota do Movimento Acorda Marajó.

Pelo serviço de balsa são transportados os caminhões que abastecem de mercadorias as empresas comerciais dos municípios de Cachoeira do Arari, Salvaterra, e Soure. A região do Marajó tem um dos piores desempenhos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. E o reajuste nas tarifas do serviço de travessia de balsa pode agravar ainda mais os indicadores econômicos e sociais de uma parte do arquipélago.

Outro segmento diretamente afetado é o de turismo, que terá que repassar as tarifas nos custos de hospedagem, restaurantes, lanchonetes e fretes de lanchas aos visitantes que se deslocam de Belém e outros municípios para passar as férias de julho nas praias da região. “De que adianta o Marajó ter suas belezas naturais e o povo acolhedor se as autoridades administram o Estado navegam na contramão do desenvolvimento do arquipélago?”, questionam os organizadores do Moama.

Todo tipo de combustível é transportado em caminhão tanque pelas balsas. Isto também vai afetar o preço do valor do combustível na bomba de óleo diesel, etanol e gasolina. Provoca também, de imediato, aumento nos custos do serviço de transporte escolar dentro dos municípios e também no valor das passagens dos estudantes universitários e dos cursos tecnológicos que utilizam ônibus, micro-ônibus e vans. Custos estes que são bancados pelas prefeituras locais.

Reivindicações

As principais exigências do Moama são: quebra do monopólio das balsas; redução imediata das tarifas e dos preços cobrados nas balsas que fazem a rota Icoaraci-Camará-Icoaraci; redução das alíquotas de ICMS para os veículos que transportam itens da cesta básica, combustíveis e materiais de construção; ajustes nos horários das saídas das balsas de Icoaraci, para que possa chegar ao Camará ao mesmo tempo, em que os navios; permanência da prioridade para veículos de cargas que são oriundos do Marajó; modernização e qualidade nos transportes de balsas e navios; proibição de vendas de bebidas alcoólicas nas balsas e navios; abertura das contas da Henfil e investigação de seu contrato pelo Ministério Público Federal.

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