A escalada da violência no Pará

É inadmissível, para não dizer triste, que o índice de violência no Brasil tenha alcançado um patamar avassalador, sobretudo no Pará, apesar dos inúmeros projetos sociais que o governo democrático popular vem implementando ao longo de uma década de mandato no país, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Brasil Carinhoso, Programa Universidade para Todos (Prouni), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Apesar dos esforços para manter um país justo e igualitário, o Brasil tem amargado alta taxa de violência. Boa parte dela incidindo sobre jovens (maioria negros) e mulheres. Vale lembrar que, apesar de o governo federal investir em programas sociais, é de competência do governo estadual projetar políticas de combate e inclusão social que garantam a segurança e o bem estar da população.

O programa Bolsa Trabalho, criado pelo governo petista anterior, mas desidratado pelo atual, é um grande exemplo de que se fosse levado adiante, poderia tirar milhares de jovens da criminalidade e diminuir essa taxa constrangedora para o estado, já que muitos alegam falta de oportunidade para o cometimento de delitos. Por outro lado, decisões equivocadas, como a de fechar a maior parte das delegacias à noite, sobretudo em áreas periféricas e a falta de valorização de servidores (das policias civil e militar) acabam contribuindo para o crescimento da violência.

Este cenário é reforçado pelo Instituto Sangari que, entre 1980 e 2010, constatou que o número de homicídios no país saltou de 13.910 para 49.932, 259%, o equivalente a 4,4% de crescimento ao ano. Se formos analisar o Pará isoladamente, os índices são ainda mais preocupantes: no período que compreende o ano 1980/1999, a taxa inicial de violência no estado era de 8,9 homicídios em 100 mil habitantes, pouco inferior a nacional.

Já na Região Metropolitana de Belém (RMB) os índices superam os números do interior e num segundo período (1999/2010) houve intenso crescimento das taxas, puxada pela explosão de violência na RMB, com um crescimento de 324,4% nos homicídios, o que levou o estado a ultrapassar, em 2005, a média nacional e continuar sua escalada de crescimento. No ano 2000, ocupava a 21ª posição nacional e, em 2010, ficou na 3ª posição.

Pais impotentes e estrutura econômica e social frágil nos municípios são terreno fértil para formação e expansão da marginalidade. O tráfico de drogas tem sido a maior causa do crescimento desta violência, pois penetra e se instala nos municípios, provocando desestruturação familiar e encaminhando os jovens para o mundo crime.

Sem contar em bandos armados que se instalam em vilas de difícil acesso no interior e as usam como base operacional para infernizarem moradores com assaltos, aproveitando a precária cobertura policial no Pará.

Está mais do que na hora de os governos criarem programas estratégicos que desarticulem essa teia da violência no estado e mude este mapa tão cruel e que já destruiu diversas famílias. Vamos pensar nisso!

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