Governador do RS entrega projeto de passe livre estudantil à Assembleia

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), protocolou na manhã desta terça-feira na Assembleia Legislativa o projeto de lei que institui o passe livre para estudantes usuários do transporte metropolitano no Estado. A proposta vai beneficiar cerca de 200 mil estudantes de 63 municípios das regiões atendidas pela Fundação Metropolitana de Planejamento (Metroplan). 
A entrega do projeto foi feita ao presidente da Assembleia, Pedro Westphalen (PP). Também estiveram presentes na cerimônia o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, o secretário estadual da Justiça e dos Direitos Humanos, Fabiano Pereira, o secretário de governança local de Porto Alegre, Cézar Busato, a secretária estadual do Turismo, Abigail Pereira, deputados e lideranças estudantis. “É de grande interesse da sociedade esse projeto que auxilia de forma significativa o jovem que está em busca de formação”, enfatizou o governador. 

"Essa é uma reivindicação que está presente nos manifestos. É importante que escutemos o povo. Esta Casa sempre foi sensível ao apelo da população, e nem poderia ser diferente. Assim é a função legislativa. Vamos analisar o projeto e dar toda a celeridade possível ao encaminhamento”, concluiu Westphalen. 

A passagem gratuita valerá para a região metropolitana de Porto Alegre, para o Eixo Pelotas-Rio Grande (sul do Estado), para o Eixo Caxias-Bento Gonçalves (região serrana) e para o eixo de cidades do litoral norte. As linhas são da modalidade comum, com o limite de duas passagens diárias, em dias úteis.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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