A CRISE NA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DO PARÁ




Entrevista no Programa Barra Pesada


Ao assistir a entrevista ontem do Governador Simão Jatene, percebi que ele estava descompensado. Ao que me parece, ele falou muito mais como Chefe de Partido do que como Chefe de Governo. 

O problema da Santa Casa de fato é histórico. Em 2006 houve um surto de 54 mortes de bebês, no primeiro mandato do Governador Simão Jatene. Quando a ex-governadora Ana Julia assumiu o governo, houve um novo surto no primeiro semestre de 2007, portanto ainda sob o reflexo da gestão anterior, ou seja, resultado do que vinha de herança do governo passado. Naquele momento, a governadora Ana Julia tomou providências, tanto que não houve mais nenhum surto de mortandade até o final do seu governo, que antecedeu a esta nova gestão do governador Simão Jatene, porque foram tomadas medidas concretas para evitar as mortes.

É importante lembrar  que com este já temos o segundo surto de mortes no atual governo em dois anos e meio até agora. O primeiro foram 34 bebês mortos, no ano passado em julho, e em agosto do mesmo ano a bancada do PT na Alepa ingressou com Representação no Ministério Público Estadual, mas que até agora, incompreensivelmente, não tivemos uma resposta daquele que é o fiscal da Lei.

Quando o governo do PT se deparou com o problema do surto de mortes, tomamos em especial três medidas imediatas. A primeira que procurava auxiliar médicos e parteiras para que esta demanda não chegasse totalmente à capital e pudesse ser resolvida ainda nos municípios para não sobrecarregar a Santa Casa e o sistema público de Belém. Cerca de 16 municípios do Marajó chegaram a ser contemplados com este programa, pois de lá advinha grande parte da demanda. A segunda medida era a readaptação nutricional dos bebês na Santa Casa para prevenir mortes prematuras. Mas estas medidas infelizmente foram desativadas por Jatene.

O que mais causa espécie na inação do governo é o atraso na conclusão da obra do novo prédio da Santa Casa. A terceira medida tomada pela Governadora Ana Julia foi iniciar a construção da Nova Santa Casa e que foi entregue na oitava laje, mas para nossa surpresa, passados dois anos, seis meses e 11 dias, o governador Simão Jatene não teve capacidade de entregar esta obra. 

Será que é porque quer fazer peça de marketing para a sua reeleição? A isso se chama irresponsabilidade, porque a inauguração deste hospital poderia ter evitado as mortes que ali ocorreram. 

Os governos precisam ser impessoais e devem ter responsabilidade em dar continuidade as obras que receberam e tentar substituir a autoria das obras e danoso, porque quem perde com isso é a sociedade. 

Segundo a representação dos servidores da Santa Casa, a ala na qual o Governador Simão Jatene diz que já estava desativada e que não poderia ter sido o epicentro da contaminação bacteriológica, foi desativada há somente 20 dias, o que pelas imagens apresentadas na imprensa local, pelo estado de abandono, concentraria todas as condições objetivas para desencadear níveis de contaminação, inclusive denunciado pelo Sindicato dos Médicos e que era de conhecimento da Direção da Santa casa e do Secretário de Saúde Helio Franco. 

Enfim, a Santa Casa está precisando de fato de gestão. Como aliás a saúde de todo no estado. Hoje e ontem o que se via eram filas intermináveis no hospital Ophir Loyola, os hospitais de urgência e emergência de Belém desprovidos de materiais e com pacientes espalhados pelos corredores em camas e macas improvisadas.

Alguma coisa está ocorrendo e o Governador do Estado não deveria vir a público dizer que uma fotografia postada de forma equivocada é mais importante que vidas, quase 50 somente este mês, que foram perdidas por falta de cuidados e está agoniando a população do Pará.

A saúde do Pará está na UTI.

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