quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Insegurança pública. Mais 48 assassinatos nas últimas 72 horas.

No Pará, a insegurança já atingiu níveis da barbárie. Nas últimas 72 horas, 48 homicídios dolosos e é apenas o que está registrado.  Assaltos nos cruzamentos das ruas, nas paradas de ônibus, nas casas, bares e apartamentos, sequestros de bancários e roubos à bancos, como o que aconteceu nesse período no Banpará de Santa Isabel, são alguns ingredientes de um estado abandonado, em termos de segurança pública.

No campo, a insegurança e a impunidade andam juntas. Após a sexta morte de lideranças rurais, de maio pra cá, assim se expressou um líder do MST do sul do Pará na revista Carta Capital:  "Essa morte nada mais é do que a permissão para assassinar, o direito de uma classe exercer a violência sobre a outra via eliminação física”

E a ação do Estado para proteger a sociedade, a população? Zero!

Confira a escalada da violência:

1- Dia 26/8/11 - Robson da Silva Moraes - Belém
2- Dia 26/8/11 - Ewerton Paulo Souza da Gama - Ananindeua
3- Dia 26/8/11 - Izaniel Pereira Martins - Ananindeua
4- Dia 26/8/11- Edivelton Nascimento da Silva - Belem
5- Dia 26/8/11- Rafael Dias Araújo - Belém
6- Dia 26/8/11- Alex Silveira - Marabá
7- Dia 26/8/11- Carlos Peixoto - Marabá
8- Dia 26/8/11- Acácio Barros - Parauapebas
9- Dia 26/8/11- Wellington Da Silva Trindade - Belém
10- Dia 26/8/11- Waldemar Barbosa de Oliveira - Marabá
11- Dia 26/8/11- Jordan Alan Costa Monteiro - Santa  Bárbara do Pará
12- Dia 26/8/11- Adolescente J.N.S - Belém
13- Dia 26/8/11- Magno Souza Serra - Belém
14- Dia 26/8/11- Cesar dos Santos Reis - Marabá
15- Dia 26/8/11- José Maria Sampaio - Santarém
16- Dia 27/8/11- Antonio Paulo Conceição da Silva - Tailândia
17- Dia 27/8/11- André da Silva Souza - Belém
18- Dia 27/8/11 - Jackson de Jesus Silva - Castanhal
19- Diaq 27/8/11 - Robson Cleiton do Rosário Lima - Castanhal
20- Dia 27/8/11- Marcelo Paz Souza - Concordia do Pará
21- Dia 27/8/11- Thiago Silva Fonseca - Paragominas
22- Dia 28/8/11- Nildene Cristina Evangelista Barros -  Santa Izabel
23- Dia 28/8/11- Cimar Abreu dos Reis - Santana do Araguaia
24- Dia 28/8/11- Leoney Alves de Souza
25- Dia 28/8/11- Joelson de Oliveira Lopes - Capitão Poço
26- Dia 28/8/11- Madson Evandro Silva Reis - Bragança
27- Dia 28/8/11- José Costa - Santa Maria do Pará
28- Dia 28/8/11- José Silva dos Santos - Tailândia
29- Dia 28/8/11 - Ana Maria Moraes - Santa Izabel
30- Dia 28/8/11 - Edvaldo Garcia Costa -  Ananindeua
31- Dia 28/8/11 - Cleiton Leonardo Gomes - Belém
32- Dia 28/8/11 - Odinei Guimaraes Braga - Belém
33- Dia 28/8/11 - Afonso Vieira - Ananindeua
34- Dia 28/8/11 -Benedito Farias Batista - Belém
35- Dia 28/8/11 - Inaildo Brígido Furtado - Castanhal
36- Dia 28/8/11 - José Francisco Cardoso - Ipixuna do Pará
37- Dia 27/8/11 - Sílvio Lima da Silva - Belém
38- Dia 27/8/11- Denilson da Silva Santos - Belém
39- Dia 27/8/11 - Rodrigo Ferreira do Lago - Benevides
40- Dia 28/8/11 - Francisco Aurismar - Santa izabel
41- Dia 28/8/11 - Emerson Moraes Santana - Santa Izabel
42- Dia 28/8/11 - Adolescente J.M - Santa Izabel 
43- Dia 28/8/11 - Leonardo Pereira - Santa Izabel 
44- Dia 28/8/11 - Adolescente P.S - Santa Izabel
45- Dia 29/8/11 - Terezinha de Jesus da Silva - Itaituba
46- Dia 29/8/11 - João Brabo - Itaituba
47- Dia 29/8/11 - Adolescente W.L - Belém
48- Dia 27/8/11- João Pereira - Nova Ipixuna
49- Dia 28/9/11 - Raimundo Borges Sampaio - São Geraldo do Araguaia 

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Terminal hidroviário está parado. Parou por que, governador?



Em sessão na Alepa (Assembleia Legislativa do Pará), acabei de solicitar a realização de uma diligência no Terminal Hidroviário Metropolitano de Belém, localizado na Avenida Arthur Bernardes, no bairro de Val-de-Cães,  bem ao lado do Hospital Sarah. Como se sabe, o transporte fluvial é essencial para a população, posto que 80% do povo paraense utiliza o rio como meio de transporte.



O terminal  Hidroviário Luiz Rebelo Neto foi um espaço entregue pela governadora Ana Júlia Carepa e está totalmente abandonado, tomado pelo mato, o que dificulta o transporte de 4,5 mil  passageiros e o atendimento de embarcações de médio e grande porte, provenientes de várias regiões do Pará e dos Estados do Amapá e Amazonas.  

A diligência deve acontecer nesta quinta-feira, 1º de setembro, com o apoio da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa. Nosso intuito é emitir um parecer técnico sobre as condições do patrimônio. Informações divulgadas pela imprensa dão conta que a obra está paralisada, devido a falta de um ajuste no paisagismo do local.

O questionamento é: por que o atual governo não coloca pra funcionar este terminal? 

O Governo Jatene deve uma explicação oficial à Alepa, à sociedade, à população, enfim. 

Trata-se de um caso grave de desrespeito para com o patrimônio público, que deveria estar a serviço da população e que iria melhorar o trafego do transporte hidroviário, atualmente concentrado em outros dois portos de Belém.

As fotos são da época em que foi entregue - pelo governo do PT, da companheira Ana Júlia. E agora, parado, serve apenas ao matagal e é mais um desserviço ao povo do Pará.

Sumiço de documentos e morte de bebês. Blogueiros indagam e exigem respostas

Manchete do jornal "O Liberal" de hoje : "Morre bebê que nasceu em táxi à porta de um hospital". Casa de Saúde Santa Clara negou atendimento. O bebê morreu 72 horas após nascer de parto prematuro. A mãe, Carliane Nunes, registrou ocorrência policial contra o hospital que se recusou a atendê-la.
==============
Com mais essa prova patente da falta de atendimento básico do Estado a mães grávidas, deixo aqui indagações sobre a morte dos bebês, feitas pelo blogueiro e deputado federal Cláudio Puty, em seu blog:


Perguntas sobre a morte dos bebês na Santa Casa


  • Quem mandou fechar os portões da Santa Casa em uma  situação envolvendo claro risco de vida à mãe e aos bebês?
  • Qual o motivo do afastamento da Delegada Perpétua da investigação? Teriam sido suas declarações de que há indícios de Omissão de Socorro por parte do Estado? 
  • Por que levar a investigação para a DIOE, comandada por parente do deputado Manoel Pioneiro (PSDB)? Em ambas alternativas, seu afastamento não constituiria uma tentativa por parte do governo em cercear os resultados de uma investigação isenta?
  • Porque só a direção da Santa Casa foi afastada se a mãe também foi rejeitada no Hospital das Clínicas?
  • E a Nova Santa Casa, cujos recursos em caixa e obra em andamento foram deixados por Ana Julia para o novo governo inaugurar?
Não acho mesmo que devamos partidarizar o caso - a situação da saúde no Pará é grave. Gostaria apenas que o PSDB e seus aliados, como o PPS e DEM tivessem tido durante o governo Ana Julia o mesmo comportamento que agora advogam.
==================

Todos os homens de Simão Jatene

E o também blogueiro e educador, ex-secretário de Educação no governo da companheira Ana Júlia, Luís Cavalcante, indaga em seu blog, acerca do sumiço dos 52 processos processos fraudulentos na Alepa, que lembra os filmes "O Assalto ao trem pagador" e "Todos os homens do presidente":

  • Uma operação cinematográfica semelhante a que levou ao furto dos tais documentos e destruição de informações eletrônicas que incriminariam o stafe peessedebista-peemedebista poderia ser realizada sem o prévio conhecimento dos chefes dos dois principais poderes republicanos paraense?  
  •  Quem são os principais beneficiários do sumiço dos processos e os mais interessados em abafar as investigações em curso?

  •  o governador do Pará sabia das operações ilegais realizadas na ALEPA?
O Povo do Pará espera que a investigações do caso cheguem aos autores e, principalmente, aos seus mandantes.
Espera, ainda, que o promotor Azevedo aja como Bob Woodward e Carl Bernstein, dois repórteres do Washington Post, que começaram a investigar do caso Watergate e que suas investigações responda uma questão que deve fazer balançar o ninhal tucano: o governador do Pará sabia das operações ilegais realizadas na ALEPA? 

Leia todo o post aqui 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CPI fraudes Alepa. Por que alguns não a querem?

Esse sequestro ou sumiço de documentos da Alepa mais parece o "Assalto ao trem pagador". Confira a notícia, que foi primeira página do Diário do Pará deste domingo, 28 de agosto 2011. E que está aqui, no Ponto de Pauta:


O Ministério Público começou a montar o quebra-cabeça que vai permitir individualizar responsabilidades de civis e militares pelo cinematográfico sumiço de 52 processos de licitações fraudulentas dos arquivos impressos da Assembleia Legislativa e pela destruição dos registros eletrônicos desses documentos nos computadores da AL. O promotor Arnaldo Azevedo, que vasculha o poço de fraudes no parlamento, admitiu sexta-feira ter reunido fortes indícios que ligam os coronéis Rufino e Osmar, da Casa Militar da AL, à operação militar que retirou a documentação do prédio da AL no dia 28 de maio último em uma viatura da Ronda Tática Metropolitana (Rotam). “A comprovação disso é que agora precisa ser feita”, afirma o promotor.
As investigações conduzidas por Azevedo chegaram perto do gabinete do presidente da AL, Manoel Pioneiro. Na antessala, Rufino, que é homem de confiança do ex-presidente e hoje senador Mário Couto (PSDB), teria sido o artífice, com a ajuda do coronel Osmar Nascimento, da operação militar que escoltou a papelada para fora do prédio. A reconstituição com provas da manobra dos militares está sendo feita com a ajuda de depoimentos e de investigações. Os dois coronéis serão chamados a depor em data ainda não definida.
Segundo Azevedo, na última terça-feira, 23, o subcomandante da Rotam, major Márcio Raiol, prestou depoimento reservado no MP e admitiu em parte o que o DIÁRIO publicou com exclusividade na quinta, 25. Raiol confessou que a viatura que serve a ele na Brigada Militar, uma das mais estratégicas e temidas no enfrentamento ao crime urbano, esteve mesmo no prédio da AL na manhã de 28 de maio. O oficial, porém, negou a Azevedo qualquer operação criminosa montada para o rapto de documento público.
O major declarou que o sargento PM Marcos comandava a viatura – ocupada também por um cabo e um soldado – e ordenou ao motorista que fosse até o prédio da AL para tratar de “assuntos particulares”, sem conhecimento da subchefia da Rotam. Para o promotor, no entanto, que confrontou a versão com a investigação e o rastreamento da viatura naquele dia, tudo indica que Raiol, obedecendo a ordem superior, deu ao sargento a missão de ir à AL. “A Casa Militar não pode mais negar que a viatura tenha ido lá”, afirma.
Azevedo admite que a viatura não transportou os 52 processos licitatórios, mas, fato novo e igualmente grave, escoltou um carro particular que levou a papelada da garagem da Assembleia para destino que o MP não revela por enquanto. Os ocupantes do carro misterioso estão sob investigação, informa Azevedo. Segundo o promotor, os 52 processos estavam em poder de Raul Velasco, que presidia a extinta comissão de licitações de obras da AL. “Os documentos estavam com carga para ele quando desapareceram”, revela.
No depoimento, o major lembrou em dado momento que o sargento já trabalhou para Mário Couto. Investigado por atuar na escolta, Marcos foi colocado à disposição da Casa Militar apenas 15 dias após o episódio da viatura da Rotam, rastreada, entrando na garagem da AL para supostamente receber processos de licitações fraudulentas que beneficiaram empresas já denunciadas pelo MP. Segundo os indícios de Azevedo, foi o coronel Osmar quem pediu a Manoel Pioneiro a transferência do sargento para lá.
Azevedo relata que, na época, surpreso com a notícia, pediu explicação a Pioneiro e recebeu como resposta a garantia de que o sargento não estaria na Casa Militar. Mesmo assim, Marcos ficou mais uma semana na guarda militar da AL, até ser transferido ao Detran, órgão do governo estadual com indicação política do senador. “A imprensa vive repetindo quem controla o Detran?”, diz Azevedo, negando, porém, que esteja investigando Couto ou qualquer político com mandato. “Nosso foco hoje está em quem executou. No futuro, se houver consistência, pode-se investigar supostos mandantes”.
Pelas contas do promotor, o procedimento instaurado para punir o crime de subtração de documentos públicos deverá estar encerrado logo na primeira quinzena de setembro. Até lá, fechando a lista de depoentes e o cerco sobre envolvidos, ele espera reunir provas para turbinar a denúncia. “Se depender do Ministério Público, quem tiver culpa provada será denunciado”, garante. Se condenados, os réus podem receber pena de reclusão de dois a seis anos.
Documentos estão sendo recuperados
Apesar da astúcia dos que surrupiaram os processos da Comissão Especial de Licitação de Obras (Celo), o procurador geral da Assembleia Legislativa, Sebastião Godinho, afirma que os documentos estão sendo recuperados e que a CPU do computador que arquivava os processos está em seu poder e será entregue ao MP para que o Geproc faça o trabalho de recuperação. À época do sumiço, os técnicos da informática da AL alegaram que o computador foi infectado com vírus, e que por isso não seria possível recuperar os dados arquivados.
Após os processos terem sumido, o procurador garante que tomou essa iniciativa e que, por recomendação dos promotores Arnaldo Azevedo e Nelson Medrado, o atual presidente da AL, Manoel Pioneiro (PSDB), providenciou uma sala com tranca eletrônica, em que apenas dois servidores, o atual diretor-financeiro Valdenir Ribeiro e Carlos Alberto Abdon, têm acesso, através de suas digitais.
Segundo Godinho, as informações sobre o furto dos processos foi repassada à direção da AL pelos promotores que investigam as fraudes na casa. Ele admite que Manoel Pioneiro ficou sabendo da entrada da viatura da Rotam na garagem do órgão também pelo MP. “Temos só suspeita, alguns funcionários confirmaram a entrada da viatura, mas ninguém confirmou que viu os documentos serem retirados”, ressalta Godinho.
Ele enfatiza que há várias situações em que viaturas da PM entram na garagem do prédio para ajudar na segurança, inclusive, na data de pagamento de servidores na agência bancária local.
Para a direção da AL não há uma data segura para afirmar quando os processos sumiram. Há três períodos possíveis, segundo o procurador, que seriam, entre 8 e 10 de junho, meados de junho ou final de junho, quando foi detectado o furto.
Como o sumiço de documentos públicos configura crime, a mesa-diretora da AL instaurou uma comissão para apurar o ocorrido. A comissão foi constituída dia 21 de julho, após o furto ter sido comunicado pelo procurador ao MP. A primeira providência adotada por recomendação dos promotores foi fazer um inventário de todos os processos licitatórios da casa. Neste trabalho inicial foi detectado que havia sumido exatamente 52 processos, todos referentes a 2010.
O trabalho de apuração da comissão de sindicância, formada pelos servidores efetivos Geraldo Cavalero de Macedo, Cláudio da Silva Carvalho e Carlos Alberto Abdon terminou dia 21 deste mês e eles estão em fase de elaboração do relatório. Mas, poderão, se acharem necessário, requerer a prorrogação por mais 30 dias.
Sebastião Godinho admite que a direção da AL foi informada pelo MP sobre a entrada da viatura da Rotam, sob o comando do sargento Marcos, e confirmou também que o militar não está mais lotado na Casa Militar. Ele também diz não saber por quem ele foi indicado para o Detran.
PMs envolvidos poderão ser presos e expulsos
Assim que terminar de ouvir os depoimentos dos militares acusados de participarem do esquema de furto dos processos de licitação da AL, o promotor Arnaldo Azevedo remeterá os autos que envolvem os militares para a Promotoria Militar. De acordo com o promotor militar Armando Brasil, em tese, os militares teriam cometido crime de extravio de documentos públicos, o que poderá acarretar a eles pena de oito anos de prisão e a expulsão da tropa.
Brasil explica que a promotora criminal não tem competência para investigar militares. Por isso, já acertou com Arnaldo Azevedo que os autos sejam enviados para a Promotoria Militar.
“Vamos investigar o fato de uma viatura da Rotam ter sido escalada para uma ação dessa natureza. Se ficar comprovada a participação dos militares, acreditamos que eles estavam a serviço de alguém”, afirma Armando Brasil. O promotor militar define o caso como gravíssimo, que tem que ser punido exemplarmente.
O DIÁRIO entrou em contato com a assessoria de imprensa do senador Mário Couto para repercutir o caso, mas até o fechamento da edição não obteve resposta.
Já o comando da Polícia Militar informou, através da assessoria de comunicação, que as denúncias divulgadas no DIÁRIO foram encaminhadas pelo comandante Mário Solano à Corregedoria da instituição para instauração de inquérito para investigar o caso de uma viatura da Rotam ter sido usada para dar suporte ao um esquema de furto de documentos públicos. Mas, não foi informada nem a data da instauração nem período de conclusão da apuração. (Fonte: Diário do Pará, 28 de agosto de 2011.)

Marcha das Vadias. Mulheres marcham contra o preconceito e a violência


Participo agora de sessão especial na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) sobre combate à homofobia.

Ontem, em Belém, a Marcha das Vadias, mais um intenso e organizado movimento de homens e mulheres que combatem o preconceito contra a mulher. A Marcha das Vadias teve a participação de 5 mil mulheres que marcharam desde a escadinha da Estação da Docas até a Praça da República, em Belém e a ação faz parte de um movimento mundial de protesto contra a violência às mulheres. Fotos: Igor Mota/ Shaula Collyer

Mais aqui

Veja viola direitos humanos e SDDH faz 34 anos com boa programação


Bom dia, leitores e leitoras. Na Assembleia Legislativa hoje, abordarei a situação da morte dos gêmeos na Santa Casa, a omissão de socorro, por parte do estado e o estranho afastamento da delegada Perétua da investigação da morte dos bebês. 
 
Nesta segunda-feira, a valorosa  SDDH - Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos completa 34 anos de fundação e hoje há uma programação que inclui colóquio, exposição de fotos históricas e coquetel de relançamento do jornal Resistência.
 
E bem a propósito de violação de direitos humanos, recomendo a leitura do artigo abaixo, publicado no blog Tijolaço, a respeito da invasão de privacidade recente que sofreu o companheiro Zé Dirceu. Invasão praticada pela revista Veja e que não saiu no chamado grande noticiário:
 
Veja é a CIA ou a KGB do jornalismo?

Li o o que saiu na internet da matéria da Veja sobre o ex-ministro José Dirceu. Afora a o ódio político da revista, não há nenhum fato que  possa ser configurado como algum ato ilícito. E, como não é servidor público, não caberia  – mesmo que fosse verdade – saber se lhe pagaram uma diária de hotel. Conversar com deputados, senadores ou ministros é direito de qualquer um, inclusive de Dirceu.
Agora, não é direito de ninguém obter, de maneira clandestina, as imagens de um circuito privado de TV de um hotel, feito para a segurança dos hóspedes e visitantes e não para ser cedido a ninguém para bisbilhotar quem entra e sai.
Supondo-se, claro, que sejam imagens do circuito privado do hotel, não de alguma câmera secreta instalada por um “araponga” a serviço da revista.
De uma forma ou outra, espionagem e violação. Tal como fez o jornal de Murdoch com telefones na Inglaterra, a Veja  “grampeou” um corredor de hotel.
Um empresa – a Editora Abril – que usa estes métodos, que mais pode fazer com a vida privada – e até a íntima – de pessoas conhecidas, na política ou em outras áreas?
Seja qual for a razão ou motivo, salvo uma investigação policial fundamentada e devidamente acompanhada pelo Ministério Público e pelo Judiciário, pessoas podem ser colocadas sob este nível de vigilância.
Ou a revista se acha a CIA  ou a KGB do jornalismo?
Não, sei, mas que é caso de polícia, é.
======================
No blog do Zé Dirceu, mais sobre o assunto:
Depois de abandonar os critérios jornalísticos e a legalidade, a revista Veja abriu mão também dos princípios democráticos. 

A matéria de capa desta semana foi realizada no mais clássico estilo de polícia privada, a serviço dos setores que a Veja representa. Viola o princípio constitucional da intimidade e infringe o Código Penal. Ignora o direito a julgamento e condena previamente. 

A matéria é um amontoado de invenções e erros.

A revista obteve, não se sabe como, imagens do corredor do hotel onde me hospedo em Brasília. Com a relação de todas as pessoas que recebi, passou a questionar a todos sobre os motivos de se encontrarem comigo.

Os questionamentos não tinham como objetivo a apuração jornalística. A tese da revista de que conspirávamos contra o governo da presidenta Dilma já estava pronta. O objetivo era apenas o de constranger.

Manipulação dos fatos

Para tentar dar consistência à sua tese, Veja manipula os fatos para fazer o leitor crer que atuei para que Antonio Palocci deixasse a Casa Civil. Afirma, por exemplo, que três senadores petistas saíram da reunião comigo e, horas depois, recusaram-se a assinar uma nota em apoio a Palocci.

Uma rápida pesquisa no noticiário mostra que a reunião da bancada a que a matéria se refere ocorreu antes de meu encontro com os senadores. Às 15h30, os sites de notícia já divulgavam o resultado do encontro. Minha reunião, segundo a própria Veja, ocorreu às 15h52 e durou mais de 50 minutos.

Ontem, em nota no blog, denunciei a tentativa de um repórter da Veja de invadir meu quarto no hotel (leia mais). O jornalista Gustavo Ribeiro se hospedou em apartamento próximo ao meu, aproximou-se de uma camareira e, alegando estar hospedado na minha suíte, simulou que havia perdido as chaves e pediu que a funcionária abrisse a porta. Ela se recusou e comunicou o fato à direção do hotel, que registrou a tentativa de violação de domicílio em boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial.

Outra tentativa frustrada de golpe

A reportagem da Veja tentou ainda outro golpe. O mesmo repórter fez-se passar por assessor da Prefeitura de Varginha, insistindo em deixar no meu quarto "documentos relevantes". Disse que se chamava Roberto, mas utilizou o mesmo número de celular que constava da ficha de entrada do hotel que preencheu com seu verdadeiro nome. O golpe não funcionou, porque minha assessoria estranhou o contato e não recebeu os tais “documentos”.

Reafirmo: Deixei o governo, não sou mais parlamentar. Sou cidadão brasileiro, militante político e dirigente partidário. Essas atribuições me concedem o dever e a legitimidade de receber companheiros e amigos, ocupem ou não cargos públicos, de qualquer partido, onde quer que seja, sem precisar dar satisfações à Veja acerca de minhas atividades.

Todas minhas atividades são públicas. Viajo pelo país, sou recebido por governadores, prefeitos, parlamentares, lideranças e, principalmente, pela militância petista. Dou palestras e realizo debates, articulo e participo da vida política do país, como dirigente do PT e cidadão. Não tenho nada a esconder. 
 
Campanha contra mim não tem limites


A revista tem o claro objetivo de destruir minha imagem e pressionar a Justiça pela minha condenação. Sua campanha contra mim não tem limites.  Mas a Veja não fere apenas os meus direitos. Ao manipular fatos, ignorar a Constituição, a legislação e os direitos individuais, a revista coloca em risco os princípios democráticos e fere toda a sociedade.

sábado, 27 de agosto de 2011

Afastamento da delegada Perpétua: vou debater esse tema com a classe

Esquenta a caixinha de comentários do blog neste post: "Jatene afasta delegada que investigaria a omissão de socorro do estado na morte dos gêmeos". Considero muito sério esse afastamento e vou debater o assunto com a classe de delegados de polícia.

Os comentários:

1) Quem diria que o IML em menos de 12h expediria o Laudo dos gêmeos, contradizendo que todos já teriam nascido mortos, como se fosse a única prova, felizmente esqueceram que existem TESTEMUNHAS OCULAR que presenciaram o fato. Esse é o desgoverno do Simão Lorota, dessa vez não deu para desculpar-se passando a responsabilidade para os outros.


2) A nossa querida delegada Perpétuo Socorro, muié honesta,que foi candidata a deputada estadual pela nossa coligação pelo PC do B, obviamente que não transformaria a apuração em um caso político -partidário.Não,ela não é disso, Mas querido deputado, ela não foi afastada. Quem avoca esse tipo de investigação é a corregedoria e a DIOE é o orgão realmente especializado em crimes que envolvem funcionários públicos.


3) O afastamento da Delegada Perpétua, é coisa do Incompetente do Secretário de Insegurança Pública, que só vem fazendo merda.


Minha resposta na caixinha de comentários e que trago à principal:

Estou com a concepção de que aos delegados de polícia está faltando os critérios de inamovibilidade e de delegado provento nos inquéritos para evitar que critérios de caráter político prejudiquem o bom andamento da investigação.
Vou fazer o debate com a classe dos delegados.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Impunidade - Mais uma liderança assassinada. E aí, governador?

Bom dia e boa sexta-feira. Permaneço em Bragança, junto com a CPI do Tráfico Humano. Particupei também do Programa de Interiorização do TCE-Tribunal de Contas do Estado, em Bragança.


Tomba mais um - E a impunidade que toma conta do Pará aumenta a estatística. Ontem, foi assassinado o líder rural Waldemar Oliveira Barbosa, em Marabá, na luz do dia. A impunidade que tomou conta do nosso Estado tem sido sistematicamente denunciada pelo nosso mandato, pela bancada do PT e por este blog. Leia mais aqui.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E afinal, Jordy é contra ou a favor da criação de Carajás?

Esta imagem foi colhida do facebook do blogueiro e educador Luís Cavalcante. E do blog do deputado estadual Celso Sabino, a informação abaixo, divulgada a 23 de agosto:

Jordy apoia criação do Carajás

Movimentou hoje a classe política, em especial os defensores da não-divisão do Estado, a divulgação de vídeo, na internet, de uma entrevista com o Deputado Federal Arnaldo Jordy (PPS). No programa de tv Ponto de Vista, da Tv Eldorado (filiada do SBT em Marabá), o parlamentar - que vinha defendendo a não divisão do Pará - se manifesta claramente favorável à redivisão territorial do Pará e a criação do Estado de Carajás.

Jordy foi chamado de camaleônico pelo blogueiro Hisroshi. Leia.

Clique e assista ao vídeo:

Jatene afasta delegada que investigaria a omissão de socorro do estado na morte dos gêmeos

Às 10 horas, a CPI do Tráfico Humano concede entrevista coletiva na Câmara Municipal de Bragança e instala os trabalhos itinerantes da CPI. Muitos depoimentos envolvendo exploração sexual e tráfico de mulheres, a partir de Bragança. Já passei por Castanhal, Santa Maria, daqui a pouco Capanema e depois Bragança, que fica a 210 km de Belém. Vou tuitando pelo caminho.

  • Perpétua afastada -  A delegada Maria do Perpéuto Socorro, mais conhecida como Perpétua, foi afastada ontem à noite da investigação policial que mostrará a flagrante omissão de socorro à mãe e aos bebês mortos na porta da maternidade. 
  • Como boa profissional que é, Perpétua seria rigorosa na investigação e daria o resultado correto, doesse a quem doesse. Talvez por essa razão tenha sido afastada, pela seriedade de seus atos. Ou talvez por ser filiada ao PC do B, o que já lhe motivou perseguições políticas na época da eleição, ela que no ano passado foi candidata pelo PC do B a uma vaga na Alepa.
  • O sindicato dos delegados, o SINDEL-PA, que está reunido hoje no I Encontro Estadual dos Delegados de Polícia Civil do Pará, vai se posicionar. E deve repudiar a esranhíssima medida de retirar da investigação uma delegada que só tem um defeito: fazer direito o serviço de investigar. A delegada já informou que vai pedir explicações para o afastamento e conte com meu apoio e solidariedade prática para o que precisar.
  • Neste triste fato da morte dos gêmeos de Wanessa e Raimundo, o governo Jatene tomou medidas de marketing: afastou a direção da Santa Casa, afastou a delegada e com isso talvez queira dar por encerrada a responsabilidade do Estado e do governo. Mas não vai conseguir, pois não basta afastar a médica da Santa casa e não resolver o caos em que está mergulhada a saúde pública do Pará.  O MP também vai investigar.
  • Participei de almoço  ontem em Belém com a ministra Maria do Rosário, do lançamento da Comissão da Verdade na OAB-Pa e de parte da III Conferência do Idoso. A ministra solicitou a intervenção do Ministério de Saúde e o ministro Alexandre Padilha.
  • Assista o vídeo que deve ter dado origem ao afastamento de Perpétua do caso.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CPI do Tráfico Humano em Bragança. Bancários em campanha. Parabéns, Cristiano Martins


Amanhã e sexta estarei na bela cidade de Bragança, onde acontecerá mais uma audiência pública da CPI do Tráfico Humano, desta vez na Câmara Municipal de Bragança. Convido a todos os bragantinos e moradores de municípios próximos que participem da audiência.


Aproveitando,  quero parabenizar o  companheiro José Cristiano Martins Nunes, Prefeito do de São Domingos do Capim, pelo seu aniversário da data de hoje, 24 de agosto. Muitas felicidades, grande abraço e muita energia para continuar construindo dias melhores aos que mais precisam.

Bancários - Nesta quinta, em Belém, a valorosa categoria bancária no Pará lança sua campanha salarial deste ano. Bancários é uma das grandes categorias que entram em campanha neste segundo semestre e na pauta, além do reajuste salarial e recomposição do poder d e compra, lutam por trabalho decente, baixa da taxa de juros, mais segurança e melhores condições de trabalho e atendimento à população. À luta, bancários e contem com nosso mandato! 
Leia mais aqui e aqui.
 

Governo do Estado é responsável pelas mortes dos bebês da Santa Casa

Minha integral solidariedade à família de Raimundo Cícero e Vanessa Castro, casal que perdeu seus bebês por falta de atendimento em dois hospitais públicos, Santa Casa e Gaspar Viana, tendo um dos bebês morrido no carro do Corpo de Bombeiros. Voltarei a este assunto em que o governo do Estado é absolutamente responsável pelas mortes, pela falta de atendimento, pela falta de governo.



Aqui a denúncia feita ontem no Jornal Hoje. E a notícia no G1:


Dois atendimentos médicos foram parar na delegacia. Um dos casos aconteceu em Florianópolis. Uma médica se negou a atender a paciente, as duas acabaram discutindo e tudo foi gravado. A outra confusão foi em Belém, onde uma mulher teve os filhos gêmeos dentro de uma ambulância enquanto procurava vaga nos hospitais da cidade. As crianças morreram sem ser atendidas.
No caso de Belém, a ginecologista de plantão foi presa por omissão de socorro. De acordo com a família, a Santa Casa se recusou a atender Wanessa, grávida de gêmeos. Um funcionário disse que não havia vaga na maternidade. O casal procurou outro hospital na cidade, onde também não conseguiu atendimento. Desesperado, Raimundo Farias, pai das crianças, chamou os bombeiros, que levaram Wanessa de volta à Santa Casa, mas não deu tempo.
Acompanhe o Jornal Hoje também pelo twitter e pelo facebook.
O parto foi improvisado dentro da ambulância e os bebês não resistiram. As crianças morreram antes de chegar ao hospital. A jovem só conseguiu ser atendida na Santa Casa depois de ter os bebês. Foram os bombeiros, que acompanharam todo o drama da família, que deram voz de prisão à ginecologista de plantão.
A Santa Casa informou que a UTI de prematuros está superlotada, com 123 bebês internados, 16 acima da capacidade e por isso, desde sexta-feia (19), o hospital não recebe grávidas que ainda não completaram nove meses de gestação.
Situações como a falta de leitos e de médicos também são comunso no resto do país, o que agrava a crise na saúde. Em muitos casos, os pacientes não conseguem atendimentos simples e o transtorno acabe sendo ainda maior quando o descaso no atendimento vai parar na delegacia.
Em Florianópolis, uma médica se recusou a atender uma paciente e as duas acabaram brigando. Um telespectador do Jornal Hoje enviou imagens gravadas pelo celular mostrando a confusão, que aconteceu em um posto de saúde da cidade.
A paciente, uma cozinheira, cobrou atendimento, afirmando que não havia passado por triagem e que estava há mais de três horas esperando por consulta. A médica diz que foi ofendida pela paciente. Ela explicou que ficou alterada, porque a paciente não teve paciência de esperar a vez de ser atendida. A paciente registrou um boletim de ocorrência contra a médica.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

CPI do Tráfico Humano: audiência itinerante começa em Bragança, quinta 25





Como já  informos no Blog a CPI realizará audiências pública nos municípios de Bragança, Marabá e Portel.

Confira a agenda da CPI do Tráfico Humano:

Em Bragança: 25 e 26 de Agosto 2011
Local: na Câmara Municipal de Bragança.

Em Marabá:15, 16 e 17 de Setembro 2011
Local: Câmara Municipal de Marabá

Em Portel: 29 e 30 de Setembro 2011
Local: Câmara Municipal de Portel

É importante, que toda a população dos municípios participe deste debate e das audiência públicas da CPI, denunciando e informando. Este é um tema que interessa a toda a sociedade, pois precisamos acabar com o tráfico humano. 

Insegurança pública. Roubos a bancos e 45 assassinatos nas últimas 72 horas. E aí, governador?



Gravíssimo esse dado de 45 assassinatos nas últimas 72 horas. Gravíssimo, porque demonstra o quanto a sociedade paraense vive sem nenhuma segurança.

Em 72 horas mais de 45 homicídios dolosos foram registrados, e é só uma parte, já que muito homicídios ocorrem sem o devido registro. Nesse mesmo período, ocorreram ainda 3 roubos a Bancos, sendo 1 no Banpará de Garrafão do Norte, com sequestro do gerente e seus familiares, e outros dois roubos a bancos de Altamira, sendo um na Caixa Econômica, também com sequestro do Gerente e o outro ao Banco do Brasil.

Confira o índice recente de assassinatos e indague comigo: e aí, governador, quando vai ser cumprida a promessa de campanha de que a população teria segurança?

1- Robson Oliveira Souza/Acará

2- Maykon Henrique Pantoja Barros/Belém

3- Alan Felipe Pinheiro Dias/Belém

4- Aílton Batista da Silva/Marabá

5- Wilton Silva Dos Santos/Belém

6- João Souza Costa/Jacundá

7- Cicera da Costa/Marabá

8- Tarcísio Moraes Moreira/Belém

9- Jadelson Rodrigues Veloso/Ananindeua

10- Adolescente P.C/Belém

11- Davis Araújo Pio Cardoso/Marabá

12- Emerson Da Costa leite/Belém

13- Carolina de Souza Benjamim/Belém

14- Alessandra Lopes Coelho/Santa Izabel do Pará

15- Cicero Batista de Santana/Belém

16- Arenilton de Souza/Garrafão do Norte

17- Danilo Rodrigues dos Santos/Garrafão do Norte

18- Alessandro Lopes Coelho/Santa Luzia do Pará

19- Raimundo/Santa Izabel do Pará

20- Francisco Bernardo da Silva/Santarém

21- Adolescente J.S/Belém

22- Fransueide de Araújo Silva/Marituba

23- Raimundo Araújo/Belém

24- Whelyton de Jesus/Belém

25- Pedro Batista da Costa/Moju

26- Carlos Cristóvão Lima Sena/Belém

27- Anderson da Silva Brito/Marituba

28- Edson Wagner Nascimento/Marituba

29- Elielson Reis Das Merces/Ananindeua

30- Jacó Da silva Rocha/Belém

31- Wilson Carlos Lopes/Ananindeua

32- Edson Costa Do Nascimento/Marituba

33- Luis Adelsolino Pinheiro/Barcarena

34- Robson Cristino Monteiro/Belém

35- José Siqueira Saraiva/Capitão Poço

36- Moisaniel da cruz Pinheiro/Capitão Poço

37- Jonas Gomes Freitas/Nova esperança Do Piriá

38- Paulo Gomes Freitas/Nova esperança do Piriá

39- João Silva/Salvaterra

40- Manoel Ferreira Santiago/ Trairão

41- Gilmarques batista Honório/Trairão

42- Rosemiro Da Luz farias Filho/Santarém

43- José Henrique Santos Pureza/Belém

44- Gerson Lúcio dos Santos Melo/Ananindeua

45- Deuzenir Vieira Da Silva/Parauapebas

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Pará por inteiro- TSE bate martelo e divulga regras do plebiscito

O Tribunal Superior Eleitoral definiu as regras do plebiscito que dirá se o Pará será ou não dividido. Já manifestei a minha opinião que o Pará deve permanecer uno, íntegro. Logo, sou totalmente contrário à divisão.

Pontos definidos pelo plenário do TSE:

  • A data será 11 de dezembro;
  • Votará no plebiscito apenas a população do Pará e não todo o país;
  • Estabelecido o limite de gastos para cada frente – R$ 10 milhões. O ministro Arnaldo Versiani informou que esse é um valor coerente, por exemplo, com o custo de uma campanha para governador no Estado do Pará, que fica geralmente entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões;
  • Ampliação do horário das inserções das frentes de 8h às 24h para o período de 7h a 1h da manhã seguinte, respeitado o horário de Brasília;
  •  Rodízio entre os plebiscitos para a propaganda gratuita – um dia para as frentes pró e contra a criação de Tapajós, e outro dia para as frentes pró e contra a criação de Carajás. A propaganda gratuita referente ao plebiscito durará 20 dias, de 11 de novembro a 7 de dezembro;
  • A propaganda gratuita será veiculada às segundas, terças, quartas e sextas-feiras e sábados. Aos domingos não terá, e às quintas serão veiculadas as propagandas político-partidárias normalmente agendadas desde dezembro de 2010;
  • Qualquer eleitor com domicílio eleitoral no Estado do Pará poderá integrar uma das frente.
Leia mais aqui.


Ontem, em Belém, houve a primeira grande marcha contra a divisão do Pará e participaram 3 mil pessoas.

CPI Tráfico Humano acompanha ações da CPI do Senado. E o desafio ao PSDB


Final de semana muito proveitoso Primeiro, abonei fichas de filiação de novos filiados do PT em São Miguel do Guamá e é sempre importante construir o fortalecimento e ampliação do nosso Partido em todos os municípios, em todos os setores. Em seguida, fui a um almoço do Círio de Tracuateua, Círio que contou com a participação de 3 mil fiéis.

Hoje, a CPI do Tráfico Humano da Assembleia Legislativa (Alepa) acompanha a programação da CPI do Tráfico Humano do Senado. Às 10, participarei das oitivas reservadas da CPI no Hotel Regente, em Belém e às 14 h, da audiência pública no TRT - Tribunal regional do Trabalho/PA.

Uma boa semana de trabalho a todos e todas e fica aqui meu desafio do dia, já adiantado no meu twitter:

Classificados: procura-se Duboc e assinaturas para CPI da Corrupção na ALEPA. Contatos: PSDB

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Carta Capital - Dilma e o presente (primeira parte da entrevista). Imperdível


Na próxima semana, estará nas bancas e nas mãos dos assinantes a  Carta Capital 660 (a da capa verde). Na semana que está encerrando, foi publicada a primeira parte de  uma excelente entrevista exclusiva que a nossa presidenta Dilma concedeu à Carta Capital nº 659. Recomendo a leitura, enquanto aguardo a segunda parte da entrevista. É muito bor ter Dilma como presidenta de todos os brasileiros e brasileiras.

Dilma e o presente

A presidenta fala sobre a troca na Defesa, as denúncias de corrupção e a crise econômica mundial

Por: A Luiz Gonzaga Belluzzo, Mino Carta e Sergio Lirio

A entrevista com a presidenta será publicada em duas partes. A próxima sairá na edição especial 660, que chega às bancas em São Paulo na sexta-feira 19.

CC: Aquela simpatia inicial da mídia em relação à senhora parece ter passado. Há as denúncias de corrupção, que precisam ser investigadas, mas há também essa tentativa de criar uma tensão do nada, como no caso da nomeação de Celso Amorim para a Defesa.

Presidenta: O que acho complicado no Brasil é que os problemas reais perdem espaço para os acessórios, ou para os que não são reais. Isso é muito ruim, porque há uma tendência de as pessoas se importarem mais com o espetáculo do que com a realidade cotidiana das coisas. É normal, talvez por isso, inclusive, que todos gostemos de folhetins. Não posso ficar reclamando. Agora, essa relação com a mídia, não sei se ela não é assim em todos os governos, desconfio que…

CC: Em todos os governos do Brasil ou do mundo?

Presidenta: Do mundo. Você tem uma relação contraditória com a mídia. Veja o que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, entre a Fox e o Obama. E há essa coisa horrorosa que é o New of the World na Inglaterra. Não acho que eu seja tratada da mesma forma por todos os jornais. Têm grupos de mídia mais suscetíveis a encarar as transformações pelas quais o Brasil passa e têm outros menos suscetíveis. Não acho que o governo deva se pautar por isso, pela mídia. Isso não significa não dar importância. Dou importância e tenho obrigação de responder e levar em considerações as demandas. Agora, não vou gastar nisso todo o meu tempo, que é político. Tenho de gastar meu tempo tratando dos assuntos que resolvem problemas do País.


CC: Mas, nas últimas semanas, a começar pela crise nos Transportes até a mais recente na Agricultura, o seu governo parece apenas reagir a uma série de denúncias de corrupção publicada pela mídia.

Presidenta: Afastamos as pessoas quando achamos que o caso era grave. Não acho que somos pautados pela mídia em nenhum desses casos. Nem na história dos Transportes, nem da Agricultura ou de qualquer outro caso que por ventura ocorra, não temos o princípio de ficar julgando as pessoas, fazendo com que elas provem que não são culpadas. Somos a favor daquele princípio da Revolução Francesa, muito civilizado, que cabe a quem acusa provar a culpa de quem é acusado. Mas não acho que o governo deva abraçar processos de corrupção. Por razões éticas, mas também por conta de outro fator: um governo que se deixa capturar pela corrupção é totalmente ineficiente. É inadmissível diante de tão pouco dinheiro que temos para fazer as coisas. Então, por uma questão não só ética e moral, mas de eficiência, você é obrigado a tomar providência.

CC: Falamos da nomeação de Celso Amorim. Essa história de que as casernas estão irritadas com a nomeação dele…

Presidenta: É relevante?

CC: É relevante?

Presidenta: Não acho. Primeiro, porque não estamos mais na época das vivandeiras. As Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais. Estão subordinadas ao Poder Civil e é assim pelo fato de a sociedade brasileira ter evoluído nessa direção. Não é uma conquista do governo ou da mídia, é da sociedade brasileira. Agora, se há setores, absolutamente minoritários, entre os militares ou na mídia que assim pensam, é irrelevante, faz parte do passado, de uma visão atrasada da História. Outra coisa muito grave, aquém da realidade, é achar alguém insubstituível. As pessoas têm de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis, a gente descobre isso quando criança, principalmente se você perde algum parente importante, como o pai ou a mãe, cedo. Além disso, nem na época da monarquia o rei era insubstituível, havia aquela história dos dois corpos do rei, o divino e o humano. O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é o senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma capacidade de gestão, vai levar à frente a nossa Política Nacional de Defesa e vai fortalecer e modernizar as Forças Armadas. Vamos discutir daqui a um ano. Tem gente que olha para o passado. Eu olho para o futuro.

CC: A senhora já refletiu, fez alguma interpretação, sobre o comportamento do ex-ministro Nelson Jobim?

Presidenta: Ah, não faço nenhuma interpretação. É uma página virada, não temos de ficar discutindo. Isso pode até ser interessante para a mídia, mas para o governo não é.

CC: Acompanhei as suas declarações recentes sobre a crise. A senhora disse que o Brasil está mais preparado do que em 2008. É isso?

Presidenta: Você me ouve e eu te leio, viu Belluzzo (risos). Vivemos um momento que ninguém da nossa geração imaginou viver. Jamais pensei na minha vida que eu veria uma agência de classificação de risco rebaixar a nota dos títulos dos Estados Unidos. Fiquei perplexa. De uma certa forma, tirando um aspecto um tanto irônico da situação, não acho que essa agência (Standard & Poor’s) seja muito responsável ou tenha tomado uma decisão fundamentada. Não houve nenhuma grande alteração, a não ser política, que justificasse. De qualquer forma, isso indica muito o momento que o mundo vive, no qual há duas coisas incontestáveis.

CC: Quais?

Presidenta: Temos uma crise profunda, que, como todos sabem, não foi produzida pelos governos. Deve-se a uma crise do mercado financeiro, da sua desregulamentação, com aquiescência, aí sim, do poder público. Ontem, por acaso, estava com dificuldade de dormir e voltei a assistir ao documentário Inside Job, um filme que todo mundo deveria assistir. É impressionante como, por meio dos depoimentos, o absoluto descontrole fica patente. E em vez de tomarem medidas cabíveis para retomar as condições de crescimento, encheram os bancos de dinheiro outra vez, mantiveram a desregulamentação, continuaram com o processo de descontrole e agora a crise se exprime de forma muito forte na Europa. Há duas utopias apresentadas como possíveis. Há aquela americana, a solução dos republicanos, que acham ser possível sair de uma das maiores crises, gerada não pelo descontrole dos gastos públicos, diminuindo o papel do Estado. Nesse debate há a tentativa dos republicanos de reduzir a nada o Estado. Não se recupera uma economia desse jeito.

CC: E a outra?

Presidenta: Tem uma segunda utopia vendida lá na Europa. É a seguinte: é possível a gente ter uma união monetária em que a economia central, ou as economias centrais, se beneficiam de uma única moeda, estruturam um mercado, vendem os seus produtos para esse mercado e não têm a menor responsabilidade fiscal, punindo seus integrantes quando eles entram em crise, também provocada pelo nível de empréstimo dos bancos privados. Há um sujeito oculto engraçado, um Estado supranacional com uma política fiscal comum para socorrer os integrantes e não deixar, por exemplo, que a Grécia não tenha outra saída a não ser matar seus velhinhos, atirá-los do penhasco, que era o que acontecia antes, ou acabar em uma redução brutal dos salários e das pensões. Agora, com a Itália e a Espanha, o problema ficou mais complexo, entra em questão a União Europeia. Parece, lendo os jornais europeus, que as ofertas de socorro são poucas e chegaram tarde. São duas utopias muito graves, porque, como disse o Belluzzo, é mais do mesmo e uma tentativa de responder à crise com aquilo que a causou. Em vez de mudar o roteiro da pauta, responde-se com o que a causou. Agora, o Brasil tem de reagir a essa situação.

CC: Como?

Presidenta: Todas as situações são inusitadas, não são aquilo que ocorreu no passado. O momento agora não é igual ao de 2008 e 2009. Temos um problema sério, porque os EUA podem ir para o quantitative easing3 (emissão de dólares) e aí eles vão inundar nosso País. Não tem para onde ir e então eles virão para os mercados existentes, ou seja, nós. Como disse a ministra da Indústria da Argentina, virão para um mercado apetecible. Somos apetecibles, acho que o espanhol tem essa capacidade sonora de às vezes mostrar quão apetecibles somos. Começamos a tentar uma política bastante clara no sentido de conter esses avanços quando o governo colocou aquela tributação sobre os derivativos, porque sabemos que o efeito disso é a entrada aqui, ela se dá por essa arbitragem dos juros.
 

CC: Mas o que se pode fazer? Começar a baixar os juros?

Presidenta: Não vou te dizer qual é a nossa receita, porque, se fizer essa antecipação, cometerei um equívoco político e econômico. Vamos, o governo, olhar a partir de agora de uma forma diferente essa situação que vem pela frente, porque é algo distinto. Não estamos mais na mesma situação de antes, nem sabemos direito o que vem, mas estamos com abertura suficiente para perceber que pode ser exigido de nós um grande esforço para conter isso. De outro lado, percebemos que, além de tudo, há o fato de que a indústria manufatureira no mundo está com uma grande capacidade ociosa, procurando de forma urgente mercados, e que somos esse mercado. Não vamos deixar inundar o Brasil com produtos importados por meio de uma concorrência desleal e muitas vezes perversa. Vamos fazer uma política de conteúdo nacional com inovação, a mesma que aplicamos em relação à Petrobras e que deu origem à encomenda de estaleiros novos produzidos no País. Também vamos olhar o efeito da crise por setor, porque ele é assimétrico. Alguns são mais prejudicados que outros. Os mais afetados receberão estímulos e proteção específicos. Haverá uma política de defesa comercial, além da continuidade de nossas políticas sociais e de estímulo ao investimento e ao consumo. Hoje (terça-feira 9), por exemplo, ampliamos o Supersimples. Fizemos uma grande isenção tributária que beneficiará um universo muito grande de empresas. Teremos ainda uma política de incentivo à exportação por meio do Reintegra, uma novidade. Nunca tínhamos feito nessa escala. Sabemos que isso é só um início e estamos abertos a todas as outras hipóteses de trabalho, vamos acompanhar de forma pontual. É como se diz no futebol, marcação homem a homem. Aqui também será marcação mulher a mulher e de todos os jeitos possíveis (riso).

CC: Falemos um pouco de Copa de 2014. Por que as coisas não estão andando como deveriam?

Presidenta: Gostaria de entender por que isso.

CC: Por que achamos isso?

Presidenta: Baseados em quê?

CC: As obras estão lentas, outras foram paralisadas…

Presidenta: Quais?

CC: Estádios…

Presidenta: Vivemos em uma democracia. Temos o Judiciário, o Legislativo e o Executivo.

CC: Há outro motivo.

Presidenta: Qual?

CC: A Fifa é uma organização mafiosa e nosso líder futebolístico fica muito bem dentro desse panorama.

Presidenta: Quem é o nosso chefe?

CC: O Ricardo Teixeira.

Presidenta: Do governo ele não é.

CC: Do futebol. Há quem diga que a senhora não o recebe.

Presidenta: Recebo sim, são relações institucionais. Mas voltemos às obras. É preciso fazer uma diferença: as obras essenciais e aquelas que serão legado. No caso dos estádios, essenciais, tomamos uma providência muito clara. Eles disseram que os estádios serão privados. Dentro dessa visão, eles não estariam na matriz de responsabilidade do governo federal. Mas a União, sabendo do seu poder de financiamento, principalmente de longo prazo, escalou o BNDES para financiar dentro dos valores definidos internacionalmente pela Fifa. São até 400 milhões de reais. Na última avaliação, das obras de estádios em andamento, dez estavam com zero de problemas, fora as dificuldades normais inerentes a grandes projetos. Uma licença que atrasa aqui, algo que precisa arrumar ali. Dois não tinham iniciado obras ainda e eram problemáticos. Um por problema na licitação, que foi refeita. O outro, por conta de uma discussão entre o Ministério Público Federal, o TCU e a CGU. E havia o estádio em São Paulo, cuja situação é pública e notória, e por isso eu a cito aqui. Fizemos muita pressão para resolver o impasse de uma vez por todas. O governo estadual decidiu então entrar, assim como a prefeitura. Acreditamos que o estádio em São Paulo será o que vai ficar pronto mais em cima da hora, mas vai ficar pronto antes do começo da Copa. Vamos supor, porém, que haja algum que não fique pronto. Temos 12 sedes e, em qualquer hipótese, seria possível realizar a Copa com bem menos do que isso. Não vejo risco nenhum nesse sentido.

CC: E o resto da infraestrutura? Aeroportos, por exemplo.

Presidenta: No dia dos jogos vai ter feriado e não haverá concorrência com a estrutura logística. Os aeroportos são, ao contrário, essenciais, ainda mais em um país continental. Dos aeroportos com grandes problemas, temos São Paulo e Brasília, os demais têm muito menos problemas. Por isso decidimos fazer concessões privadas em ambos. Estamos perto de bater o martelo na formatação do leilão. O edital sai em dezembro, a contratação em fevereiro ou março. Concederemos 51%, os outros 49% ficam com a Infraero. Antes, explico o que não vamos conceder: o sistema de navegação e o de aproximação, portanto, nenhuma das torres. Nem o sistema público responsável pela gestão dos voos. Vai continuar a ser responsabilidade do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), na sua grande maioria, e da Infraero, em menor proporção. Sobre para o setor privado a exploração comercial, a administração do aeroporto e a ampliação.

CC: Aumentar a capacidade.

Presidenta: Em São Paulo, vamos reforçar Guarulhos, mas o futuro está em Viracopos, pois Cumbica caminha a passos acelerados para o esgotamento de sua capacidade. Ele não tem retroárea suficiente para expandir, a cidade cresceu naquela direção e o custo para desapropriar é elevado, tanto no que se refere a pequenos imóveis unifamiliares quanto a empresas. Já estudamos várias alternativas, inclusive mudar a configuração da pista, mas é inviável. O que podemos expandir? Os terminais de passageiros. Há ainda o que fazer no pátio e na pista. Fizemos agora uma contratação por emergência de um módulo e de um terminal. Serão entregues até dezembro, pois nossa preocupação não é só a Copa. A taxa de uso de avião cresce 20% ao ano no Brasil, um escândalo.

CC: São os puxadinhos.

Presidenta: Puxadinhos, meu filho, foi o que segurou a Copa da África do Sul. Não faremos isso. Vamos segurar até a Copa, mas, quando ela chegar, teremos estrutura. Qual é o problema? Guarulhos sustenta o sistema. A licitação terá de levar em conta esse fato. Vamos ter de criar um fundo que pague parte dessa renda e a distribua. Ela não pode ficar apenas para quem explora o aeroporto. Não é uma licitação trivial, portanto. Em um segundo momento, vamos nos concentrar no Galeão (Rio de Janeiro) e em Confins (Belo Horizonte). O problema dos aeroportos não é da Copa, é algo para depois de amanhã. Asseguro que em 2014 estará tudo prontinho.

CC: E os legados?

Presidenta: Há 50 obras de legado. A Copa não depende delas para funcionar, é algo a deixar para as cidades. Os prefeitos e governadores têm até dezembro deste ano para ao menos iniciar a fase de licitação. Caso contrário, a obra sai do PAC da Copa e vai para o PAC normal. Por quê? Porque, se não licitar até o fim do ano, elas não ficarão prontas em dezembro de 2013. O governo federal pode fazer várias coisas, mas não pode obrigar ninguém a manter um ritmo se não tiver essas condições prévias.

CC: Como a senhora imagina o Brasil em 2014?

Presidenta: Farei tudo que estiver ao meu alcance para que o Brasil, em 2014, tire 16 milhões de cidadãos da miséria. Que a nossa classe média tenha na educação um caminho para manter sua condição e que aqueles que estão um pouquinho acima na pirâmide social desses 16 milhões de miseráveis passem para a classe média. Quero consolidar um Brasil de classe média. Além disso, quero ter transformado, ao menos em parte, a área da saúde. Não podemos ter hospitais em quantidade absurda, mas podem ter uma política de regionalização, como tivemos nos casos das universidades. E aí tem outra solução. Não sei se vocês sabem, mas precisamos ter, no governo, obsessões. E a minha próxima obsessão é o tratamento em casa, o home care, levar o atendimento de um hospital às casas das famílias. Por quê? Por que queremos inventar uma coisa sofisticada? Não, porque é mais barato, é melhor para as pessoas e por poder ser feito em escala maior com um custo fixo muito pequeno e com um custo variável interessante. Isso vai descongestionar o tratamento final nos hospitais e diminuir a quantidade de tempo que as pessoas permanecem ocupando um leito.

CC: A senhora poderia dar mais detalhes?

Presidenta: Ainda não. Estamos fazendo as contas, na ponta do lápis, pois não faremos nada sem convicção. Hoje, a convicção sobre a viabilidade do projeto é de 90%. Vamos dimensionar o tamanho. Por isso falo: coisas só se fazem com obsessão. Começamos pelas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Estamos reequipando, remodelando e modernizando cerca de 40 mil unidades. Temos o mapa da pobreza feito pelo Censo, por grupo e região, e as 3 mil UBS que temos para construir vão para esses locais. O mesmo acontece com a Rede Cegonha. Não vamos conseguir fazer em todos os municípios, mas estamos começando por aqueles com o mais baixo nível de tratamento, de acesso e equipamento de saúde.

CC: Falemos de uma obra bastante criticada. Por que o seu governo insiste no trem-bala?

Presidenta: As mesmas pessoas que hoje criticam o trem-bala diziam, nos anos 80, que o Brasil não deveria fazer metrôs, era coisa de país rico. Deu no que deu. O trem-bala não se justifica naquelas extensões chinesas, de 1,5 mil quilômetros. Na extensão entre Rio e São Paulo é absolutamente justificável. Não se trata apenas de oferecer mais uma alternativa de transporte, mas de produzir uma reconfiguração urbana. É um ponto que ninguém discute. No trajeto entre Rio e São Paulo vai ocorrer uma desconcentração urbana. O cara entra no trem-bala, desce no centro da cidade e vai trabalhar. Se não encontrarmos uma solução para as duas metrópoles, teremos uma banana gigantesca nas mãos. Ficarão inviáveis. Uma vez em Tóquio percebi que as ruas eram estreitas, mas não havia congestionamentos. Quis saber o motivo e me explicaram que o sistema de trens criado depois da Segunda Guerra Mundial tinha mudado a direção urbana das cidades. Nas paradas entre Tóquio e Kyoto criaram-se bairros, áreas de moradia. Pense no percurso entre São Paulo e Rio, entre a serra e o mar. É um dos lugares mais bonitos do País. Não existirá motivo para que as pessoas não queiram morar nesse caminho. Com o trem-bala, alguém que viva a 60, 70, até 100 quilômetros do Rio ou de São Paulo chegará rapidamente aos centros dessas cidades.

CC: A Comissão da Verdade vai sair do papel?

Presidenta: Vai sim, vamos criá-la. Queremos que seja unânime nas bancadas do Congresso. Não há motivo nenhum para o PSDB e o DEM não a aprovarem. Não é algo que pode ser visto partidariamente, é uma dívida que temos.