Que venha o plebiscito e que todos votem

Por Valdir Ganzer, deputado estadual (PT), ontem, no blog dele

O Estado do Pará tem uma longa e sangrenta história de luta pela hegemonia de seu território e de sua gente. O movimento libertário da Cabanagem, promovido por intelectuais, religiosos e principalmente por ribeirinhos, terminou em profunda tragédia esmagada pelas forças governamentais de então.

Essa história deveria ser resgatada agora em toda a sua profundidade para ilustrar e servir de exemplo a algumas autoridades que, olhando somente pra o próprio umbigo, querem retalhar o Estado com o único propósito de amealhar vantagens políticas e ou financeiras.

Já não é de hoje que o Congresso Nacional analisa a divisão do Pará, mas nunca a realização do plebiscito esteve tão próxima de acontecer. A Câmara dos Deputados até já aprovou o esboço dos dois novos estados, Tapajós, com 27 municípios e quase 1,5 milhões de habitantes e Carajás, com 39 municípios e 1,6 milhões de habitantes. As cidades cogitadas para ser as novas capitais, todos sabem, Marabá, no sul e Santarém no oeste.

A perda de território seria de 75% sendo que o estado do Tapajós herdaria 58% da área atual paraense.

Ao Pará caberia uma população muito maior que as duas somadas que chegaria a perto de 5 milhões de habitantes com os maiores municípios em termos populacionais como Belém, Ananindeua, Marituba, Castanhal, Capanema e Bragança dentre outros.

Os ardorosos defensores da divisão argumentam que o Estado é gigantesco, ingovernável, com diferentes realidades e citam exemplos de alguns estados que se dividiram e desenvolveram. Pura balela. Por trás desse discurso “nobre” se escondem intenções funestas.

A grandeza de nosso território é interligada por centenas de rios, de afluentes e pequenos igarapés onde há milhares de anos as embarcações levam e trazem pessoas e as riquezas aqui produzidas. O minério de Carajás é transportado por rodovias e rios que cortam todo o Estado mas é no porto de Barcarena que ele finalmente é embarcado pra o exterior e futuramente teremos o porto de Espadarte, em Curuçá, para dar vazão ao crescente mercado mineral.

Quase todo combustível que a VALE necessita virá do biocombustivel produzido com dendê plantado na região nordeste e com a previsão da PETROBRÁS em perfurar poços de petróleo na costa paraense, brevemente o Para poderá receber muitos recursos de royalties além de ampliar sua exportação de commodities ou até ver implantado uma refinaria de petróleo.

Na Calha Norte, todos os municípios têm acesso à capital através do rio Amazonas e brevemente teremos asfaltadas as rodovias federais Transamazônica e a Cuiabá/Santarém interligando o centro norte através de Marabá pelo sul e Novo Progresso em direção ao Mato Grosso.

Ora, foi preciso o governo Lula e agora a presidente Dilma investirem tanto em infraestrutura como as eclusas de Tucuruí, os linhões de energia firme, o programa Luz para Todos que já atingiu quase todo o Estado, a implantação de projetos de verticalização do minério com a indústria de lâminas de aço, o asfaltamento de dezenas de rodovias importantes em todas as regiões para agora sermos retalhados como porco em matadouro?

Parte da população que vai votar a favor da emancipação de suas regiões sequer parou para avaliar os resultados dessa decisão. Para ilustrar, lembro da velha história de duas meninas que brigavam por uma boneca de pano. Tanto puxaram, tanto fizeram, que findaram arrancando as pernas, os braços e a cabeça da pobre boneca e não tiveram mais com o que brincar.

A população paraense deve ficar atenta e se informar porque o plebiscito, se confirmado, de forma alguma pode ser encarado como uma brincadeira de crianças.

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