Não existe região inviável, mas sim sem projeto

Concordo com o comentário deixado pelo amigo e companheiro Pedro Peloso na postagem "Começou o golpe para dividir o Pará": "Respeito a opinião dos irmãos paraenses que moram em Belém e proximidades. Mas, vocês não acham democrático ouvir a opinião dos também paraenses que residem nas regiões de Carajás e Tapajós?". Acredito que essa deva ser a decisão do STF, de ouvir o conjunto dos paraenses, porque as implicações do plebiscito não dizem respeito apenas aos habitantes das áreas ditas separatistas, pois não podemos concluir que 100% de todos os cidadãos da região do Tapajós e Carajás concordem com isso.

O Tapajós tem uma população de apenas 1,4 milhão de habitantes, Carajás uma população de 1,6 milhão, enquanto o Pará "restante", teria 4,5 milhões de habitantes. Realmente falar que plebiscito exclusivo é um absurdo e estes números soam como um alento aos que, como eu, acreditam na integração regional via desenvolvimento econômico e social, como começamos a fazer com o governo de Ana Júlia, ao invés de separatismo.

Outra questão a ser discutida é que, segundo o Ipea, os estados do Tapajós e de Carajás teriam, respectivamente, um custo de manutenção de R$ 2,2 bilhões e R$ 2,9 bilhões ao ano, advindos do Tesouro Nacional.

É que, diante da arrecadação projetada para os dois estados, os custos resultariam num déficit de R$ 2,16 bilhões. Enquanto o estado gastou 16% de seu PIB (R$ 58,52 bilhões) com a manutenção da máquina pública, para se estruturar o estado do Tapajós gastaria cerca de 51% e o de Carajás, 23%.

Caso cheguem a ser criados, os estados de Carajás e Tapajós serão economicamente inviáveis e dependerão de ajuda federal para arcar com as novas estruturas de administração pública que precisarão ser instaladas, replicando os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em cada um dos novos Estados. E tudo isso, quando a principal demanda separatista por mais investimentos sociais e infra-estrutura! Um completo contra-senso!

Não existe região inviável, existe região sem projeto e esse é o desafio que nosso governo popular começou a enfrentar quando instituiu o Planejamento Territorial Participativo (PTP).

Comentários

Anônimo disse…
Dividir o Pará não resolve. O que resolve é desconcentrar a riqueza. A Vale está esgotando os nossos recursos minerais e a gente não diz nada. O que era previsto para ser extraído em 200 anos, talvez não passe de 50 anos. A terra é concentrada e boa parte das lideranças separatistas, como Giovanni Queiroz e Lira Maia, não querem nem ouvir falar em Reforma Agrária.
Pedro Peloso disse…
Para democratizar o debate sugiro que os leitores do Blog leiam um artigo sobre o assunto, acessando o seguinte endereço:
http://blogdoestado.blogspot.com/2011/05/quanto-custa-criar-um-novo-estado-da.html?spref=fb
blogdoestado.blogspot.com
Anônimo disse…
Pena que o PTP foi desfigurado pela DS, pelos interesses eleitorais de Edilza e Puty.
Anônimo disse…
Grande postagem deputado. Sua atuação sempre qualificada pra organizar a militância, munindo-a com dados vai ser indispensável.
Anônimo disse…
NA MÃO DE SEUS HABITANTES E NA COMPROMISSO DE POLITICOS SÉRIOS COMO VÇ, DEPUTADO, O SEU EMPENHO DE HOJE ERA O QUE QUERIAMOS DO SEU PRIMEIRO MANDATO.