A diferença de projetos entre Agnelli e a Vale

Os jornais anunciam que a Vale lucrou R$ 11,291 bilhões nos três primeiros meses de 2011, crescimento de 12,9% comparado ao quarto trimestre de 2010 e de 292% em relação ao primeiro trimestre do mesmo ano.

Excelente resultado a Vale estar capitalizada para cumprir o novo papel que os acionistas majoritários dos fundos de pensão e do Bradesco querem para a empresa no projeto de desenvolvimento nacional, que favoreça a verticalização da produção, a industrialização e o fortalecimento do capital nacional. Modelo semelhante ao já aplicado à Petrobrás, que joga um papel importantíssimo nos bons resultados que o Brasil teve nos últimos 8 anos.

No anunciar um lucro de R$ 11,2 bilhões no primeiro trimestre de 2011, Roger Agnelli, tentando criticar o ex-presidente Lula e ainda chorando as pitangas da sua substituição, disse que entendia "a posição do ex-presidente Lula de cobrar mais compras no país", porém "nem sempre é possível, dado o custo alto em alguns casos". E completou: "cada um tem uma visão e uma missão. A missão da companhia é gerar os resultados para ela poder gerar capacidade e investimentos. A missão do governo é diferente da de uma empresa. Completamente diferente". Ou seja: Agnelli representava o velho pensamento de que uma empresa do porte da Vale, e com tanto apoio e presença estatal em seus negócios (mas isso é de menos), deve produzir lucro e mais lucro para seus acionistas.

Nós pensamos diferente, acreditamos que uma empresa do tamanho da Vale deve ter uma ação econômica pró-ativa para gerar empregos, renda, superação da condição de exportador de commodities, desenvolvimento social e contribuir com os objetivos econômicos e sociais gerais do país. E assim será, incluisve com o anúncio do marco regulatório da mineração.

Por isso Roger foi dispensado e foi tarde, porque o Pará perdeu muito com essa visão de gestão dele, embora a Vale tenha feito investimentos aqui. É como comparar o lucro da Vale explorando nosso minério (e com essa perspectiva ultra-liberal do seu diretor) com o que deixa de imposto.

Agnelli, ressentido, atira para todos os lados

Só lamento que Roger não tenha a dignidade de assumir que saiu porque tem um projeto - legítimo de ser defendido por ele, claro - diferente do que deseja a maioria dos controladores da Vale e queira criar factóides para tirar esse verdadeiro motivo de foco.

Em carta endereçada à presidenta Dilma , publicada na edição desta semana da revista Época, Roger acusou o prefeito petista de Parauapebas, Darci Lermen, de ter recebido R$ 700 milhões, a título de royalties, como prefeito, claro, e e ter desviado recursos.

O Diário do Pará, hoje, infelizmente joga lenha na fofoca dizendo que Agnelli joga Darci "no olho do furacão da intricada e ainda misteriosa história que resultou na queda de um dos executivos mais poderosos do país". Não tem nem mistério - como já vismos - e muito menos olho de furacão, tanto que a grande conclusão da "reportagem" é a Época afirmando que "há suspeitas de que dinheiro pago pela mineradora, que entrou no caixa da prefeitura e que deveria ser aplicado na melhoria das condições de vida da população, aparentemente foi parar em lugar impróprio”. Ora "há suspeitas" e "aparentemente" baseado no quê? Na mágoa do Roger?

Os novos executivos e empresários do Brasil estão aprendendo a pensar no país para além de seus egos, mas ele não. Continua preso ao pré-2002.

Comentários

Anônimo disse…
É isso que os tucanalhas fingem que não entendem, que o Agnelli caiu porque o conselho da Vale não o queria mais, não concordava mais com os rumos que ele imprimia à empresa. Quem se mete na iniciativa privada então, o governo ou a mídia?