"Destino do Pará nas mãos de seus habitantes"

Vale a pena ler a entrevista com o presidente de honra do PT paraense, companheiro Paulo Rocha, concedida ao blog do ex-ministro Zé Dirceu, neste fim de semana, sobre a divisão do estado do Pará:

"Os habitantes do Pará terão uma responsabilidade grande até o fim do ano: decidir, por meio de um plebiscito, se o Estado será ou não desmembrado em outros dois - Carajás (Sul e Sudeste paraenses) e Tapajós (Oeste). A consulta popular foi aprovada na Câmara - a relativa a Carajás, a se realizar dentro de seis meses. O de Tapajós tem de ser aprovado pelo Senado. Para compreendermos melhor este processo, os prós e contras, conversamos com ex-deputado Paulo Rocha (PT-PA).

[Zé Dirceu] Paulo, qual sua avaliação sobre a criação de dois novos Estados - Carajás e Tapajós - a partir da divisão do Pará?

[ Paulo Rocha ] O debate precisa ser melhor qualificado e levar em conta a geopolítica do país como um todo, a partir de uma divisão territorial nacional, e não de um Estado. Realmente há regiões do Pará e do Amazonas, Estados muito grandes, onde a maioria da população defende dividir para alavancar o desenvolvimento e possibilitar uma melhor gestão do poder público. Na minha visão, esse processo deve considerar o projeto de desenvolvimento nacional.

Fora do Pará o sentimento é contrário à divisão. No interior do Estado e nessas regiões, o desejo é o de separação mesmo, devida à sensação de abandono tanto por parte do poder central quanto da capital. Além disso, há uma questão de identidade cultural. Em Carajás (Sul do Pará), por exemplo, residem muitos goianos, mineiros, maranhenses. Apenas 15% a 20% da população é paraense. Então, várias razões motivam a emancipação.

[Zé Dirceu]Quais os prós e os contras dessa criação?

[ Paulo Rocha ] Muitos acreditam que desmembrar o Estado em três- Pará, Carajás e Tapajós - será positivo em termos de desenvolvimento e gestão. Hoje, nos futuros Estados, os 7 milhões e 300 mil habitantes do Para, se distruibuem da seguinte forma: 4,6 milhões no Pará; 1,6 milhão no Carajás; e 1,3 milhão em Tapajós.

Na minha visão, deveríamos dividir em duas regiões - Pará e Tapajós - e não em três. Pela geografia, como o Tapajós é o mais distante e não conta com uma estrutura, a separação se justifica. Poderia, inclusive, constituir-se de territórios tanto do Pará quanto do Amazonas. Há regiões afins em termos geográficos nos dois Estados. Já Carajás concentra a maior riqueza do Pará. Daí, a reação contrária da população de Belém e do Nordeste diante desta divisão.

[Zé Dirceu]Já tentaram dividir o Pará, mas nunca pela forma de plebiscito.

[ Paulo Rocha ] A tentativa de emancipar a região de Tapajós remonta ao século passado. A solução por meio do plebiscito é legítima. Vamos consultar a população, claro. A consulta popular sobre Carajás foi aprovada ontem na Câmara e no Senado. Já, sobre Tapajós, a proposta de plebiscito passou na Câmara e agora será votada no Senado.

O argumento mais forte em prol da divisão são as experiências dos demais Estados brasileiros que passaram pelo processo sem que ninguém perdesse com a medida. Por isso, insisto em um debate mais qualificado que considere a geopolítica da região".

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