Sobre Belo Monte, estou com o governo brasileiro

A OEA cobrou a suspensão do processo de licenciamento e deu prazo de 15 dias para que o governo brasileiro adote medidas em defesa da proteção dos povos indígenas da região. Não posso deixar de concordar, como petista, brasileiro e amazônida, com a reação oficial do Brasil, que classificou como ‘precipitadas e injustificáveis’ as determinações da CIDH/OEA. Também assino embaixo da declaração da nossa ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que afirmou ser manifestação da OEA uma “agilização desmedida” sobre o caso.

Ela, inclusive, fez questão de reiterar que o governo tem ouvido as comunidades indígenas e pretende continuar ouvindo, pois "esse processo ainda está em andamento".

Se o Brasil deixar de produzir isso para começar a utilizar termelétrica a óleo diesel será um movimento insano contra toda a luta que nós estamos fazendo no mundo pela questão climática. Como lembrou a presidenta Dilma numa declaração recente sobre a exploração da camada petrolífera do pré-sal, nosso país quer ter sua matriz enérgica limpa e não baseada em combustíveis extremamente poluentes, pois o modelo econômico que buscamos para crescer e nos desenvolvermos é diferente do da Europa, EUA, Japão, que rimaram prosperidade com destruição do meio ambiente. O mais engraçado é que os ambientalistas que tanto bradam contra o monóxido de carbono e a energia nuclear também querem impedir que usemos nosso enorme potencial hídrico para gerar o crescimento que precisamos e impedir calamidades como o Apagão dos anos FHC.

Do ponto de vista financeiro, inclusive, Belo Montevai custar R$ 78,00 o megawatt/hora, enquanto uma usina eólica custa R$ 150,00 o megawatt/hora; e uma usina a gás, mais ou menos R$ 200,00 o megawatt/hora. Portanto, a energia hídrica ainda é a mais barata

Hoje, além do diálogo com a comunidade envolvida no projeto, com as instituições e a soceidade civil, justamente por esta orientação de abrir o Estado à participação popular, houve uma redução de 60% na área ocupada pelo reservatório da usina. O lago previsto hoje é 40% daquilo que era previsto anteriormente

Sem contar que há um estudo que embasa a obra dizendo que a construção de Belo Monte permitirá a expansão de uma hidrovia no Xingu, já que o lago da usina possibilitaria o desvio de um trecho de cerca de 100 km de rio com leito rochoso, atualmente um obstáculo à navegação, barateando o transporte humano, a escoação da nossa produção, gerando mais empregos, oportunidades, acesso aos bens culturais e o aproveitamente dessas verdadeiras "rodovias fluiviais" que a Amazônia e o Brasil como um todo dispõe, mas tem como herança um modelo baseado no petróleo: de pneus, asfalto, gasolina/diesel. Um completo contrasenso com o nosso potencial.

Espero que mudemos o rumo desta prosa e possamos tirar do papel um sonho de 30 anos, em conforme - como não poderia deixar de ser - com as justas reivindicações das populações e com o meio ambiente.

Comentários

Anônimo disse…
foram realizadas mais de 30 reuniões no interior das aldeias. Reuniões documentadas em áudio e vídeo, com a presença de intérpretes, como solicita a CIDH. Além disso, foram realizadas 4 audiências públicas nas cidades de Brasil Novo, Vitória do Xingu, Altamira e Belém, todas no Pará. E em fevereiro deste ano, lideranças indígenas da região de Belo Monte participaram do seminário em Brasília sobre as etapas do projeto
Anônimo disse…
Sr. Deputado, peça ao companheiro marcelinho informações sobre o fucionamento do Sistema interamericano de direitos humanos e se pergunte se a reação do governo brasileiro realmente foi correta?
Novamente a amazonia em foco dissociada do elemento primordial que é o amazonico.
Não dá pra defender belo monte e dissociar toda uma conjuntura de direitos humanos historicamente violados em todos os grandes projetos de "desenvolvimento" empurrados "goela abaixo" para as comunidades mais afetadas.
Como bem falou Marcelinho, o capital vem primeiro e a revelia do Estado.
No caso, o discurso oficial do governo é falacioso, pois finge que está tudo bem e que cumpriu com seus papel de intermediar as relações com as comunidades - escutando-as????
Pura arrogância de um governo, que se diz democrático e popular, mais fortalece cada vez mais o capital, a exemplo de nossa ilustre Ministra dos Direitos Humanos que aceitou verbas de campanha de uma poderosa fábrica de armas.
Não, vcs do PT não tem moral nenhuma quando falam em defender direitos humanos e defendem a construção de belo Monte.