Lutar por uma nova Vale

Liderados pelo fundo de pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), os acionistas controladores da Vale, com acordo do governo - legítimo e legal, indicaram um substituto para Roger Agnelli: Murilo Pinto de Oliveira Ferreira, 58, ex-diretor da mineradora e formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas.

Hoje, a correlação de forças na empresa é assim: Previ (a maior acionista, com 49% do capital), Bradesco (21,21%), a trading japonesa Mitsui (18,24%) e BNDESpar (11,51%). Um saldo de 60,5% das ações na área de influência do governo e a mudança, segundo apontam os sinais, visa dar consonância entre a ação de uma empresa que hoje, na prática, é de capital misto, com a orientação desenvolvimentista e distributivista do nosso governo. Podemos e devemos fazer a Vale cumprir um papel essencial para o desenvolvimento econômico e social do Brasil nos moldes da Petrobrás. Não existe nenhuma motivo para a Vale se comportar filosoficamente nos termos em que o fez durante a crise de 2008, quando anunciou cortes e mais cortes na folha de pessoal, como se fosse uma empresa que nada devesse ao país e à sociedade brasileira, apesar do seu tamanho, importância e apoio governamental que possui, num momento em que o presidente Lula anunciava políticas anti-cíclicas para salvar postos de trabalho.

Um exemplo claro dessa contradição é que Agnelli insistia na estratégia de focar investimentos no exterior e em minério de ferro, e não siderurgia, como queria o setor ligado ao governo. Ora, mandava às favas toda a demanda de verticalização da produção e industrialização que está na base da atividade empreendedora da Vale por uma visão de lucro pelo lucro. Uma visão neoliberal que tinha como âmago o investidor e não o país como um todo.

Por isso, a grande imprensa tucana e a oposição chiam, porque queriam a Vale de costas ao interesse nacional, servindo aos consórcios privados que compraram-na nos anos de FHC, numa jogada de mão dupla que todos conhecem ou escutaram falar. Mas, o que está em jogo é o modelo de desenvolvimento que cada um defende e o do PT e de seus aliados é sim o da intervenção política democrática na economia para produzir justiça social e não a selva de que a iniciativa privada faz o que bem entende e a sociedade paga o preço das escolhas dos grandes capitalistas.

Agora vamos esperar, torcer e lutar para essa mudança trazer pelo menos parte dos benefícios que o Pará almeja há tantos anos. Todos já estão carecas de saber que a proporção do que a Vale "leva" e o que ela "deixa" de ICMS está longe de ser das mais justas e nisso residiu o crime da privatização da empresa. Com as riquezas de nosso subsolo poderíamos fazer uma verdadeira revolução industrial com tucupí. E é nesse sentido que queremos atuar para ajudar a nova Vale a nos proporcionar.

Temos, mais do que nunca, qaue aproveitar essa "janela" para reunir empresários, movimentos sociais, políticos, intelectuais, a juventude, a imprensa e o povo em geral para conquistar esse objetivo.

Comentários

Anônimo disse…
FHC entrega controle da maior empresa privada do país p um sócio minoritário (como fez com DD) e a intervenção é da Dilma? Desenhem por favor psdbistas
Anônimo disse…
O medo do novo CEO abrir a caixa preta da verba de publicidade da Vale explica as caras tristes dos jornalistas no Bom Dia, Brasil de hoje.
Anônimo disse…
Em três meses apenas, Dilma Rousseff fez o que Lula passou anos querendo fazer.
Retomar – não a propriedade, que Fernando Henrique entregou na bacia das almas – mas o papel da Vale como indutora do desenvolvimento brasileiro.
Anônimo disse…
É o fim do democano Roger Agnelli, o homem que queria vender cada vez mais rápido maiores quantidades de minério, não pensava em investir no seu beneficiamento e transformação em aço e, ainda por cima, não tinha uma política de compras interna, como demonstrou na compra de 12 navios gigantes cada um deles maior que o morro Pão de Açúcar na China, sem um parafuso feito aqui.
Anônimo disse…
Se trata de um profissional de mercado, experiente e capaz. Mas dirigir uma empresa como a Vale requer mais que simples competência técnica. Exige visão estratégica da empresa e do país. E capacidade política de perseguir estes objetivos.
Anônimo disse…
deputado vi seus tuites. Com ou sem lei kandir essa é a realidade: "O minério vai se embora, ser transformado em aço na China e no Japão, e nós herdamos os buracos da mineração e a pobreza de nosso povo!"
A política tem que ser de industrialização. O resto é como a United Fruits pagasse royalties pra Cuba para exportar cana de açúcar...Ou as multis pagassem ICMS do pré-sal e pronto: podiam epxlorar a vontade. Tu ta falando besteira, repetindo o que a direita diz. Programa recuado.