Aliança essencial entre Estado e empresariado

Por José Dirceu, publicado em 15 de abril de 2011, no blog dele

O levantamento da consultoria Economática que classifica a Petrobras e a Vale como duas das empresas de capital aberto mais lucrativas das Américas em 2010 (leiam post abaixo) evidencia que as duas companhias constituem um bom exemplo para as demais empresas brasileiras.

Se queremos nos transformar na 5ª economia do mundo a curto prazo, precisamos ter empresas multinacionais e reestruturar nosso parque industrial, não apenas agregando-lhe valor mas, também, nos concentrando nos ramos e setores em que somos e podemos ser competitivos.

Para o Brasil ocupar seu lugar no mundo, um posto a que tem direito pela sua dimensão geográfica, populacional e econômica, e ocupar seu lugar político já, como fez nossa presidenta Dilma Rousseff na reunião dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na China, temos que exportar fábricas para outros países - seja da América do Sul, seja para a China - e cada vez mais capitais, tecnologia e serviços.

O Brasil tem que agir por conta própria, de acordo com nossos interesses, identificando nossos parceiros no mundo e nos unindo a eles para impulsionar as reformas no sistema de poder e econômico mundial, já que a Europa e os Estados Unidos não querem e não farão isto por moto próprio.

Cabe, assim, aos países emergentes - como os componentes do BRICS - buscar aliados e conformar uma aliança entre nações e governos dispostos a reformar não apenas a ONU e seu Conselho de Segurança mas, também, o sistema de poder mundial, ai incluídos o FMI e seu homólogo, o Banco Mundial (BIRD), além da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para ocupar o lugar a que tem direito e desempenhar um papel preponderante no mundo de hoje (leia post acima), o Brasil não pode abrir mão da aliança entre o Estado e o empresariado.

Tampouco, pode prescindir da combinação do papel do financiamento público e do privado, uma aliança que se sustenta na premissa de um desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda, que leve a consolidação de um Estado de Bem Estar Social entre nós.

Para tanto, o Brasil precisa partir para a socialização da educação, inovação, saúde pública e acesso a cultura e ao lazer, ponto essencial numa sociedade democrática e plural. O Brasil tem de se mostrar cada vez mais uma nação capaz de se defender e de fazer valer no mundo de hoje seus interesses.

A pesquisa que situa a Petrobras e a Vale como 2 das empresas mais lucrativas das Américas, no ano passado, foi feita pela consultoria Economática em cima dos balanços de 2.107 companhias latino-americanas e dos EUA.

O resultado mostra a Exxon Mobil e a Petrobras como as empresas de capital aberto mais lucrativas das Américas em 2010 - a 1ª com lucro de US$ 30,46 bi e a nossa estatal com US$ 21, 12 bi no ano. São seguidas pela Microsoft, com lucro acumulado de US$ 20,56 bi. No ranking das 20 mais lucrativas das Américas, há 2 brasileiras, a Petrobras em 2º lugar e a Vale em 6º - esta com lucro de US$ 18,04 bi.

As outras 18 são norte-americanas. Já entre as mais rentáveis, o levantamento relaciona IBM, Microsoft, Coca-Cola e Apple, com rentabilidades que variam entre 65% e 37%. Neste ranking, a Vale está em 5º lugar com rentabilidade de 29% e a Petrobras em 15º com 15,1%.

Comentários

Anônimo disse…
A vale operando como a petrobrás tá linha justa. O governo é bom mesmo nessa história de joint ventures pra crescer.
Anônimo disse…
Vão manter a Vale privatizada então? E a Petrobrás os leilões do petróleo? E a aliança antiga com os movimentos sociais?Agora são os empresários? Que coisa mais promíscua.
Anônimo disse…
O Zé Dirceu entende muito de desenvolvimento do brasil, uma pena ser perseguido e tá na situação de cassado.