Há muito se fazer para mudar um passado que resiste

Apesar dos avanços, na renda, nos empregos conquistados, na conquista da chefia da família, até na escolaridade das mais pobres, resultados da pesquisa Mulheres brasileiras nos espaços público e privado 2010 , da Fundação Perseu Abramo, revelam que ainda temos muito o que fazer (leia postagem abaixo).

Segundo o estudo, cConcordam em algum grau (totalmente + em parte): que “nas decisões importantes, é justo que na casa o homem tenha a última palavra”, 43% dos homens contra apenas 23% das mulheres hoje (30% em 2001); o que “em um casal é importante que o homem tenha mais experiência sexual que a mulher”, 36% dos homens contra 24% das mulheres (38% em 2001); o que “a mulher casada deve satisfazer sexualmente o marido mesmo quando não tem vontade”, 17% dos homens e 15% das mulheres (24% em 2001); e o que “se a mulher trair o homem é justo que ele bate nela”, 11% dos homens contra apenas 4% das mulheres (11% em 2001).

Um contexto que ainda se parece com o triste retrato "pintado" pelo brilhante escritor uruguaio Eduardo Galeano, no conto Mudança de nome, do seu livro "Mulheres":

"Aprendeu a ler lendo números. Brincar com números era o que mais a divertia e de noite sonhava com Arquimedes.

O pai proibia:

- Isso não é coisa de mulher - dizia. Quando a Revolução Francesa fundou a Escola Politécnica, Sophie Germain tinha dezoito anos. Quis entrar. Fecharam as portas na sua cara:

- Isso não é coisa de mulher - disseram.

Por conta própria, sozinha estudou, pesquisou, inventou.

Enviava seus trabalhos, por correio, ao professor Lagrange. Sophie assinava Monsieur Antoine - August Le Blanc, e assim evitava que o exímio mestre respondesse:

- Isso não é coisa de mulher.

Fazia dez anos que se correspondiam, de matemático a matemático, quando o professor soube que ele era ela.

A partir de então, Sophie foi a única mulher aceita no masculino Olimpo da ciência européia: nas matemáticas, aprofundando teoremas, e depois na física, onde revolucionou o estudo das superfícies elásticas.

Um século depois, suas contribuições ajudaram a se tornar possível, entre outras coisas, a torre Eiffel.

A torre tem gravados os nomes de vários cientistas.

Sophie não está lá.

Em seu atestado de óbito, de 1831, aparece como dona de casa e não como cientista: - Isso não é coisa de mulher - disse o funcionário".

Comentários