quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Atividades do fim de semana

O blog para as atividades hoje por conta do Encontro Estadual da Articulação Socialista, tendência interna do PT, do qual fazemos parte eu, deputado federal Beto Faro, a secretária de estado do trabalho e renda, Ivanise Gasparim, entre outros companheiros vereadores e prefeitos do nosso estado. Será nesta sexta-feira, a partir das 9 da manhã.

Discutiremos as eleições de outubro, nossas estratégias, além de idéias e propostas para o partido e para a sociedade.

Às 16 horas, desta sexta também, começa a Plenária Estadual da Juventude do PT, que terá como tema a opinião dos jovens petistas paraenses sobre as estratégias e diretrizes específicas para a população de 15 a 29 anos da candidatura da ministra Dilma à Presidência da República. O Encontro termina às 14 horas da segunda e ocorre no Colégio Jarbas Passarinho. Elegeremos delegados para a Plenária Nacional com o mesmo fim.

Na noite de sábado, convido a todos e todas à grande festa política na Aldeia Cabana, com o presidente Lula, ministra Dilma, presidente do PT Nacional Eduardo Dutra, do PT Estadual João Batista, do nosso candidato ao Senado Paulo Rocha, governadora Ana Júlia e a militância que está mudando nosso estado numa perspectiva democrática e popular.

Um forte abraço e um excelente fim de semana!

O legado profético de Zilda Arns

Por Leonardo Boff*

Já se fizeram todos os elogios devidos à médica brasileira, Zilda Arns, irmã do Cardeal dos direitos humanos, Paulo Evaristo Arns, que sucumbiu sob as ruínas do terremoto no Haiti. Talvez a opinião pública mundial não se tenha dado conta da importância desta mulher que em 2006 foi apontada como candidata ao prêmio Nobel da Paz. E bem que o merecia, pois dedicou toda sua vida à saúde das pessoas mais vulneráveis.

Por 25 anos coordenou a Pastoral da Criança acompanhando mais um milhão e 800 mil menores de cinco anos e mais de um milhão e 400 famílias pobres. A partir de 2004 iniciou a Pastoral da Pessoa Idosa com mais de cem mil idosos envolvidos. Com meios simples como o soro caseiro, o alimento à base da multimistura e outros recursos mínimos, salvou milhares de crianças que antes fatalmente morriam.

Seria longo historiar seu extraordinário trabalho difundido já em mais de 20 países pobres do mundo. O que pretendo é enfatizar os valores do capital espiritual que sustentaram a sua prática. Nisso ela ia contra o sistema dominante e serve de inspiração para hoje.

É convicção crescente que não sairemos da crise de civilização atual se continuarmos com os mesmos hábitos e os mesmos valores consumistas e individualistas que temos. Ela mostrou como pode ser diferente e melhor.

A Dr. Zilda honrou o cristianismo, vivendo uma mística de amor à humanidade sofredora, de esperança de que sempre se pode fazer alguma coisa para salvar vidas, de fé na força dos fracos que se organizam e na escuta de todos até das crianças que ainda não falam.

Ela tinha clara consciência de que a solução vem de baixo, da sociedade que se mobiliza, sem com isso dispensar o que o Estado deve fazer. Problemas sociais se resolvem a partir da sociedade. Para isso, ela suscitou a sensibilidade humanitária que se esconde em cada pessoa e inaugurou a política da boa vontade. Mais de 250 mil voluntários, sem nenhum ônus financeiro, se propuseram assumir os trabalhos junto com ela.

Uma idéia geradora movia sua ação, copiada da prática de Jesus: multiplicar. Não apenas pães e peixes como Ele fez mas, nas condições de hoje, multiplicar o saber, a solidariedade e os esforços.

Multiplicar o saber implica repassar às pessoas simples os rudimentos de higiene, o cuidado pela água, a medição do peso e a alimentação adequada às crianças. Esse saber reforça a auto-estima das pessoas e confere autonomia à sociedade civil.

Multiplicar a solidariedade que, para ser universal, deve partir dos últimos, buscando atingir as pessoas que vivem nos rincões onde ninguém vai, tentar salvar a criança mais desnutrida e quase agonizante. Essa solidariedade é a que menos existe no mundo atual.

Multiplicar esforços, envolvendo as políticas públicas, as ONGs, os grupos de base, as empresas em sua responsabilidade social, enfim, todos os que colocam a vida e o amor acima do lucro e da vantagem. Mas antes de tudo multiplicar a boa-vontade generosa.

Ora, são estes conteúdos do capital espiritual que devem estar na base da nova sociedade mundial que importa gestar. O século XXI será o século do cuidado pela vida e pela Terra ou será o século de nossa auto-destruição. Até agora globalizamos a economia e as comunicações. Temos que globalizar a consciência planetária e multiplicar o saber útil à vida, a solidariedade universal, os esforços que visam construir aquilo que ainda não foi ensaiado. Amor e solidariedade não entram nas estatísticas nem nos cálculos econômicos, mas são eles que mais buscamos e que nos podem salvar.

A médica Zilda Arns seguramente sem o saber, mas profeticamente, nos mostrou em miniatura que esse mundo não é só possível, mas é realizável já agora.

*Leonardo Boff é autor de Saber cuidar: ética do humano, compaixão com a Terra, Vozes (2006).

O triunfo neoliberal e os desafios do FSM

"O triunfo do neoliberalismo continua sendo enormemente rentável para uma minúscula minoria, a mesma que é servida pelos governos do G-20. Eles não demonstram sinal algum de estarem fazendo algo sério contra as vontades dos bancos. Se imaginarmos a organização do mundo como uma série de círculos concêntricos ou esferas, o primeiro e mais influente de todos é certamente o das Finanças, agora totalmente divorciado da economia real. Os desafios para o FSM e para aqueles que são parte dele em espírito, de maneira consciente ou não, é reverter a ordem desses círculos".

Clque aqui para ler a íntegra da análise de Susan George, em nosso especial de debates sobre o 10o FSM.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Reconhecimento

“Nosso contato com o deputado Bordalo é constante, ele será nosso interlocutor e à medida que formos implementando todos os presentes ficarão informados”.

(Geraldo Araújo, Secretário Estadual de Segurança Pública, em discurso durante a audiência pública sobre segurança no Vale do Acará - leia post abaixo)

Solução para o Vale do Acará

A pedido das câmaras dos municípios que compreendem o Vale do Acará, além dos prefeitos e vereadores, solicitei essa reunião de trabalho com o comando da nossa segurança pública para que de uma forma conjunta fosse mostrado o quadro da segurança nesta área. E para que, a partir deste ponto possamos dar continuidade às ações neste campo.

Estiveram presentes mais de 50 lideranças, no dia 26, entre eles os prefeitos Elias Santiago (Concórdia do Pará), Francisca Martins (Acará), Maria Antônia (Bujaru), Cristiano Martins (São Domingos do Capim), Badel (Mãe do Rio), Júnior (vice-prefeito de Bujaru), o secretário Geraldo Araújo, delegado Miguel Cunha (diretor de polícia do interior), Coronel Dário (comandante da Polícia Militar), Raimundo Benassuly (delegado geral de Polícia Civil), José Sales (secretário adjunto da Segup) e Justiniano Alves (Susipe).

Após uma rodada de pronunciamentos de prefeitos e vereadores dos municípios de Concórdia do Pará, São Domingos do Capim, Acará, Bujaru, Mãe do Rio, Aurora do Pará e Tomé Açu, as prioridades foram apresentadas: efetivo policial, problemas estruturais, ausência de delegacias, postos e viaturas, alto índice de assaltos, além de desvio de conduta e carência no armamento. No entanto, o ponto principal é o combate ao narcotráfico, bem como o avanço da violência e criminalidade.

O secretário Geraldo Araujo antecipou a realização de grande operação planejada para a região do Vale do Acará, precedidas de ações de inteligência do sistema de segurança, além de alguns números: foram realizadas 2.919 prisões de traficantes no Estado em 2009, dos 28 assaltos a bancos 12 tentativas foram abortadas pela policia, 44 policiais civis já foram demitidos por desvio de conduta.

Com relação ao aumento do efetivo policial nos municípios, é necessário aguardar a conclusão do processo de formação dos policiais. Contudo, são 1.340 soldados nas ruas a partir do início do mês de junho. Fiquei muito feliz pela presença em massa dos legislativos municipais e também pela resposta positiva que nos foi dada pelo alto escalão da segurança pública estadual, na certeza de que vamos aperfeiçoar a segurança nessa região.

FHC não faz mea-culpa das privatizações

Por Zé Dirceu, no blog dele

Inicialmente se podia pensar que fosse um mea-culpa, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ter se lamentado com amigos e a uma revista quinzenal de economia sobre as privatizações em seu governo. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, FHC não fez uma autocrítica. Ele se recriminou por ter dado participação aos fundos de pensão das estatais nas empresas privatizadas.

FHC sequer falou do desastre da privatização no setor elétrico - que nos levou ao apagão de 2001 - ou das denúncias de tráfico de influências nas teles. Tampouco reconheceu que esses fundos de pensão (propriedade de funcionários) em todo mundo, seja nos Estados Unidos, seja na Alemanha (para ficar em dois exemplos) participam de empresas via investimentos. Isso só revela o quanto a posição do ex-presidente é atrasada.

À revista ele diz que "criou um monstro” porque os fundos estão dominados pela política partidária e pelo sindicalismo. Como se isso, de per si, fosse condenável! Ele foi por aí para esconder que em seu governo os fundos foram dominados pelo interesse privado, capturados por grupos econômicos que os manipularam à vontade nas privatizações - "até o limite da irresponsabilidade" como disse em conversa telefônica.

Aí estão as gravações, inclusive as feitas com o próprio presidente FHC, para comprovar. Foi o governo Lula que devolveu aos fundos uma gestão pública eficiente, boa governança e transparência com resultados para quem quiser ver.

Hoje os Fundos são um “case” de sucesso e seu bom gerenciamento dá alta rentabilidade. Foram saneados, sua administração profissionalizada e seus recursos bem geridos. Atuam dentro de uma estratégia de desenvolvimento nacional que é diretriz política do governo e do país, e não movidos e controlados por interesses de alguns grupos privados. É muito triste ver FHC condenar-se pela única ação positiva que imprimiu nas privatizações - a participação dos fundos de pensão nas empresas privatizadas.

Perguntas para Marina Silva

Amigo e amiga leitora, fui ao blog do professor Emir Sader, da USP, um dos maiores intelectuais brasileiros e "colhi" quatro perguntas do questionário que ele elaborou para a presidenciável Marina Silva. Intrigante. Dê também o que acha que ela responderia na nossa caixinha de comentários deste post:

1. Com o acordo de Gabeira com os tucanos e demos no Rio, tua candidatura pode ser definitivamente considerada como pertencente a esse bloco de direita?

2. Quais os pontos essenciais da sua plataforma para o Brasil ou será apenas uma plataforma ecológica?

7. Quais seriam seus principais ministros? O de Meio Ambiente seria Zequinha Sarney, que ocupou esse cargo no governo FHC e pertence ao teu novo partido?

9. Tuas posições a favor do criacionismo, contra o aborto, entre outras, de fundamento religioso, de que forma seriam implementadas em um governo em que você fosse a presidente?

Tobin or not Tobin?

"A taxa Tobin tornou-se uma potencial arma contra a globalização neoliberal, com uma conotação política muito maior do que ele pretendia quando afirmou que queria jogar 'areia nas rodas do setor financeiro internacional'. Quando James Tobin retomou, nos anos 1970, as ideias de Lord Keynes a respeito de uma taxação sobre transações cambiais para minimizar ataques especulativos, não imaginava ter lançando uma das principais bandeiras de luta com a qual foi aberto, em 2001, o Fórum Social Mundial de Porto Alegre".

Clique aqui para ler a análise completa de Marcio Pochmann e Giorgio Romano, como parte dos debates do 10o Fórum Social Mundial.

Verdades sobre o Haiti, em trechos de artigos da Carta Maior

- "Pouco a pouco a imprensa vai abandonando Porto Príncipe. Ainda que um grande número de jornalistas permaneça no país, vários meios de comunicação já se retiraram. Os jornalistas estadunidenses seguem em busca de imagens espetaculares. O edifício da rádio Caribe segue inteiro, mas as rachaduras fizeram com que a equipe de locutores fosse para a rua fazer seus programas. Misturam música com informação sobre os lugares de distribuição de comida. A rádio é, neste momento, a única maneira que os haitianos tem de se distraírem". (Pouco a pouco, a imprensa vai abandonando o Haiti ).

- "Desde há muito, o país vivencia seu terremoto histórico e social afastado dos holofotes das mídias. Comentava-se sua pobreza, mas, havia um certo descaso racista em relação às suas possibilidades e o seu futuro". (Os terremotos geológicos e histórico-sociais do Haiti).

- "O envio de mais de 10 mil soldados e marines, e uma frota capitaneada por um porta-aviões nuclear, sem que a ONU fosse sequer consultada, revela uma estratégia por demais conhecida dos Estados ". (Haiti, a geologia do império).

- "A tragédia que fez o Haiti desabar é mais um golpe sobre um povo com o qual toda a América Latina tem uma dívida histórica. O Haiti foi promotor dos ideais da Revolução Francesa, da luta contra a escravidão, do anti-colonialismo e do americanismo bolivariano". (O legado dos amaldiçoados: uma breve história do Haiti).

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Yes, nós temos solidariedade

Depois de o Governo Federal ser o campeão em investimentos para amenizar a tragédia no Haiti, agora nossa Gisele Bündchen lidera o ranking em contribuição individual, à frente de personalidades como Angelina Jolie e Madona (1,5 mi, contra 1 mi, respctivamente).

Além de um país esplêndido, somos compromissados com as pessoas. O mesmo acontecendo com nossos "famosos", que, tal qual a economia e a diplomacia brasileiras, começam a ganhar um papel proagonista na cena mundial, antes dominada pelos "queridinhos da América".

Importante encontro contra o neoliberalismo

Por Zé Dirceu, no blog dele

Começa hoje, em Porto Alegre e em mais cinco cidades da região metropolitana da capital gaúcha, a 10ª edição do Fórum Social Mundial (FSM), o mais importante evento popular promovido nos últimos anos na luta contra o neoliberalismo.

Saúdo os milhares de participantes do evento e transmito minha expectativa e torcida para que o encontro mobilize outra vez a juventude de todo o mundo na luta pelas mais nobres causas da humanidade, como a igualdade e a justiça, o combate à fome, ao desemprego e à guerra e pela prevalência do respeito aos direitos humanos.

Em suas 10 versões, o FSM jogou um papel nacional e internacional da maior importância nos momentos em que se precisou deter o avanço e a hegemonia do neoliberalismo, fazendo-o não apenas como consciência crítica mas como um amplo e poderoso movimento contra os símbolos do capitalismo financeiro internacional - o FMI, a OMC e o G-8.

FSM desse ano pode ser novo marco de luta

Fundado e instalado pela primeira vez em Porto Alegre em 2001, o FSM recebeu sempre todo apoio do PT e da CUT, de nossos governos, parlamentares e militância, funcionando em particular em toda a América Latina como um catalisador da oposição às políticas econômicas neoliberais.

Não se pode, nem se deve esquecer, ainda, que o FSM contribuiu (e muito) para o avanço democrático e as vitórias eleitorais das forças populares de esquerda em nossos países e para as mudanças dos modelos econômicos da região.

Sua volta a Porto Alegre agora, uma década depois de ali ter se realizado o primeiro encontro, deve ensejar um amplo e objetivo balanço das vitórias da esquerda e dos movimentos contra o neoliberalismo no continente.

Pode e deve ser, também, um novo marco na retomada das lutas, agora numa conjuntura de grave crise do capitalismo exposta pela grande crise econômica internacional de 2008, a maior do último século.

Ação metrópole: estratégico para a vida

Semana passada Belém comemorou seu aniversário. Nos jornais, a velha cantilena de sempre, quando é a esquerda que está no governo: Belém é "morena", linda, mas está abandonada. Conversa. Pelo menos do ponto de vista do governo da companheira Ana Júlia.

O Ação Metrópole, prometido por muitos e realizado pelo PT, estará pronto em maio, com obras em estágio avançado. É a própria governadora quem assina embaixo desse compromisso.

Ele e a realização dos sonhos individuais e sociais no que tange à proteção da vida, da segurança, da mobilidade urbana, da fluidez do tráfego, que permitirá encurtar a distância da família e a economia de tempo para o descanso, demandas particulares e o entretenimento, hoje usurpados pelo caos urbano da região metropolitana. Todo seu “concreto armado” grandiosidade das obras em curso servem para cuidar das pessoas. Nada mais.

Do ponto de vista político, o Ação Metrópole é o míssil capaz de provocar um “Tsunami” na opinião pública democrática da Grande Belém, pois se configura como a batalha decisiva contra os números dramáticos de acidentes e a constatação quase empírica do estrangulamento do tráfego.

Depois de "cotar a fita", será a hora de investirmos numa sofisticada campanha de comunicação institucional voltada a evitar acidentes/mortes de trânsito, educar pedestres, conscientizar motoristas, proteger os deficientes e assegurar a vida, revelando essa preocupação humanista como o centro da reflexão da chefa do Executivo.

Obama apóia III PNDH e país vira o jogo com FMI

"Duas notícias internacionais chamam a atenção neste final de semana: a administração de Barack Obama está "acompanhando com grande interesse" a criação de comissões de Verdade e Justiça na América Latina e defende que processos para debater crimes do passado sejam estabelecidos. A mensagem foi dada ontem, em Genebra, pelo embaixador Stephen Rapp, responsável por temas de crimes contra humanidade e crimes de guerra dentro do Departamento de Estado norteamericano.

A segunda é que o governo brasileiro formalizou acordo para emprestar US$ 10 bilhões ao FMI. Já anunciado no ano passado, a operação é um tipo de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional. O acordo para permitir a operação foi assinado ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e pelo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn".

Leia mais aqui.

Empresários mundiais se rendem ao presidente do Brasil

Essa deve ter deixado a oposição igual ao ex-prefeito Hélio Gueiros, "tinindo". Simplesmente o presidente Lula vai receber dia 29, na Suíça, o Prêmio Estadista Global, do Fórum Econômico Mundial de Davos. Quem entrgará é o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, . Para piorar a situação dos demotucanos e seus jornaões, assim como aconteceu com o prêmio cocedido pelo renomado jornal francês Le Monde, é a primeira vez que o prêmio é atribuído na História das 40 edições do mais importante e famoso encontro econômico mundial.

A honraria será conferida aos líderes políticos que usam o seu mandato para aperfeiçoar "o estado do mundo". Ou seja: nosso papel protagonista em pautar o combate à fome e à pobreza como prioridades planetárias, nossa intervenção diplomática para pacificar o globo, entre outras.

Klaus Schwab, presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial de Davos, em nota oficial disse que "O presidente do Brasil demonstrou verdadeiro comprometimento com todos os setores da sociedade, conseguindo integrar crescimento econômico e justiça social. O presidente Lula é um modelo a ser seguido pela liderança global".

Enquanto isso, dentro d país, Estadão, Veja, Folha, Globo e seus associados locais insistem em negar o que o povo já sabe e as pesquisas de popularidade confirmam: nunca na História desse país tivemos um governo assim e é por isso que a população tenderá a eleger o PT e seus aliados em outubro para presidente, governador, senador e deputados federais e estaduais. É por essas e outras que vale à pena assistir Lula, Um Filho do Brasl e é também a razão pelo qual não se produz um filme sobre o ex-presidente FHC.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Oposição quer fazer contra-revolução em Salinas

Venho a essa tribuna virtual defender meu amigo e competente prefeito de Salinas, Dr. Wagner Cury (PT), acusado pelos Democratas, liderados pelo presidente da Câmara, de ter - imaginem só! - queimado veículos.

Realmente, é o cúmulo de representar interesses contrários ao povo do muicípio, que agora vê seu imposto pago à duras penas, porque se trata de uma população de baixa renda, investido a seu favor e não para beneficiar os ricaços que sequer IPTU descontam para a prefeitura! Mas, claro, querem o governo municipal voltado para seus interesses de veranistas, como era praxe antes, que o diga o ex-prefeito "Di", que se articula com os ex-pefelistas.

Dr. Wagner também provoca a ira dos que tratam saúde como negócio, porque investe, Médico Sem Fronteiras que foi, na prevenção do câncer com uma tecnologia inovadora e barata, sem deixar a gente humilde de Salinas à mercê dos mercadores da vida humana. Por esses motivos, a oposição quer cassar seu mandato cinicamente, para promover uma verdadeira contra-revolução no mais famoso point turístico paraense.

A verdade é que os veículos (um Astra, uma ambulância odontológica e uma Besta) foram incendiados por vândalos, as sucatas dos carros estavam abandonadas nos fundos de uma escola municipal e o prefeito apenas determinou que as levassem até um ferro velho e eles amanheceram incendiados. O que o prefeito tem a ver com isso?

Ora, isso é assunto para a Polícia e não para a Câmara Municipal. O resto é politicagem, pelo medo de não voltarem (os opositores) a sentar tão cedo na cadeira ocupada hoje por Dr. Wagner e suas condições de marionetes dos ricaços que querem Salinas o quintal de suas mansões.

Desenvolvimento para Tapanã e Tapajós

Nesta quinta-feira (21.01) estive na companhia da governadora Ana Júlia Carepa, inaugurando o infocentro da Associação para o Desenvolvimento Sustentável e Solidário do Tapanã (Adesta).

Uma ação que a população do bairro estava aguardando com muita expectativa.Com a presença do infocentro as 200 pessoas atendidas pela associação passarão a ter 11 computadores, com acesso livre à internet, além de cursos de capacitação básica em informática.

Em seguida, inauguramos a Base Comunitária de Segurança Cidadã do Conjunto Tapajós e o infocentro da Eletronorte, que conta com nove computadores para acesso livre e 21 para cursos de capacitação básica em informática. O espaço será voltado para a comunidade do bairro do Barreiro, localizado no entorno da empresa.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

2010: cenários indefinidos

Li no blog do Espaço Aberto, análise da professora e pré-candidata a deputada estadual Edilza Fontes sobre as consequências da votação do orçamento da Prefeitura de Belém nas alianças para as eleições deste ano. Ei-las:

"1. Se houver a aprovação do orçamento sem a votação favorável dos vereadores que compõem a bancada do PT na Câmara, acho muito difícil que PTB/PR venham a compor a reeleição da governadora; seria a segunda derrota de Duciomar na Câmara e que teria como atores principais os vereadores do PT; 2. Se a bancada do PMDB votar a favor da aprovação, sem a incorporação dos 20,84%, referentes a perdas salariais do funcionalismo municipal (motivo da crise), teríamos uma aliança praticamente declarada entre o PMDB e o bloco do prefeito; 3. Se o PMDB votar contra o prefeito, teríamos configurado o isolamento político, pelo menos do ponto de vista de aliados para 2010, e aí PTB/PR entrariam fragilizados para as negociações de composição de chapa para as eleições 2010."

Pondero todas.

Um apoio do PMDB ao prefeito não indica declaração de aliança, mas uma sinalização de força ao PT e à governadora, antes de qualquer coisa. Dcuiomar tem atacado o PMDB (e vice-versa) diariamente, através de O Liberal e do Diário, respectivamente. Uma composição entre ambos não é, portanto simples, porque há uma base social e política a ser distensionada para um acordo assim. Portanto, esse acordo quanto ao orçamento envolvendo o PMDB e o bloco PTB/PR, indicaria apenas um início de conversa, de possibilidade de relação política.

Continuo afirmando aqui que o objetivo de Jáder é se eleger senador, numa chapa segura e o melhor caminho para isso é compor com o PT, pois juntos, seria uma canalização única do potencial eleitoral de Lula e Dilma. O PMDB não tem como objetivo imediato o governo, mas uma poderosa bancada legislativa, local e nacional, para melhor ocupar espaços políticos.

O voto da bancada do PT também não implica em inviabilização de aliança com o PT, pois, se acertado com o PMDB, o que fariam PTB e PR? Duciomar seria o candidato de José Serra contra o presidente Lula no estado?

Se PMDB e PT votarem contra o orçamento aida restaria a Duciomar disputar uma vaga ao Senado ao lado de Flexa Ribeiro e Jatene, ainda que com míseras prefeituras e sem controle de sua própria base.

Ainda há muito tempo para as coisas serem fechadas e as definições ainda estão muito distantes, mas o PT tem que trabalhar no rumo certo, apontado pela governadora: construir uma ampla aliança, isolando o PSDB e DEM e garantindo a continuidade do nosso governo.

Sonho de uma noite de inverno

Não tem pé nem cabela o que foi noticiado anteontem pelo Diário do Pará, de que poderá haver prévias internas do PT para definir o candidato ao Senado, num disputa entre o professor Mário Cardoso, que disputou essa mesma vaga em 2006 e à PMB em 2008, contra o deputado federal Paulo Rocha.

São factóides para confundir a opinião pública e remexer o caldo da fofoca. Além de um desejo pessoal do presidente do PMDB e candiato ao Senado, deputado Jáder Barbalho.

O companheiro Paulo Rocha é o candidato apoiado pela militância do PT, pela amplíssima maioria das tendências e lideranças, além da governadora e a posição de tê-lo candidato ao Senado, recuperando a vaga do petismo, sagrou-se inquestionavelmente vitoriosa em todas as nossas reuniões do Diretório Estadual e no Processo de Eleições Diretas de 2009. Além do fato de que Paulo tem uma enorme densidade eleitoral, adequada à estratégia de fortalecer a bancada petista no Senado Federal para dar mais governabilidade à provável presidenta Dilma Roussef.

O companheiro Paulo, nesses termos, só não sai candidato ao Senado se não quiser. O companheiro Mário Cardoso é um nome valoroso, experiente e também com muita força popular como mostram os resultados das duas últimas eleições que disputou. Nome que ajudaria muito o partido na Assembléia Legislativa ou na Câmara dos Deputados.

Cresce a economia e o emprego no Pará

Em contraponto aos interesses por trás da candidatura tucana ao governo do estado e às demagogias das principais personalidades dos Democratas paraenses (leia as duas notas abaixo), o Diesse anunciou que o Pará fechou 2009 - o ano da pior crise financeira internacional desde 1929 - com um saldo positivo de 7.380 empregos formais (aquele coma carteira assinada). Foram 254.970 admissões.

Segundo o Dieese, o setor com melhor desempenho foi a mineração (5,98%;) seguido do comércio (3,01%), serviço (2,56%) e serviços de indústria e utilidade pública (1,16%) e tudo indica que podemos voltar a gerar novos empregos de qualidade, na casa dos 28 mil postos de trabalho ao ano, como fizemos em 2007.

Esses são resultados de um governo popular, que une investimentos com políticas sociais. E esse é o Pará no rumo certo.

Jatene, candidato do "velho Pará"

Do blog A Perereca da Vizinha, da jornalista Ana Célia Pinheiro, na postagem Mas seria o Daniel Dantas?

"Conhecido empresário garante ter presenciado animado convescote entre representantes do “alto escalão” do tucanato paraense e emissários do enroladíssimo banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Dantas estaria irritado com as invasões dos sem-terra às fazendas que teria “adquirido” no Pará – ou “grilado”, como sustentam os detratores da estrela-mor da Satiagraha. Além disso, cultivaria certo rancor em relação à governadora Ana Júlia Carepa, que, desde a época do Senado, não se cansa de estapeá-lo. "

Vejam leitores, depois de ninguém menos que Almir Gabriel revelar que a Vale está por trás do pagamento da alimentação de Jatene no tempo em que passou defenestrado do governo e da escolha de Simão para disputar o Palácio dos Despachos, tendo a empresa sido a principal financiadora da candidatura do "pescador" em 2002, agora vem à tona que Daniel Dantas também tem interesse em ungí-lo governador.

Agnelli quer seu funcionário transformando o Pará num "pesque e não pague" para a Vale e sua tradição de daqui tudo sugar e nada deixar. D.D. quer que Jatene retome a agenda de proteger a grilagem, a falsificação de títulos, o saque ecológico e a dissimilação de intenções produtivas com o ferro e fego da Polícia Militar.

Jatene é contra o Pará, sua economia, seu meio ambiente, seus empresários e trabalhadores. É o candidato das elites sulistas e sua sanha predatória contra a Amazônia e do mais atrasado latifundiário da região. Ou seja, a manutenção do Pará "como sempre foi".

VV: Demagogia desmascarada

(Na foto ao lado, Vic em 1977. Ele se auto-intitula o "Richard Gere" nessa época)

Agradeço ao Vic pela referência e por seguir divulgando nosso Bordalo13, mas não tenho como deixar de lamentar uma resposta do nobre deputado do Democratas na caixinha de comentários do post O Caminho para o fim do mundo, onde ele, de quebra, disponibiliza o meu livreto para ser baixado em PDF no blog dele.

Primeiro, um leitor pondera sobre o conteúdo da postagem, onde Vic diz que escreverá um "manual" oposto ao "meu", chamado " Como Botar a Companheirada pra Correr ":

- "Vic, estive no blog que vc mencionou e, realmente, não encontrei nada de convincente no dito folheto, só as bobagens de sempre. No entanto o blog possui uma área muito interessante chamada "Atividade Parlamentar" onde os projetos do Deputado são apresentados. Li os projetos e achei alguns interessantes e outros desnecessários, como o "Dia do Feirante", mas queria sugerir que vc fizesse algo semelhante no seu blog. Afinal queremos saber o que vc está fazendo, acho que temos este direito como eleitores."

E eis a infelicidade do contra ponto do Vic:

"Vc quer que eu apresente o Dia do Feirante, também ?"

Clique na caixinha e leia você mesmo, amigo e amiga.

Absurdo porque demonstra o tamanho desprezo que Vic tem pela nossa gente humilde, nossos trabalhadores do Ver-o-Peso, 25, Guamá e tantas outras feiras de Belém, que saem todos os dias, homens e mulheres, vellhos e jovens, às 4, 5 da madrugada para trabalhar e possibilitar almoços e jantares fartos para pessoas do nível social do deputado Vic. Absurdo porque em todas as eleições, Vic, que tem Belém como principal base eleitoral, lança panfletos direcionados aos feirantes, como se deles gostasse, com eles se solidarizasse ou se importasse. Talvez inveja, porque depois dessa nunca mais receberá votos dessa categoria tão sofrida, tão merecedora da atenção do poder público e daqueles realmente comprometidos com uma sociedade de justiça social e não com seus desejos particulares de dinheiro e poder.

Apresentei sim projeto criando o Dia dos Feirantes, com "muito orgulho e com muito amor", como gostava de dizer o ex-prefeito Edmílson, de quem fui secretário de economia e coordenador do Banco do Povo, que tanto bem fez a esses camaradinhas feirantes.

O pior é que na foto logo aí ao lado, da Valéria, que foi um desastre administrativo na Santa Casa (leia nota abaixo), faz demagogia com justamente uma feirante do Ver-o-Peso, na eleição de 2008 (quando sequer chegou ao segundo turno), prometendo a revitalização do ponto turístico (clique para ler matéria da UOL).

Por quê estamos fazendo uma nova Santa Casa?

Por Ana Júlia Carepa, no blog da governadora

Muitos bebês morreram na Santa Casa no governo passado, eu não era a governadora do Pará e nem quero confrontar estatísticas, porque a morte de uma criança, de uma pessoa querida é uma ferida que fica pra sempre no coração da família. Então, me solidarizo profundamente com todas as mães, com todos os pais que perderam seus bebês tanto na Santa Casa, como no caminho de um hospital público, ou num cruzamento de rua, ou em qualquer lugar. É sempre uma perda e pra sempre.

Cuidar da saúde sempre me tocou profundamente. E não quis falar em estatísticas do número de bebês que faleceram na Santa Casa no governo passado, assunto que nunca mereceu registro, divulgação, embora se trate da perda de vidas humanas. Sofri muito com essas mortes. E resolvi agir.

Eu e minha equipe de governo, os profissionais de saúde, estamos construindo uma nova Santa Casa. Para que o povo do Pará, as mães de família possam ter um atendimento digno e de qualidade.

Hoje a Santa Casa esta verdadeiramente revitalizada, com renovação dos equipamentos, ampliação de leitos de UTI neonatal de 22 para 40, reforma geral da UTI adulto - que é uma das mais bem aparelhadas no Estado-, reforma na Obstetrícia e Centro Obstétrico, além da reforma e revitalização dos ambulatórios.

Tenho orgulho em dizer que no meu governo estamos construindo a Nova Santa Casa, para entregar à população do Pará mais 180 leitos com investimento na ordem de 80 milhões de reais, que no futuro garantirão a melhoria do atendimento as mães e crianças de nosso Estado.

Não dá para pensar em melhorar a vida das pessoas, sem investimento em saúde. É que estamos fazendo e assim, aos poucos, a mudança vai acontecendo na vida das famílias.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Zé Dirceu é que está certo

Leiam, amigos e amigas, o questionamento do ex-ministro Zé Dirceu, tarimbado em ver a Constituição rasgada quando se trata dos direitos individuais, em seu blog, sobre as denúncias de envolvimento de petistas e peemedebistas com atividades ilícitas da Camargo Corrêa:

"Sem comentários

Apenas uma pergunta: por que a imprensa que dá tanto destaque à propina que teria sido paga pela Camargo Correa a políticos do PT e do PMDB paraenses não destaca que a concorrência pública dos cinco hospitais que teria gerado a irregularidade foi feita em 2005, na administração do governador Simão Jatene, do PSDB?

A notícia tem sido levada para a 1ª página dos jornais - como faz o Folhão hoje - mas o leitor só vai perceber esse "detalhe" se ler a pequena nota interna na FSP informando que Carlos Botelho, consultor-geral do Pará, em uma pequena declaração aproveitada pela FSP "negou o recebimento de propinas e afirma que as licitações relativas aos hospitais ocorreram na gestão anterior do Estado".

Fora isso, o tempo todo e todas as notícias bate na mesma tecla, a irregularidade teria ocorrido no Pará, governado por Ana Júlia Carepa, do PT - que assumiu a 1º de janeiro de 2007. O detalhe do ano ninguém registra.... Que jornalismo é esse?"

Notem que mais uma vez os tucanos se enrrolam e tentam, com ajuda da imprensa, fazer os petistas pagarem a conta de suas trapalhadas (para dizer o mínimo) com a administração e o dinheiro público.

Dudu e o governo: sonho pouco provável

Por Edir Veiga, cientista político, no Bilhetim

Quem acreditar que Dudu juntando PTB, PR e PDT, a partir do indicador de controle de máquina administrativa (38 prefeituras), controlará, apriori, 1/3 do voto estadual, está redondamente enganado. Caso esta matemática fôsse verdade, Ulisses Guimarães teria sido eleito presidente em 1989. Naquela eleição o PMDB controlava 26 governadores de estado e a maioria das prefeituras municipais do Brasil. Ulisses obteve 3% de votos naquela disputa presidencial.

Todos sabemos que a maioria dos prefeitos das pequenas cidades do Pará, com baixo poder orçamentário, passam por enormes desgastes após o primeiro ano de mandato. Pensar que estas pequenas prefeituras poderiam alavancar, por si só, uma candidatura ao governo, não passa de ilusão política. Por certo estes prefeitos têm o controle de 20 a 25 % dos votos municipais, numa eleição estadual, não mais do que isso. Não creio que Anivaldo Vale ou Tião Miranda (PTB,PR, PDT) sejam páreo para Ana ou Jatene no primeiro turno das eleições no Pará. No segundo turno pesará muito na redefinição das alianças no Pará o desempenho no primeiro turno de Dilma e Serra nas eleições presidenciais.

Não se municipaliza uma eleição estadual, muito menos presidencial. Uma eleição estadual possui dinâmica própria, sendo fundamental o capital político e eleitoral do candidato, a coalizão eleitoral e os recursos financeiros e organizacionais.

Portanto, o cenário das possibilidades de cada candidato e das coalizões começa a clarificar e com boas perspectivas para o governo de plantão, se continuar a melhorar a comunicação política, por outro lado e começa a se materializar uma boa dose de dificuldade para Jatene e Jáder. O potencial de Jatene em atrair aliados no segundo turno será diretamente proporcional ao seu desempenho eleitoral no primeiro turno, e as expectativas quanto às possibilidades de vitória de Serra no plano nacional.

A juventude tem que votar e ter projetos

Merece os apalusos de todos e todas a iniciativa do nosso Tribunal Regional Eleitoral , presidido pelo desembargador João Maroja, de cumprir a Constituição Federal brasileira na busca por estimular a participação política da juventude, que oferece o direito ao voto a partir dos 16 anos, para que essa meninada comece a experimentar a participação política, fazendo opções por projetos e ideologias, além de se aproximarem da democracia como método de transformação do mundo segundo suas idéias. O que, diga-se de passagem, nada tem a ver com a discussão da redução da idade penal, que é o avesso da cidadania juvenil representada pelo primeiro título aos 16.

Em 2009, o TRE, na figura do desembargador Maroja, se reuniu com os representantes das juventudse partidárias e juntos formularam propostas de inserção de jovens ao processo político e à conscientização ao voto democrático, planejando ações para este ano eleitoral de 2010. Agora, começam as metas do planejamento estratégico realizado.

Segundo dados do TSE, o Pará, até março de 2009, mantinha cadastrado na Justiça Eleitoral apenas 3% dos eleitores com a idade entre 16 e 17 anos.

Uma proposta para ampliar esse alistamento eleitoral da juventude é levar a possibilidade da retirada de título para as escolas e centros comunitários, onde se promova uma explicação geral do regime democrático aos jovens e se possibilite um breve e plural debate entre propostas políticas das juventudes partidárias, oportunizando, após isso, que o jovem daquela comunidade possa tirar ali mesmo seu direito de votar. Essa experiência foi feita com sucesso no interior de São Paulo.

Por outro lado, embora eu seja um entusiasta dos avanços do governo petista nas políticas de juventude, é hora dos jovens políticos das juventudes partidárias conseguirem elaborar uma plataforma mínima para a juventude paraense, com pontos consensuais a despeito das diferenças ideológicas e programáticas gerais mais profundas, que possa impedir retrocessos e ampliar direitos e oportunidades para a população de 15 a 29 anos do nosso estado.

Os empresários mais confiantes no Brasil

Enquanto a Lúcia Hipólito tenta "esquecer" o bom momento do país (leia nota abaixo), o Sensor Econômico, que mede a confiança dos empresários sobre o futuro da economia, referente a dezembro de 2009 apresentou elevação de 2,3 pontos em relação a novembro, tendo registrado 31,5 pontos.

Desde janeiro de 2009, quando o Sensor registrou 6,8 pontos, apontando apreensão, o indicador evoluiu e a melhora das expectativas foi maior a partir de junho: o Sensor apresentou crescimento acelerado entre junho e agosto e moderado a partir de setembro, tendo passado da faixa de apreensão à faixa de confiança.

A análise por aspecto revela que, ao longo de 2009, os índices das contas nacionais e desempenho das empresas tiveram o maior crescimento; aspecto social experimentou elevação menor, enquanto o índice dos parâmetros econômicos recuou.

"Cana pura, quebra a ditadura". Literalmente.

O que vocês assistirão abaixo é uma vergonha inominável, cometida por uma das mais ferrenhas e raivosas opositoras do nosso governo, porta-voz das mais destacadas da oposição que, sem idéias e propostas, planta por articulistas como ela a versão de que o presidente Lula não passa de um "bêbado".

Pois então. Agora, Lúcia Hipólito foi flagrada do alto de uma evidente embriaguez em momento de trabalho, para a Rádio CBN, vocês sabem, aquela que "troca a notícia". Com vocês, Lúcia Hipólito, a dos comerciais em horário nobre da globo, "ensinando" a um público de cidadãos em plena São Paulo como se deve votar, e seu telefone que "pisca", numa frase sem início, meio e fim e um brutal constrangimento do jornalista que se remete a ela em busca de comentários políticos sobre o III PNDH.

Como diria um outro desmoralizado e falso moralista (além de ex-ativista do CCC) "jornalista", "isso é uma vergonha":

As eleições do Chile merecem reflexões importantes

Tem político que gosta muito de dar destaque às suas posições particulares, mas evita assumir sua ideologia e seu lado na luta social. Um deles em especial, suplente de deputado estadual, já assinou embaixo da ditadura de 64, apesar de ser do partido permitido que a combateu, agora diz, comemorando a vitória dos pinochetistas no Chile, que a direita é levada ao poder para "consertar as coisas" e quando essas "vão bem", elege-se a esquerda para "distribuir benesses". Ou seja: a direita é conduzida ao poder para "endireitar" o que a esquerda destrói. Para mim, isso é muita empáfia na língua e pouca na alma.

Aqui no blog, ofereço a você, leitor e leitora, um artigo decente, de Breno Altman, sobre o resultado no Chile. Com reflexões e não espasmos ideológicos instintivos.

Chile à direita: alerta vermelho no continente

Os resultados da eleição presidencial chilena, com a vitória do direitista Sebastián Piñera, repercutem além-fronteira. O triunfo da coalizão neopinochetista também pode ser lido como a primeira vitória relevante das forças conservadoras latino-americanas nos últimos dez anos. Ainda que esse campo, no ano passado, tenha vencido batalhas no Panamá e em Honduras, nenhum desses episódios tem o mesmo significado que a conquista do governo na terra de Allende e Neruda.

Essa importância não é ditada pela natureza da aliança política que saiu derrotada, cujos vínculos com o ciclo político favorável à esquerda, aberto pelas vitórias de Chávez e Lula, são praticamente nulos. Afinal, a Concertação nunca passou de aglomerado partidário sob hegemonia do centro católico, submetida a um processo de transição incapaz de promover mudanças fundamentais no modelo econômico e institucional herdado de Pinochet.

Além do peso estratégico do Chile, o que há de emblemático nessa situação é o caráter da coligação triunfante, ironicamente chamada de Coalizão pela Mudança. Pela primeira vez retornam ao poder forças políticas que deram sustentação direta às ditaduras militares da América do Sul. Não é pouca coisa, definitivamente.

Tampouco trata-se de fato isolado. Se analisarmos a cadeia de acontecimentos que marcou o ano passado, encontraremos pistas evidentes de uma contra-ofensiva da direita latino-americana, em diversas ocasiões com o patrocínio ou a cumplicidade do Departamento de Estado norte-americano. São eventos representativos desse cenário a reativação da IV Frota, a instalação de bases militares na Colômbia, o golpe cívico-militar em Honduras, a vitória conservadora no Panamá e, agora, a guinada à direita no Chile.

A esses capítulos já consolidados, outros parecem estar em curso, como a escalada das iniciativas reacionárias para inviabilizar o governo Lugo, no Paraguai, e a administração de Cristina Kirchner, na Argentina. Para não falar na incessante política de sabotagem e desestabilização da oposição venezuelana contra o governo Chávez, sob o amparo da Casa Branca.

O que ocorreu no Chile serve, sem dúvida, como estímulo às oligarquias continentais. Basta observarmos a reação fogosa dos jornalões brasileiros, que vibram diante da possibilidade de se derrotar um candidato governista mesmo no caso de ampla aprovação popular à administração que se deseja continuar. Quanto às correntes progressistas, cabe uma reflexão cuidadosa sobre a caída da Concertação.

O foco dessa análise necessária talvez devesse ser a relação entre hegemonia e aliança. Não foram poucos os momentos nos quais a busca pela direção do processo político, a partir dos programas e valores de esquerda, excluiu ou limitou a construção de alianças capazes de formar maiorias político-sociais, assim descambando para o sectarismo e o isolamento.

Mas os casos inversos não têm sido raros nos últimos tempos. Esses ocorrem quando o objetivo de ampliar ou consolidar alianças, em função de um determinado objetivo tático, esteriliza a busca de hegemonia no Estado e na sociedade, forçando à renúncia programática e de identidade.

Nessa última categoria poderia ser classificada a Concertação, fundada a partir da ruptura do Partido Socialista com o bloco histórico de esquerda e sua subordinação à Democracia Cristã, partido de centro ao qual pertence o candidato derrotado Eduardo Frei.

Mais que uma submissão partidária, eventualmente atenuada quando a presidência coube a Ricardo Lagos e Michelle Bachelet, ambos socialistas, o que se passou foi uma abdicação político-ideológica que já data de vinte anos. Para se fazer a composição com o centro católico, aceitou-se por uma década a tutela militar sobre a transição, manteve-se vigente a Constituição ditatorial de 1980 e preservou-se a política econômica do pinochetismo.

No fundo, foi um longo período de reformas sem mudanças. O sistema foi recauchutado com medidas de ampliação das liberdades e compensação das injustiças, mas teve preservada sua institucionalidade, sua integração à geopolítica norte-americana e seu modelo rentista.

A conseqüência dessa opção foi uma forte despolitização da sociedade chilena. O campo de disputa estratégica e de valores com a direita praticamente se reduziu ao tema dos direitos humanos. Aos poucos, as únicas coligações aceitas pelo sistema institucional, a Concertação e a direita, se aproximaram programaticamente e criaram uma anódina zona de confluência.

Trocou-se o choque de programas pela concorrência entre projetos e sua forma de administração, em um teatro de conflito cada vez mais desidratado. Essa mesmice tecnocrática acabou por provocar desmobilização e divisão no campo da Concertação, preparando o terreno para o retorno das forças de direita.

Três milhões de jovens sequer se inscreveram para votar. O deputado Marco Enriquez-Ominami, disposto a arregimentar apoio entre os setores cansados desse bipartidarismo cinzento, rompeu com a Concertação e teve quase tantos votos quanto Frei. Outros grupos socialistas também dissentiram em tempos recentes, buscando recuperar a tradicional aliança com os comunistas e outros agrupamentos de esquerda.

A administração de Michelle Bachelet, ainda assim, veio a apresentar elevados índices de aprovação popular, especialmente por conta das políticas sociais. Mas seu candidato, Eduardo Frei, representava a imagem do político atrasado, covarde, sem criatividade. Seu adversário, empresário jovial e bem-sucedido, foi capaz de vender uma imagem de gestor mais aguerrido e confiável. Em um ambiente despolitizado, no qual as ações de governo são sucessos administrativos que não se transformam em ferramentas de hegemonia, a transferência de votos acabou esvaziada pela lógica do processo impulsionado por socialistas e democrata-cristãos.

Claro que o fracasso no governo, refletido pela incapacidade de melhorar a vida das pessoas, não pode ser substituído pela batalha das idéias, pela disputa político-ideológica, pela disseminação de valores ou pela pedagogia de massas. A administração bem-avaliada, porém, quando a luta pela hegemonia é propositadamente esterilizada, com o abandono no enfrentamento entre distintos programas e compromissos de classe, revela-se insuficiente para uma estratégia eleitoral vitoriosa.

A Concertação perdeu porque foi a artífice de uma certa normalização do país, pela qual antigos campos antagônicos, em nome de acanhado pacto de transição, aceitaram um termo comum para seus projetos, individualizando a política e configurando-a em uma arena quase técnica, na qual as classes e seus interesses desaparecem do discurso público.

A esquerda chilena pagou um alto preço por essa opção, danificando suas relações internas e seu protagonismo. A direita teve a paciência necessária para fazer da normalidade concertacionista seu caminho de ressurreição, absorvendo parte da agenda oficialista e conquistando para seu candidato até votos de quem apóia a administração Bachelet.

Enfim, essas são algumas das reflexões possíveis sobre a derrota de Frei. Aliás, para deixar de orelha em pé também a progressistas de outras nacionalidades.

*Breno Altman é jornalista e diretor do sítio Opera Mundi (www.operamundi.com.br ). O artigo foi originalmente publicado no blog do Zé Dirceu.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Assim é que se faz desenvolvimento. Pensando centralmente nas pessoas.

(foto de Davi Alves, da Agência Pará)

Estuve sábado, 16, em Acará, participando, junto com a governadora Ana Júlia, a inauguração de 14 kilômetros da rodovia PA-252,ligando o município do Acará ao entroncamento com a rodovia Perna Sul.

Um projeto muito importante para a economia, que também compreende a retificação e pavimentação asfáltica da rodovia Perna Sul e a execução do Plano de Reassentamento Involuntário de Famílias ao longo dela, que consiste na desapropriação das propriedade rurais, com a indenização das roças e moradias, e na oferta de capacitação e assistência técnica rural para que as famílias possam recompor suas plantações em melhores condições de produção e organizadas em cooperativas.

O projeto promove a integração da cidade do Acará à malha rodoviária do Estado, possibilitando melhores condições de escoamento da produção e acessibilidade aos serviços públicos, contribuindo para a redução das desigualdades regionais.

A governadora aproveitou para entregar29 casas construídas para estas famílias, todas com dois quartos, sala, cozinha, banheiro, fornecimento de água por poço artesiano e fossa séptica.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Cidadania apoia Paulo Vannucchi

Por Zé Dirceu, no blog dele

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, merece integral apoio de todos os cidadãos desse país em sua luta de resistência às tentativas de desfiguração do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos. Equiparar aqueles que em nome do Estado, ocupando cargos e função pública, violaram a lei, a Constituição e os direitos humanos com os que legitimamente defendiam a legalidade e a democracia é um retrocesso histórico sem precedentes no país.

Significa legitimar o golpe militar e, na prática, condenar a resistência democrática pacífica ou não, comparando seus participantes aos golpistas, punindo de novo os que foram presos ilegalmente, torturados, assassinados, demitidos de seus empregos, exilados, expulsos do país, e tiveram mandatos cassados e seus direitos políticos e civis suspensos, muitos até mesmo a nacionalidade brasileira.

O mais grave é que representará uma ruptura com a História, com a memória e a esquerda que apoiou e defende o governo Lula. Terá conseqüências não apenas dentro do governo, mas na sucessão. Do ponto de vista externo, transformará o Brasil no único país que não cumpre as convenções internacionais sobre direitos humanos - como a de Viena - e todas as resoluções das Nações Unidas sobre a questão.

Não há como pedir aos que lutaram pela democracia e à sociedade brasileira que aceitem mais essa desproporcional e inusitada pressão para revogar itens básicos de um plano mínimo de Direitos Humanos. Muito menos pedir que aceitem igualar as vítimas com os algozes.

Política e regilião

Por Emir Sader, na Carta Maior

Uma das mais importantes conquistas democráticas no mundo contemporâneo é a separação entre religião e política. Não é que não tenham nada a ver, mas as relações políticas, sociais, cívicas, não podem ser orientadas pelas opções religiosas. Os Estados democráticos são Estados laicos.

Todos devemos ser iguais diante das leis, sem influência de nossas opções individuais – religiosas, sexuais, de diferenças étnicas, etc. Somos diversos nas nossas opções de vida, mas devemos ser iguais nos nossos direitos como cidadãos.

Os Estados religiosos – sejam islâmicos, sionistas ou outros – fazem das diferenças religiosas elementos de discriminação política. Xiitas e sunitas têm direitos distintos, conforme a tendência dominante em países islâmicos. Judeus e árabes são pessoas com direitos totalmente distintos em Israel. Para dar apenas alguns dos exemplos mais conhecidos.

Um Estado democrático, republicano, é um Estado laico e não religioso, nem étnico. Que não estabelece diferenças nos direitos pelas opções privadas das pessoas. Ao contrário, garante os direitos às opções privadas das pessoas. Nestas deve haver a maior liberdade, com o limite de que não deve prejudicar a liberdade dos outros de fazerem suas opções individuais e coletivas.

Por razões de sua religião, pessoas podem optar por não fazer aborto, por não se divorciar, por não ter relações sexuais senão para reprodução, por não se casar com pessoas do seu mesmo sexo. São opções individuais, que devem ser respeitadas, por mais que achemos equivocadas e as combatamos na luta de idéias. Mas nenhuma religião pode querer impor suas concepções aos outros – sejam de outras religiões ou humanistas.

A educação pública deve ser laica, respeitando as diferenças étnicas, religiosas, sexuais, de todos. Os que querem ter educação religiosa, devem tê-la em escolas religiosas, conforme o seu credo. Os recursos públicos devem ser destinados para as escolas públicas.

Da mesma forma a saúde pública deve atender a todos, conforme suas opções individuais, sem prejudicar os direitos dos outros.

A Teologia da Libertação é um importante meio de despertar consciência social nos religiosos, como alternativa à visão tradicional, que favorece a resignação (esta vida como “vale de lágrimas”, o sofrimento como via de salvação). Mas não pode tentar impor visões religiosas a toda a sociedade que, democrática, não opta por nenhuma religião. Os religiosos devem orientar seus fieis, conforme suas crenças, mas não devem tentar impor aos outros suas crenças.

Religião e política são coisas diferentes. A opção religiosa ou humanista é uma opção individual, da mesma forma que as identidades sexuais, as origens étnicas ou outras dessa ordem.

Misturar religião com política, ter Estados religiosos – Irã, Israel, Vaticano, como exemplos – desemboca em visões ditatoriais, até mesmo totalitárias. Na democracia, os direitos individuais e coletivos devem ser garantidos para todos, igualmente. Ninguém deve ter mas direitos ou ser discriminado, por suas opções individuais ou coletivas, desde que não prejudique os direitos dos outros.

Que possamos ser diversos, desde que não prejudiquemos aos outros. Iguais, nos direitos e nas possibilidades de ser diferentes. Diferentes sim, desiguais, não.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Com culpa no cartório, empresários da comunicação atacam o PNDH

Laurindo Lalo Leal Filho*, no blog do Zé Dirceu

É só se falar em algum tipo de ação da sociedade para evitar os abusos freqüentemente cometidos pelos meios de comunicação que os seus controladores, imediatamente, pulam. Os gritos mais recentes são contra a proposta de criação de uma comissão governamental para acompanhar a produção das empresas do setor e estabelecer um ranking dos veículos “comprometidos com os direitos humanos”, contida no Programa Nacional dos Direitos Humanos lançado no final do ano pelo governo.

Em nota oficial as entidades empresariais de comunicação bateram no velho tecla da “ameaça à liberdade de expressão”. São capazes de afirmar que os direitos humanos “estão acima de qualquer questionamento” para, em seguida, negar a possibilidade de um acompanhamento público do respeito que eles dizem dedicar a esses direitos. Ora, se são tão respeitosos com os direitos humanos, como afirmam, porque temem que a sociedade, através do governo, comprove na prática esse comportamento.

Parte da resposta está em diversos programas veiculados diariamente por grande parte das emissoras de rádio e televisão do Brasil, violadores contumazes dos direitos humanos. É a prova definitiva do cinismo com que são escritas essas notas oficiais assinadas pelas entidades patronais.

Veja uma das frases do documento empresarial: “A defesa e valorização dos direitos humanos são parte essencial da democracia, nos termos da Constituição e de toda a legislação brasileira, e contam com nosso total compromisso e respaldo”.

E agora compare esse texto com o relato de dois telespectadores, a respeito de um tipo de programa, chamado policialesco, que prolifera em nosso país.

O primeiro de Salvador: “Há cenas de pessoas mortas ou agonizando, ao vivo, com tiros recebidos na cabeça. Há casos de travestis quase nus se agredindo ou pessoas se agredindo com paus, pedras ou socos durante as reportagens”.

Outro de Porto Alegre: “Aqui no Rio Grande do Sul temos um exemplar desse tipo de programa também. É apresentado por um sujeito bizarro que dá chineladas em uma mesa. Ele acompanha as ações policiais, e dão a ele o direito de humilhar e zombar das pessoas que são alvo de ações policiais”.

Mas há mais elementos concretos para tornar a nota oficial dos empresários uma peça de ficção. Basta ver como são tratados os negros nas telenovelas, os homossexuais nos programas de auditório e os pobres nos espetáculos policialescos acima mencionados.

Para quem ainda não teve o desprazer de ver esse tipo de programa basta entrar na internet e no YouTube e clicar, por exemplo, em títulos como “Se Liga Bocão”, da TV Itapoã ou “Na Mira”, da TV Aratu, ambas de Salvador. Ou ainda “Bronca Pesada” e “Papeiro da Cinderela”, da TV Jornal do Recife. Ou em muitos outros.

É esse desrespeito embrutecedor da sociedade brasileira que o Programa Nacional de Direitos Humanos quer coibir. E tal proposta não saiu da cabeça iluminada de qualquer ministro para ser imposta à sociedade. Ela é resultado de um longo período de acúmulo de conhecimento e de maturação política. Basta lembrar que a 7a. Conferência Nacional dos Direitos Humanos, realizada em 2002, já apontava a TV como um elemento violador desses direitos. Nasceu ai a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, até hoje em atividade, apontando periodicamente os programas que, segundo o público, mais violam os direitos humanos.

Cabe ressaltar a preocupação que o Ministério Público tem tido com a questão. Acionado por entidades da sociedade civil o MP moveu ação contra o programa do João Kleber, de caráter claramente homofóbico, e conseguiu decisão judicial suspendendo-o por um mês.

E no Recife, vale a pena reproduzir alguns trechos da Ação Civil Pública assinada pelos promotores de Justiça Jecqueline Elihimas e José Edivaldo da Silva sobre os programas pernambucanos acima citados. Dizem eles, em resumo:

"O que se enxerga nos programas, que passam ao largo de uma legítima expressão artística, é apenas um enfoque bizarro tanto de situações do cotidiano ou dos próprios seres humanos, ali escolhidos para servirem de troça aos telespectadores. Sob o manto dissimulado da comédia, o que na verdade se vê é a execração pública das pessoas humildes, de suas vidas privadas, de seu sofrimento e dramas pessoais. Dessa forma, tornam a realidade cruel, injusta, sofrida ou violenta de uma população já excluída, um motivo de zombaria para os que a assistem. O que se vê é uma postura constante de veiculação e propagação de idéias preconceituosas, discriminatórias e homofóbicas e que atentam claramente contra princípios constitucionais, em especial à dignidade humana".

São afirmações que só confirmam a pertinência e a aplicação urgente do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, ainda que o empresariado que opera concessões públicas de rádio e TV grite e esperneie.

*Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP.

O incrível "aggiornamento" de FHC

Por Elio Gaspari, na Folha

Perigo à vista: vivandeiras do tucanato

Ao criticar a criação de uma comissão da verdade, FHC pede que se esqueça o que ele fez

A expressão “vivandeira” veio do marechal Humberto Castello Branco, há 45 anos, no alvorecer da anarquia militar que baixou sobre o Brasil a treva de 21 anos de ditadura. Referindo-se aos políticos civis que iam aos quartéis para buscar conchavos com a oficialidade, ele disse:

“Eu os identifico a todos. São muitos deles os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias ao Poder Militar”.

Desde o início da controvérsia provocada pelo Programa Nacional de Direitos Humanos, sentia-se o perfume da sedução tucana pelo flerte com a figura abstrata dos militares aborrecidos com a ideia de esclarecer a responsabilidade por crimes praticados durante a ditadura. Uma palavrinha aqui, outra ali, coisa cautelosa para uma corrente política que pretende levar à Presidência da República o governador José Serra, que pagou com 15 anos de exílio o crime de ter presidido a UNE. Serra e os grão-tucanos conhecem um documento de 1973, preparado pela meganha enquanto ele estava preso ou asilado no Chile. A peça vale por uma anotação manuscrita: “Esta é a súmula do que existe sobre o fulano. Como vês, trata-se de “boa gente” que bem merece ser “tratado” pelos chilenos”. A rubrica do autor parece ter três letras. (Ao menos cinco brasileiros foram “tratados” pelos chilenos nas semanas seguintes ao golpe do general Pinochet.) Será que Serra não tem curiosidade de saber quem queria “tratá-lo”?

A vivandagem tucana explicitou-se numa entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao repórter Gary Duffy. No seu melhor estilo, disse a coisa e seu contrário. Referindo-se aos itens do programa de direitos humanos que cuidam do estabelecimento de uma comissão da verdade, o ex-presidente afirmou o seguinte:

“Este não é um assunto político no Brasil, mas uma questão de direitos humanos, o que para mim é importante, mas o perigo é transformar isso em um assunto político”.

Assunto político, o desaparecimento de pessoas jamais deixará de ser. Não há como dizer que seja um tema climático. O ex-presidente foi adiante e viu na iniciativa de investigar os crimes do Estado um fator de “intranquilidade entre as Forças Armadas”.

Pode vir a ser um fator de indisciplina. “Intranquilidade entre as Forças Armadas”, só se fosse uma ameaça às fronteiras nacionais ou às reservas de petróleo do mar territorial. Fernando Henrique Cardoso já sentiu o gosto amargo da vivandagem quando ampliou a Lei da Anistia e reconheceu a prática, pelo Estado, dos crimes da ditadura. Nesse sentido, na busca da verdade e da compensação das vítimas (reais) da ditadura, deve-se mais a ele e a tucanos como José Gregori do que a Lula e a organizadores de eventos como Tarso Genro e Paulo Vannuchi.

Não se reconhece em Fernando Henrique Cardoso do ano eleitoral de 2010 o presidente de 1995 a 2002. Muito menos o militante das causas democráticas, visto pela tigrada como um “marxista violentíssimo”. Felizmente, pode-se garantir que FHC não sentou praça na tropa da ditadura. Infelizmente, podendo mostrar pelo exemplo que há uma diferença entre os tucanos e as vivandeiras, escolheu o cálice do oportunismo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

III PNDH em pauta

Uma discussão muito importante que os paraenses não podem deixar de travar, até porque em nosso estado houve muitos crimes e expoentes desses atos lesa-humanidade, é sobre o III Plano Nacional de Direitos Humanos, que tem produzido muita polêmica, na verdade estimulada pelos meios de comunicação.

Por isso, de hoje até sexta, publicarei artigos e reportagens sobre esse tema, sem, claro, deixar de externa minha posição a respeito do assunto, tanto a de conteúdo, quanto a de forma, a estratégica e a tática.

Aguardo a participação de todos e todas nesse bom debate para o Brasil e ao Pará. Começando pela postagem abaixo.

Grande imprensa confunde o que é respeitar DHs

Com todo respeito, discordo do sociólgo Jorge Amorim, do blog Na Ilharga, em sua postagem de ontem Hipocrisia, exatamente onde afirma o seguinte, a respeito do editorial de O Liberal também do dia 12/01:

"O Liberal passou o tempo que ela durou defendendo a ditadura militar que, entre outras atrocidades cometidas, suprimiu a liberdade de expressão, Por isso, seu editorial de hoje não passa disso: hipocrisia.E não é porque jornalistas ingênuos não saibam estabelecer nexos entre liberdade e diversos direitos individuais, dentre os quais, o à informação. O referido editorial bate nessa tecla em todo o texto, como comprova um trecho bem curioso em que é dito, "Quando a imprensa descobre e divulga, por exemplo, um caso de corrupção, está diretamente contribuindo para promover os direitos humanos".Certíssimo. É esse o procedimento padrão que se espera de veículos de comunicação".

A seguir Jorge Amorim, centra-se na crítica à manipulação da cobertura dos fatos por certo tipo de imprensa.

Minha divergência e que, com certeza, é um dos pontos polêmicos do III PNDH, o que estabeçece a fiscalização do cumprimento dos direitos humanos pela mídia, é que só é verdadeira assertiva do jornal, segundo a qual "quando a imprensa descobre e divulga, por exemplo, um caso de corrupção, está diretamente contribuindo para promover os direitos humanos", se for respeitado, na cobertura jornalística, os preceitos constitucionais da ampla defesa, do contraditória, da presunção de inocência, do transitado em julgado.

O que parte da imprensa hoje faz, rasgando os direitos humanos e a Constituição Federal, é se auto-atribuir, pelo puro poder econômico e informacional, o status de tribunal de exceção, "apurando" sem ouvir todos os lados, sem respeitar o direito de resposta, julgando, condenando e linchando publicamente cidadãos.

E isso é algo que a medida de controlar o conteúdo midiático, no que tange aos direitos humanos, vem para combater e extirpar da nossa vida social.

Por isso a ABERT chia. Porque se já está ruim de vender jornal hoje, imagina sem o sensacionalismo cotidiano de suas associadas? Imagina sem o poder de extorsão publicitária que hoje possuem?

III PNDH: A quem serve Parsifal?

Muito me surpreendeu a posição do líder do PMDB na ALEPA, deputado Parsifal Pontes, membro do herdeiro político do glorioso MDB, que foi fundamental no combate ao regime militar e ao abrigo democrático que deu a todos os lutadores e lutadores da oposição, de variadas matizes ideológicas, unidos no mesmo objetivo de retomar a vida democrática usurpada da nação pelos golpistas civis e fardados de 1964. Uma posição que, concretamente, é pró-ditadura e alinhada com as classes possuidoras mais atrasadas do país, justamente as coerentes, na linha hereditária histórica, com as que tomaram o poder à força da Constituição e da legalidade.

Primeiro, ao afirmar que "o Programa Nacional de Direitos Humanos "é uma aberração jurídica e um atentado à República" e que "os que elaboraram o texto desejaram cozinhar uma sopa autoritária, tal qual os militares fizeram em 1969: achavam que tinham o ilimitado poder de escrever o que bem entendessem e quem tivesse juízo que obedecesse", é uma inverdade, tanto porque a proposta é baseada nos acordos e leis internacionais amparadas pela ONU e OEA, quanto porque é uma proposta discutida com entidades, organizações e movimentos sociais e dos direitos humanos, a sistematização de inúmeras conferências setoriais - a participação popular prevista na Carta Magna - e tão somente isto, uma sugestão, que passará pelo crivo democrático do Congresso. Não entendo porquê tanta indignação de Parsifal, se não justamente pelo seu alinhamento com os interesses e ideologias que disse no início da postagem.

Quando ele diz que "decreto reduz o papel do Congresso, desqualifica o Poder Judiciário, anula o direito de propriedade, institui o controle governamental dos meios de comunicação e sujeita a pesquisa científica e tecnológica a critérios e limites ideológicos" ele tanto esquece que o PNDH I e II, de FHC, continha linhas semelhantes e nem por isso a CNA (ou FAEPA que seu chefe Jáder tanto amacia), ABERT et caterva chiavam, quanto cria uma tempestade em copo d'água, afinal qual o problema de haver uma comissão política para negociar as ocupações de fazendas, evitando a violência, o extermínio, o abuso do poder econômico e da autoridade? Qual o problema de impedir que o conteúdo televisivo seja racista, homofóbico, machista, preconceituoso contra idosos? Onde reduz o papel do Congresso, se é justamente este que tem que aprovar o III PNDH?

Temo que o deputado Parsifal, na verdade, confunda o público e o privado e ache que o III PNDH busca ser "politicamente correto demais". Talvez ache que o mundo sem "piadas" é muito sisudo, obra de "comunista". Não, deputado. Seja como quiser, sempre sob os rigores da lei, em seu mundo particular, mas concessão pública de radioteledifusão não é um par de amigos conversando num boteco. Aí sim, há de se impor o respeito à República.

Não acredito também que o líder do PMDB, partido de Márcio Moreira Alves, Ulysses Guimarães e tantos outros, ache que o "se vira" entre PMs, latifundiários e trabalhadores rurais deva ser o método solucionador de conflitos agrários. Ainda mais sabendo que ha uma desproporção de poder e, na maioria dos casos, tipificação de grilagem, trabalho análogo ao escravo, infantil, etc, envoltos nesses tristes episódios.

O deputado Parsifal chega ao delírio hidrófobo, anti-comunismo vulgar típico dos partidários do regime militar (leia meus comentários na postagem abaixo sobre entrevista de Jarbas Passarinho), preconceito com as esquerdas e bitolagem ao que se propagada na Globo, Folha, Veja, quando, lamentavelmente, diz que "quem escreveu o documento inspirou-se no que há de pior em Hugo Chávez: não precisa espremer muito para que derrame uma ânsia inconfessa de populismo autoritário".

Não, deputado, repito que o documento foi escrito com ampla participação do que de melhor há na sociedade civil brasileira, que combateu a ditadura pela democracia, continua combatendo por direitos das mulheres, jovens, homossexuais, idosos, deficientes e por gente que sofreu na pele os horrores daquele regime. Hugo Chávez, nesse debate, é um fantasma que Bonner colocou em seus pensamentos. Esse é o problema do oligopólio que há no Brasil dos meios de comunicação. Até deputados ele afeta!

Infelizmente, Parsifal parece confessar seu horro ao povo, amando-lhe apenas quanto aos dedos a tocarem os botões da urna eletrônica, ao dizer que "o assembleísmo vale mais que a instância judiciária e reforça-se a valorização de instrumentos, como lei de iniciativa popular, referendo, veto popular e plebiscito', que, se abusados ou convenientes, ratificam o autoritarismo como se democracia fora". Sem comentários. Aqui, o líder do PMDB assume que vê instrumentos recomendados e abraçados nas melhores democracias mundiais, que completam a noção de "governo do povo", como "tirania". Tirania para ele que se revela admirador da plutocracia, da decisão conchavista de meia dúzia de gabinetes, do cupulismo burocrático e oligarca. Se lei de iniciativa popular e plebiscito não são democracia, para Parsifal talvez o seja o bipartidarismo sob censura e AI-5 vigente por certo período no país.

Não tem vergonha, Parsifal, de acusar o presidente de ter intenções autoritárias: "ou alguém duvida que, bem trabalhado na verve messiânica de Lula, um plebiscito para fechar o Congresso não seria aprovado?". Lula, deputado Parsifal, já perdeu um plebiscito, sobre o desarmamento, e foi no seu tempo que o Congresso aprovou mais leis próprias do que de autoria do Executivo, o que prova a má fé direitista do líder peemedebista. Que ele o seja, pouco me importa, mas quero ver Parsifal ter a honestidade de se posicionar com os nomes que as coisas tem. Ou que publicamente renegue o presidente Lula em prol de seus adversários políticos nacionais. Não faz, porque seu pragmatismo não permite.

Quando se apavora dizendo que "o governo poderá suspender programações e cassar licenças de rádios e de televisões, quando houver 'violações' de direitos humanos" e questiona "quem decidirá que houve estas violações? Que critérios serão usados para tal?", o deputado Parsifal poderia se somar às resoluções da CONFECOM e apoiar a criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Do mesmo modo que deve beijar a mão do presidente da OAB e render loas à Ordem.

Para terminar reproduzo a maior pérola do deputado: "o Brasil já tem um admirável arcabouço jurídico para perseguir, sem violações de direitos individuais e coletivos, as atitudes que consolidem os direitos humanos segundo a proclamação universal dos mesmos: não precisa de mais normas, principalmente gestadas por quem se julga demiurgo na matéria". Saudemos o dinarquês Parsifal, morador desde o nascimento dos Países Baixos! Ou seria o escritor de "Poliana"?

Pergunto ao conjunto peemdebista: essa é a posição do partido na ALEPA, perante a sociedade paraense, perante a História do Pará? Esse é o exemplo que Parsifal quer ver seguido pela juventude do seu partido?

As idiossincrasias de um colaborador da ditadura

No embalo do debate do III PNDH, que entra na seara de se investigar e punir ou não os crimes da ditadura, não posso deixar de comentar as declarações dadas pelo coronel Jabas Passarinho em junho de 2008 à Faculdade ESPAM, republicada essa semana no blog do Vic. Ele foi governador do Pará durante a ditadura e rejeitado pelo povo para o mesmo cargo, nas urnas democráticas de 1994, quando perdeu para Almir Gabriel. Passarinho, personagem que desonra o estado, paradoxalmente por sua importância histórica: participou da conspiração contra a democracia e o país que produziu o AI-5. Quando digo "da conspiração", falo da reunião mesmo, que escreveu e publicou essa medida criminosa, cujos autores mereciam sim é ser julgados em Haia.

A primeira é quando diz "não me arrependo de nada. No contexto histórico daquela época (1968), era preciso que o ato fosse institucionalizado. Não havia saída; se o governo não tomasse essa decisão, havia o risco altíssimo de descontrole e domínio comunista".

O coronel aposentado pelo Exército e político aposentado pelo povo, revela aqui toda sua personagem autoritária, ao considerar que uma ditadura é legítima se para combater um ponto de vista diferente. Quem luta pela abertura dos arquivos da ditadura e pela punição dos criminosos, acredita que diferenças políticas se resolvem na arena democrática. As posições contrárias ao III PNDH neste quesito, pensam como passarinho. Acham que a esquerda não tem o direito de conquistar o governo e, conquistando, não tem, nem mesmo baseada no voto popular, legitimidade para colocar em prática seu programa. Simplesmente porque os que pensam como Passarinho não são apenas intolerantes. Eles, assim como o ditador Figueiredo, não suportam o cheiro (e o custo) de justiça social.

A seguir, comete a pérola: "um vizinho nosso, a Colômbia, nunca viveu sob estado de exceção. Está aí hoje, com quase metade de seu território ocupado pela guerrilha comunista. Se no Brasil não tivéssemos adotado o AI-5 estaríamos hoje à procura de um Uribe para eliminar guerrilheiros".

Posto que o povo está com Lula para combater o resultado social do "Milagre Brasileiro": a maior concentração de renda do planeta. E se a Colômbia precisa de alguma coisa, é de reconciliação nacional e não uma ditadura para aprofundar os efeitos devastadores de uma democracia associada aos EUA, inclusive militarmente, onde 2/3 do Congresso e metade do governo é investigado por ligações com o narcotráfico. Agora, imaginem o quanto de corrupção se produz num regime ditadorial, onde um grupo se eterniza e usa como quer o poder? Os militares também temem essa parte da investigação.

Passarinho, tido e havido como homem culto, mostra toda sua fragilidade teórica, humana e moral quando diz que "a esquerda nunca teve moral para falar disso. Eles sempre mataram, torturaram, de forma fria e cruel. Eles não podem querer criticar a tortura se a adotaram como procedimento usual. Isso é fato. Os heróis da iconografia de esquerda, como Stalin, Mao, Fidel e também Che Guevara eram violentos, cruéis, sanguinários, vingativos e torturavam muito". Isso para ele justifica toda a barbárie cometida na ditadura. Ocorre que não está em questão eventuais crimes de Mao, Fidel, Che ou Stálin. Os jovens, mulheres e velhos que se levantaram pacificamente ou não contra um golpe de estado não respondem por atos alheios. Se não, qualquer atrocidade contra cristãos, em nome do passado da Inquisição, seria plenamente legítima e permitida.

Ele desfecha a entrevista assim "de qualquer forma, enquanto estivemos no poder, fomos capazes de transformar o Brasil na oitava economia do mundo" e diz que "sempre assumi meus atos e nunca menti. Jamais prendi ou torturei".

Pois, coronel, que Lula vem transformando o Brasil na 5a economia sem AI-5 algum e que se o senhor fala a verdade a respeito de que nunca torturou, é um caso a mais para a Comissão da Verdade.

Até porque não se quer condenar simpatizantes, apoiadores, gestores da ditadura. Para esses vale a Lei da Anistia. A revisão proposta é para os que, no caso concreto, individual, torturaram. Crime imprescritível segundo a interpretação da Constiuição feita por Gilmar Mendes e segundo o Direito Internacional.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"O drama do PSDB é o mesmo. Eles eram permanência quando o povo queria mudança e hoje são mudança quando o povo quer continuidade"

Realizando sempre um trabalho de resultados, Chico já ajudou a eleger muitos candidatos. Recentemente, em 2006 atuou como Coordenador de Estratégia nas campanhas do Partido dos Trabalhadores no Pará e em Rondônia. Aqui, ajudou a eleger a então senadora Ana Júlia Carepa governadora do Estado. Em Rondônia, com a senadora Fátima Cleide, candidata do PT, foi o responsável pela campanha de maior crescimento percentual do país para a sua legenda naquele ano. Em 2008, em São Luís do Maranhão, assumiu a campanha do candidato do PCdoB, Flávio Dino, que, partindo de 4% de intensões de voto, chegou ao 2º Turno da eleição. Em Santarém, formulou a estratégia que levou Maria do Carmo, candidata do PT, a se reeleger, partindo de uma posição onde aparecia nas pesquisas com até 30% atrás do candidato adversário.

Sócio fundador e Presidente da Vanguarda Propaganda e da V2 Vanguarda Comunicação de Varejo, Chico Cavalcante tem 30 anos de experiência profissional e atua também como consultor de empresários, políticos e administradores. Em 1992 fundou a sua primeira agência, a Vanguarda Propaganda, uma das maiores do mercado.

Premiado em certames nacionais e internacionais de propaganda, Chico Cavalcante já escreveu seis livros, sendo quatro destinados à área de comunicação e marketing. “Faça Marketing de Guerrilha” foi o primeiro livro escrito por um brasileiro sobre o tema e a mais citada referência bibliográfica de autor nacional no assunto.

Nessa entevista, Chico mostra por "A mais B" porque a governadora Ana Júlia tem todas as probabilidades de se reeler para mais quatro anos de mandato popular no Executivo paraense.

Deputado Bordalo - A partir de primeiro de janeiro, as pesquisas tem que ser registradas no TRE. O que muda, em termos de confiabilidade e perspectivas na visão de quem teve acesso aos dados "informais"?

Chico Cavalcante - Pesquisas eleitorais feitas antes do início do período de propaganda gratuita no rádio e na TV tem pouca valia real. Servem mais para avaliar o nível de conhecimento e rejeição, elementos que podem ser alterados no curso da campanha. É por isso que as pesquisas eleitorais erram tanto a não ser quando o curso dos acontecimentos é óbvio, como aconteceu com Lula em 2002. Em 1994 Almir Gabriel aparecia em terceiro lugar, tendo Jarbas Passarinho na liderança das pesquisas e o resultado foi a vitória de Almir. Em 1996, Edmilson aparecia em último lugar nas pesquisas e venceu o pleito em Belém; em 2002, Maria do Carmo, hoje prefeita de Santarém, nem aparecia nas pesquisas e foi ao segundo turno sendo derrotada por uma ninharia de votos que o PT teria obtido se compusesse com o PMDB; em 2006 Almir liderava as pesquisas e perdeu as eleições com uma margem larga para Ana Júlia. Então, nesse momento, sejam formais ou informais os dados de uma pesquisas servem para que a gente veja um simples fotograma de um filme inteiro que é o processo eleitoral.

Deputado Bordalo - A governadora aparece nas pesquisas com alto índice de rejeição. Qual a estratégia para reverter esse quadro? E especialmente na região metropolitana?

Chico - Não conheço a pesquisa à qual você se refere; conheço apenas a repercussão dela nos blogs. Não sei se ela é real. Mas se ela for efetiva, ou seja, se houver um alto grau de rejeição agregado a Ana Júlia ele deve estar calcado no desconhecimento de seu trabalho como governadora ou apoiado no preconceito contra a mulher, que se revela em certa crítica feita em notas de jornais que atacam pessoalmente a governadora por discriminação de gênero. Não é, portanto, rejeição no sentido que a sociologia aplicada à pesquisa confere ao termo. Em pesquisa qualitativa podemos aplicar um simples formulário para conhecer esse eleitor e saber qual o argumento que lhe assegura uma mudança de posição e com isso estabelecer se essa "rejeição" é política ou produto da ignorância. Ou seja, o período de propaganda gratuita é que dará ao eleitor a oportunidade de ouvir os argumentos necessários para fazer sua escolha de maneira clara. Até lá estamos na fase do que chamo de especulação politizada.

Deputado Bordalo - Como o povo do Pará enxerga governo Ana Júlia? É correta a déia de "governo sem obras" ou que "cuida das pessoas"?

Chico - Ana Júlia tem uma imagem de guerreira, de lutadora, de vencedora. Essa imagem está intacta. Quem se aproxima dela e percebe como a governadora consegue andar, caminhar, viajar por todo esse estado sustentada em uma perna que foi destroçada por uma fratura imobilizante, saberá do que estou falando. Ela tem fibra, tem coração e disposição para a disputa. No entanto houve, durante o primeiro ano e meio de seu governo, um ataque voraz dos adversários contra ela e isso deixa marcas. É natural. Como é natural que se cobre de quem se elegeu amparado na bandeira da mudança que as mudanças estruturais ocorram radidamente. Veja Obama. Mas a realidade não é assim. Os tucanos ficaram doze anos no poder e não fizeram nenhuma mudança estrutural; ao contrário, desmontaram a estrutura produtiva e fragilizaram a máquina pública, com consequencias sérias no campo na saúde, educação e segurança. De memória, lembro de seis obras que foram propagandeadas por eles, algumas por pura liberdade poética, como o Aeroporto de Belém, reconstruido pela Infraero e apropriada pelos amarelos locais. Ana Júlia está sendo cobrada como se estivesse governando há décadas; poderia estar fazendo obras de fachada, mas seu governo assumiu uma tarefa grandiosa: mudar o modo como se faz política pública, dando ênfase às pessoas, fazendo apenas obras que beneficiam diretamente a população e ajudam no desenvolvimento local. Nem todas são obras grandes, como a de aproveitamento da água da chuva por comunidades ribeirinhas, embora as grandes obras existam, como é o caso do Ação Metrópole, o projeto que dará mobilidade urbana à capital, hoje estrangulada, o Bolsa Trabalho, que remunera jovens enquanto os qualifica para o mercado de trabalho ou o Navegapará, que está levando internet gratuita e com isso educação, informação e formação aos lugares mais remotos do Pará. E esse deve ser o foco de um governo popular: as pessoas primeiro.

Deputado Bordalo - Na eleição de 2002, conseguimos trazer o PSDB para o nosso campo da disputa, isto é, saimos das obras faraônicas para a área social. Qual o nosso "campo de disputa" em 2010?

Chico - O nosso campo de disputa será sempre o social. Para a esquerda, obras só servem quando ajudam a mudar a vida das pessoas e a preservação do meio-ambiente é, antes de tudo, a preservação da vida humana. Essa é a nossa pauta em 2010 e será sempre. Nisso podemos dizer que somos totalmente previsíveis. As crises de nosso tempo podem e devem ser vistas como oportunidades revolucionárias para a esquerda, e como tal temos o dever de afirmá-las e concretizá-las sempre no sentido de dar às pessoas as condições para seu crescimento material e imaterial. As eleições são também uma oportunidade para essa disputa de idéias e pontos de vistas e não apenas um embate entre plataformas táticas.

Deputado Bordalo - Tenho insistido aqui no blog que a rejeição da governadora é menos rechaço político e mais falta de informação, a ausência de nomes e números na propaganda. Concordas comigo ou chegamos numa faixa crítica?

Chico - A comunicação do governo está ajustada, mas a capacidade de mídia do governo não é tão grande quanto foi nos governos passados, que tinham mais verba e eram mais permissivos com os veículos de comunicação. Então, se essa rejeição existe na dimensão como se fala, ela se deve à falta de informação. Mas não pensemos que informação e propaganda são simétricos ou que a propaganda pode dar toda a informação que as pessoas precisam para formar opinião. Você pode fazer toda propaganda do mundo e não obter o resultado necessário porque com o tempo os agentes sociais se tornam impermeáveis à propaganda, questionando sua veracidade. Então, nesse momento, é preciso sobretudo fazer comunicação a partir dos elementos sociais de base. A propaganda na TV e no rádio, o combate de guerrilha na internet são úteis, mas não são suficientes. É preciso levar essa infromação aos multiplicadores de opinião, como os centros comunitários, os sindicatos, as associações de moradores, às igrejas de base popular. Comunicação de mídia é ataque aéreo; bombardeia os pontos-chaves, bloqueia o avanço do inimigo, neutraliza parcialmente a contrapropaganda, mas não toma o território. Para isso precisamos de infantaria. Ali, no chão, essa informação se multiplica, se fortalece na voz de interlocutores que possuem prestígio social nas categorias, nos locais de moradia, etc.

Deputado Bordalo - Qual deve sera diferença entre a propaganda petista e tucana? Qual sua avaliação dessa área em nossa gestão?

Chico - A propaganda amarela é a propaganda do confronto aberto e que põe ênfase na obra em si, se baseando na mecânica da repetição. A Alça Viária, que já foi inaugurada esburacada e com sinalização precária, era mostrada na TV como se fosse o Burj Al Arab, de Dubai, uma das maiores obras da engenharia moderna. A propaganda petista se quer verdadeira, não busca o confronto pelo confronto e revela o caráter humano que precisa ser a base de toda ação pública de um governo popular. Avalio que a comunicação do governo do Pará passou por várias fases até se ajustar, tendo cada secretário que passou pela pasta seu papel nessa construção coletiva. O conceito "a maior obra é cuidar, ou melhorar, a vida das pessoas", que criei no início de 2009, é o conceito chave hoje em toda a comunicação do governo e pode ser o norte de nossa estratégia na campanha.

Deputado Bordalo - As pesquisas tem mostrado um certo empate técnico na liderança da corrida eleitoral entre Ana Júlia, Jáder e Jatene, os dois primeiros mais à frente. Qual a viabilidade real de cada um? E para o Senado, tem mais viabilidade Valéria, Jáder ou Paulo Rocha?

Chico - Ana Júlia é a governadora e mesmo que aparecesse empatada ou atrás teria um poder de arranque que os demais não possuem. Acredito que o PSDB facilitou as coisas para o PT ao optar por Jatene em detrimento a Almir e não creio que Jader seja candidato a governador, embora essa hipótese exista. Assim, a não ser que surja um elemento novo, a disputa real será entre Ana e Jatene. O povo vai escolher entre avançar nas mudanças estruturais ou retroceder à política do estado mínimo, que gerou o caos na saúde e na segurança pública que Ana Júlia herdou. Esse será o debate central em 2010: avançar ou retroceder. O drama do PSDB, aqui e nacionalmente, é o mesmo. Eles eram permanência quando o povo queria mudança e hoje são mudança quando o povo quer continuidade. Como engatar a marcha-ré quando se está avançando? Os amarelosterão que provar que não avançamos, que não são a marcha-ré e nós provaremos, com números e mais números, que avançamos sim e que retroceder coloca a perder as posições que alcançamos.

Deputado Bordalo - Há uma tese segundo a qual o eleitorado petista não vota no PMDB, razão de uma certa perda de tempo numa aliança assim, principalmente na contrapartida ao Senado, caso Jáder seja candidato. Isso é verdade?

Chico - Política e álgebra são duas esferas distintas do conhecimento humano. Álgebra é o ramo que estuda as generalizações dos conceitos e operações de aritmética. Hoje em dia o termo é bastante abrangente e pode se referir a várias áreas da matemática. Na verdade tão abrangente que tem gente que faz política assim, fazendo operações algébricas, como se fossem números inertes e não agentes políticos vivos. Felizmente a política é o império da dialética e não da lógica formal. O eleitor petista, cerca de 27% do eleitorado, pode votar sim em Jader se ele considerar que essa é a melhor saída para derrotar o PSDB e reeleger Ana Júlia.

Deputado Bordalo - Pelo seu conhecimento histórico do perfil do eleitorado, nossa base prefere um acordo com Duciomar ou Jáder? Existindo rejeição a ambos, qual a estratégia para alterar essa tendência?

Chico - Nossa base prefere chapa pura. Ana Júlia governadora e Paulo Rocha vice. Como preferiu Edmilson prefeito e Ana Júlia vice e, depois, com Valdir Ganzer nessa posição. Mas isso não está em questão. A realidade mudou muito. Hoje não se faz grande política sem a adição de elementos na composição que tornem essa frente maior que a soma das partes. Duciomar ou Jader são elementos ativos na política local e capitaneadores de votos, mas são estranhos ao PT e à sua tradição, por isso admitir um deles ou ambos na chapa não será tranqüilo para a base partidária. Creio que a pragmática prevalecerá embora a engenharia política nem sempre exija que estejamos com os elementos aliados numa mesma chapa. Há variáveis e essas estão sendo consideradas pelos responsáveis pela engenharia política de Ana Julia.

Deputado Bordalo - Lúcio Flávio Pinto escreveu um artigo recente dizendo que, pelos nomes postos, não há renovação de liderança na política paraense entre Jáder, Ana e Jatene. O que você acha?

Chico - Lúcio tem razão em um sentido: esses elementos estão postos no quadro eleitoral ou político desde a década de 80. Jatene, por exemplo, já era homem-chave no governo Jader de 1983, quando Ana Júlia ainda fazia política estudantil. Ana Júlia, contudo, permanece representando o novo na medida em que é a porta-voz de um modelo de gestão e de desenvolvimento que supera os modelos anteriores e dá ênfase aos aspectos aspectos humanos, que se preocupa com o desenvolvimento regional, buscando integrar e não segregar as regiões mais distantes e suas populações. A renovação que Lúcio reivindica virá a partir das chapas proporcionais, que apresentarão nomes que indicam esse caminho.

Deputado Bordalo - Mudando um pouco de assunto, muitos analistas dizem (ou torcem) que o presidente Lula não transfere votos para Dilma. Baseado nos números recentes, nas campanhas anteriores como a de 2008, podemos concordar com essa assertiva?

Chico - Os analistas de direita acham que somos todos estúpidos. Consideram que eles detém um conhecimento mágico que não temos. Que podem prever o tempo e nós não. Quando falam em dificuldade de transferência de votos estão falando de um fenômeno amplamente conhecido, mas cujos pressupostos são lidos de acordo com a conveniência. No caso deles,como torcedores de Serra. Eu diria que Lula está em processo de transferência de votos, mas que Dilma superará essa expectativa porque ela tem uma capacidade própria que ainda não está revelada e só o será no decorrer na campanha. Ou dito de outro modo: Dilma precisa de Lula para fazer a disputa, precisa do PT para fazer a disputa, mas vencerá as eleições por seus próprios méritos. Ela é inteligente, preparada, aguerrida e aceitou a responsabilidade de ser a sucessora do presidente mais popular da história do país. Ela superará Serra porque é maior que ele e não porque Lula a ungiu.

Deputado Bordalo - Qual a receita para um candidato petista e de esquerda se eleger deputado federal e estadual? Tens algum palpite sobre o tamanho das nossas futuras bancadas na ALEPA e Câmara Federal?

Chico - Um erro clássico da esquerda em disputas proporcionais é tentar se apresentar como representante de todo mundo em todo lugar. Isso é um fator de fragmentação de votos e de encarecimento de campanha. Proporcional é foco, sempre que possível foco regional. Definir uma área geográfica e fazer a disputa de infantaria ali. A Vanguarda, minha agência, está abrindo um setor de assessoria para essas campanhas proporcionais e que tem como método primário a definição de foco e a partir daí o desenho de um posicionamento básico para as ações de campanha. Para aumentar a nossa bancada, dobrando nossa representação, precisaríamos pacificar os candidatos proporcionais com relação ao tempo de TV, "confiscando" metade desse tempo para chamar voto na legenda. Nada explica que um partido que elege a governadora e tem 27% de preferência do eleitorado faça uma bancada tão raquítica a não ser o fato de que a legenda é nosso principal cabo eleitoral e a usamos mal. É simples assim: mais votos na legenda e elege-se quem puder fazer a melhor campanha de infataria, rateando os votos capitaneados pelo 13.

Deputado Bordalo - A imprensa tem registrado, por episódios recentes, como a votação da LOA, a eleição da mesa da ALEPA, entregas de cargos, entre outras, um "desembarque" do PMDB do governo e uma quase impossibilidade de aliança entre PT e PMDB. Como você avalia esses movimentos do partido de Jáder? Eleitoralmente,o que é mais vantajoso para eles? PMDB ainda é decisivo na disputa ou está certa a jornalista Ana Célia, quando relativiza isso apontando a força do bloco PTB/PR?

Chico - Jader é uma daquelas lideranças políticas que podemos temer, odiar ou combater, mas devemos respeitar. Ele não sobreviveu tanto tempo por sorte ou por acaso. Tem os seus méritos. Sabe sobreviver, sabe se movimentar, sabe dialogar, sabe fazer o jogo subterrâneo e emergir quando necessário, mas tem controle absoluto de seus próprios movimentos. Oa movimentos que ele está fazendo agora são típicos movimentos de tropas de quem quer deixar para o último minuto a cartada final, que, na opinião dele deve ser dada por ele e não pelos supostos aliados. Se for o desejo da governadora, se for de sua conveniência, se for do interesse do PT nacional e se tivermos sabedoria na negociação, podemos atrai-lo para uma composição de chapa ou para uma frente unica anti-PSDB, em que marchemos separados para golpear juntos. Pelo menos até agora sempre jogando num xadrex onde ele move a primeira pedra. É pedagógico. Podemos aprender com isso.