A desmoralização do discurso e o medo de comparar

Seguindo sua tradição editorial, o jornal “O Globo”, de anteontem, atacou violentamente as carreiras de Estado do Poder Executivo, com a velha cantilena do Estado Mínimo, "denunciando" o inchaço da máquina pública , que seria permeado por “clientelismo político e compadrio ideológico”, segundo suas próprias palavras.

Isso teria sido feito por motivos políticos: beneficiar sindicatos "governistas". E o pior: tal intenção estaria na raíz dos reajustes salariais recentes.

Se não fosse consórcio do grande moopólio de informações brasileiros, o riso correndo frouxo seria a reação mais óbvia, porém, infelizmente, milhares de pessoas acreditam nesse besteirol muitas vezes pago com nosso dinheiro (leia nota acima), ainda mais por causa de toda uma história de demonização do serviço público feita por essa mesma imprensa, associada das empresas (anunciantes em suas páginas) que "ganham" quando o Estado deixa de exercer funções para repassá-las à iniciativa privada.

Para começo de conversa, a tese do aparelhamento político nas contratações, pelo menos via concursos públicos, teria que afirmar que todos os promovidos na esfera federal nos últimos 7 (sete) anos foram fraudados.

Mas, a melhor resposta a essa irresponsabilidade, a essa panfletagem ideológica de baxo nível foi a entrevista que o presidente Lula concedeu ao Estadão na última sexta-feira: "Para cada 100 mil habitantes, o governo federal tem 11 cargos comissionados; o governo de SP tem 31; e a prefeitura paulistana tem 45".

Comicamente sempre desmoralizados pelos seus próprios atos - como vocês podem ver acima - não foi à toa que o governador tucano de São Paulo, José Serra, reagiu com acentuada irritação ao estudo feito por um executivo do Banco Santander, segundo o qual a política fiscal de seu governo no Estado de São Paulo é semelhante a da administração Lula no plano federal.

Escrito em inglês e divulgado no Brasil e no exterior o estudo conclui que Serra não fez no governo de São Paulo nada diferente do que faz o governo federal em termos de contas públicas.

A diferença reside no detalhamento. Lula gastou no necessário, no social, em políticas públicas universais de combate a pobreza, melhoria da educação e da saúde, reorganização do serviço público, nas áreas de segurança e justiça. Foram investimentos em previdência social, no cumprimento da lei orgânica da assistência social, na proteção à infância, aos aposentados e aos idosos, na erradicação do trabalho infantil, na criação de universidades e apoio às pesquisas, em postos de saúde, hospitais, e na contratação de professores e médicos. E Serra?

Por essas e outras que a cada dia os demotucanos se desmoralizam mais e mais frente à sociedade e temem qual vampiro a luz das comparações.

Comentários

Anônimo disse…
a comparação é o caminho Bordalão!
BOM POST!
Anônimo disse…
O PSDB fica tiririca da vida quando dizem que fazem iguais ao PT e vice-versa, o que esse povo não vê é essa diferença de prioiridade que tu mostrou.
Anônimo disse…
Quanto mais serviços públicos, mais servidores públicos. Qual o mistério? Que mal há nisso?
Queriam o q? menos estado e mais empregados privados pra mais empresas concessionárias?